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FABULOSO VASCO

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A recepção entusiasmada no Aeroporto Santos Dumont ao artilheiro Luis Fabiano teve requintes de festa de título: cânticos, bandeirões, povo transbordando praça, rua, saguão, laje, telhado e levando nos ombros não um mero jogador, mas um símbolo, um troféu. Os vascaínos que ali estavam não gritavam sangrando gargantas por um nome, mas sim pela grandeza do clube. Havia ali um silencioso contrato: estamos aqui em comunhão pelo Vasco, caro Fabuloso, e você é convidado de gala para ver de camarote o que representa a gigantesca torcida cruzmaltina. Faça simplesmente o que bem sabe dentro de campo e terá em retorno o mesmo carinho de hoje multiplicado.

Os sites de imprensa tentaram dar conta do que viam, atarantados que estavam com a presença maciça de cruzmaltinos saindo de todos os cantos da cidade. Numa hora jogaram 300 pessoas, aumentaram para 1.000, depois para 2.000, passearam bêbados para 3.000 e muitos presentes dizem que mais de 4.000 vozes foram ouvidas numa quente manhã de verão carioca.

Brados que sufocam quem ainda crê por má-fé ou estupidez que o clube se apequenou, isso ou aquilo. Balelas velhas já conhecidas de outros tempos escritas e reescritas pela imprensa rançosa de pele rubro-negra e ecoadas, infelizmente, por alguns envergonhados que se dizem vascaínos. Um gigante do porte do Club de Regatas Vasco da Gama continuará eternamente como sua essência desde a fundação o definiu: pioneiro, que supera adversidades impostas por elites, campeoníssimo no que desejar ser e verdadeiramente popular sem benesses governamentais para crescer. E sempre a pedra no sapato, o bico na porta da festa, a mosca na sopa do desejo de unanimidade.

Irão dizer os lógicos e racionais de antolhos: “Oras, mas vocês estão comemorando que feito? Por que essa pompa e circunstância para um veterano atacante? Deviam se envergonhar, abaixar a cabeça”.

Eles não sabem o que dizem, ou pior, sabem muito bem do alto das penas cafajestes. Há quase um século é tarefa diuturna dessa turma, seus pais, avôs e bisavôs, propalar a pequenez do clube do subúrbio, que não está no patamar dos grandes do Rio, que não pode jogar campeonato x ou y por contar com jogadores negros e operários, que não pode participar de certames sem possuir estádio próprio, que tudo que vem vestido com faixa diagonal no peito e sangrado de Cruz de Malta é menor, feio e mal gerido. Luis Fabiano representa o feito vascaíno da vez a ser menosprezado. Por isso e por outras razões, o AeroFabuloso de hoje (como a torcida bem apelidou o evento nas redes sociais) significa mais do que aparenta.

Trazer o bom centroavante da Seleção Brasileira da Copa de 2010 e de tantos momentos em grandes clubes não foi negociação das mais fáceis, costurada pacientemente por algumas mãos e olhares que insistiram por semanas a fio na resolução de conflitos burocráticos. Entraves ultrapassados, juntou-se às demais contratações do time para uma temporada que promete bons ventos, mesmo que os rabugentos contumazes de sempre murmurem entre dentes raivosos que não dará certo. O artilheiro com cerca de 400 gols na carreira é de longe o maior de todos goleadores na Série A do Brasileirão e junto à nau comandada pelo almirante Nenê deve seguir sua toada de marcar gols como quem bebe água. Se as chances criadas aos montes pelo time em campo já eram referendadas pelos sites especializados em estatísticas, o arremate final chegou.

O Fabuloso adentra a família cruzmaltina numa semana em que a imprensa bate no tema Vasco x Flamengo à sua moda antiga: propagando belezas táticas e técnicas do lado de lá, entrevistando um centroavante baratinado rubro-negro que crê ser sempre favorito mesmo sem ter vencido sequer um dos clássicos que disputou e apimentando polêmicas onde não há quando fala sobre jogo com torcida única (nessas horas, ler o óbvio regulamento é secundário para os digníssimos). Por sorte e evolução dos tempos, as redes sociais e seus múltiplos ecos acabam com essas fumaças mais rapidamente do que décadas atrás quando uma “verdade impressa” se fosse negada apenas virava uma nota de rodapé de centímetros ou nem isso. E voam belos gracejos e piadas de volta relembrando os nove jogos de freguesia que, por algum tipo de amnésia, foram apagados das edições dos jornalões.

Porém, infelizmente, há uma nova espécie de vascaíno a ser estudada, que vem crescendo sutilmente na última década e meia: aquele que faz da insatisfação seu mote, sua assinatura. Um vascaíno com melancolia botafoguense, arrogância tricolor e desfaçatez flamengueira. Muitos apenas exalam a reles politicagem travestida de fetiche contra suspensórios e charuto, nem sequer escondem como mal embaralham uma instituição centenária com a ira bíblica a um cidadão. Outros por tolice descomunal se empoleiram feito papagaios na facilidade do discurso midiático de sempre por vergonha, paúra ou tibieza do que os outros vão dizer. Para o azar deles, não poderão dizer ao fim de 2017 os lemas apopléticos e apocalípticos “Eu avisei! Eu disse!”. Que o tempo faça o favor de incendiar as línguas ferinas de hoje. 

O que fica para a História é que o Vasco e Luis Fabiano hoje desfilaram triunfais sob olhares assustados e ressentidos dos mesmos de sempre, mas, sobretudo, se irmanaram a milhões de vascaínos que professam a mesma fé nesta comunidade de sentimento Gigante de Norte a Sul do Brasil.

O resto é paisagem.

18 comentários

  1. Bom Rafael, muito bom.
    Texto que resume e encapsula – em definitivo – de norte a sul, de cabo a rabo, os sentimentos múltiplos – de anti-vascaínos, Vascaínos e “vascaínos”. Infelizmente os com ” ” há muitos. Puta vergonha! Deles e nossa também.
    Nada mais precisa ser dito.

  2. Que bom você por aqui Rafael Fabro!

    Valeu e a meta agora é ultrapassar a meta de 20.000 sócios-torcedores.

    Saudações vascaínas!

  3. E até se parecia com uma RECEPÇÃO de GALA dispensado ao LUIS FABIANO O FABULOSO, o tratamento e a sua RECEPÇÃO de sua chegada desde o Aeroporto de Santos Dumont, e com INTENSIDADE ESSA que é parecido com uma RECEPÇÃO e um TRATAMENTO VIP ESPECIAL que é OFERECIDO com todas as POMPAS, TAPETES VERMELHOS ESTENDIDOS para quem voltam ao País com o TÍTULO de CAMPEÃO do MUNDO, ou um GANHADOR de um GRAMMY MUSICAL INTERNACIONAL.

    O AERO FABIANO é o SINONIMO de tudo isso, e está MUITO FELIZ por ter feito a ESCOLHA CERTA, PORQUE FOI O CLUB de REGATAS VASCO da GAMA, foi quem foi o PRIMEIRO CLUBE BRASILEIRO que ABRIU AS SUAS PORTAS PARA OS NEGROS, nos tempos que eram uma prática reservados aos GRÃOS FINOS ENGOMADINHOS de uma ELITE de PELE BRANCA.

    クラブ 出 れがタス ヴぁ須個 陀 ガマ 絵 ようこそう!、喜雄治ン 乃 丘 荷 いらしゃいませ!
    KURABU de REGATAS VASCO da GAMA e YOUKOSO! KYOJIN no OKA ni IRASHAIMASSE!

    BEM-VINDO ao CLUB de REGATAS VASCO da GAMA e SEJA BEM-VINDO também ao CALDEIRÃO do GIGANTE da COLINA!

  4. Acabou o caô, o Fabuloso chegou!

    Agora sim, vamos para as cabeças. É só Cristóvão acertar nossa defesa. Anderson Martins vem mesmo?

  5. “O resto é paisagem”. Puta que pariu! Ao ler o fechamento da coluna, o meu cérebro disparou. Rafael Fabro está de volta. Texto espetacular, bem ao estilo do Fabro. Parabéns.

  6. Boa, Fabro! Uma análise rasa da semana do clássico: o Gigante dominou as manchetes. A repercussão e a marca Vasco da Gama ultrapassaram os limites do país. Parabéns á Diretoria pela performance!

  7. Rafael Fabro sempre nos presenteia com textos apaixonados, quase poemas, e que tocam a alma vascaína.

    Tenho orgulho em tê-lo como companheiro de Casaca! junto com outras feras cruzmaltinas como Sérgio Frias, Nóbrega, Cosenza e todos que lutam diariamente em defesa do CR Vasco da Gama.

    Viva o Vasco ! Casaca !

  8. Lindíssimo texto, emocionante!! Um coração vascaíno, uma alma de poeta e uma belíssima declaração de amor em palavras! Continue escrevendo!

  9. Vascão acima de tudo, parabéns pelo texto Fabuloso saudoso de Rafael Fabro. A Unidos dá Tijuca se . manteve no Grupo Especial mesmo depois dá sabotagem da Globurubu. O Fabuloso. Vai fazer os gols da Final do Estadual que trará o título ao Grande Vascão dá Gama!

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