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Vasco hoje (13/05/1923) – Tempos de afirmação

 

Todos sabem quão difícil foi para o Vasco comprovar para a elite do futebol carioca seu valor no início dos anos 20 do século passado.

Apesar de já ter disputado três partidas no certame carioca da primeira divisão naquele ano e obtido duas vitórias convincentes, contra Flamengo e Botafogo, apagando a desconfiança deixada na rodada inicial, após a fraca atuação e o empate diante do Andarahy, o jogo esperado por todos era o do time miscigenado cruzmaltino contra o campeão da cidade, América, em Campos Sales, território rubro.

Correio da Manhã – 14/05/1923

A equipe da casa não fazia lá uma grande campanha. Apesar da boa estreia diante do São Cristovão, quando goleou por 4 x 1, o revés diante do Bangu logo na segunda rodada, fora de casa, por retumbantes 6 x 1, com show dos ponteiros Nestor e Antenor, deixou os torcedores americanos com o cabelo em pé e a última disputa diante do Andarahy, sem abertura da contagem pelas equipes, desagradou definitivamente a todos no clube. Vencer o Vasco era, diante disso, embolar o campeonato e comprovar que o bi não era apenas um sonho, mas algo plausível de ocorrer naquela temporada.

Às 16 horas em ponto começou a peleja.

Na primeira meia hora nenhuma grande chance das duas equipes, mas mesmo assim o trabalho dos arqueiros Nelson Conceição, pelo Vasco e Mirim, defendendo a meta rubra com duas seguras defesas cada um.

Aos 33 minutos o gol do Vasco. Arlindo recebeu de Torterolli, levou a bola pelo centro e próximo aos beques adversários viu uma brecha dada pelo zagueiro Álvaro Martins, do que se aproveitou para marcar, abrindo a contagem.

Na segunda etapa o América voltou pressionando. O vascaíno Nicolino tocou a bola com a mão dentro da área e em seguida cedeu escanteio. O árbitro Mário Araújo, do Clube de Regatas do Flamengo, não marcou a penalidade, preferindo assinalar o tiro de canto. Na cobrança excelente defesa de Nelson, em cabeçada executada por Simas. Pouco depois Mattoso chutou e Nelson defendeu. Em seguida, nova chance desperdiçada por Simas, após receber bom passe de Oswaldinho.

A reação do Vasco se deu com Arlindo, obrigando Mirim a uma boa defesa, mas na sequência nova ação ofensiva do América. Os rubros desperdiçaram a chance do empate com Gonçalo, que chutou encobrindo a trave, após defesa parcial de Nelson.

O Paiz – 14/05/1923

Uma falta desleal e desnecessária de Oswaldinho no vascaíno Torterolli e mais duas defesas seguras (uma de cada lado) dos arqueiros Nelson e Mirim foram os últimos destaques da partida, que terminava com o Vasco mantendo a liderança invicta do certame e comprovando sua força no nele mais uma vez.

Apesar da vitória, o jornal “A Noite” afirmava na sua edição de segunda-feira ter a equipe vascaína mais fama que valor, embora elogiasse os extremas Paschoal e Negrito, a leitura de jogo de Torterolli, o center half Claudionor, a segurança do zagueiro Leitão e, principalmente, a qualidade de Nelson, goleiro vascaíno tido já àquela altura como um dos melhores da cidade. O conjunto da linha média e os rushs de Cecy e Arlindo também foram pontuados.

O Imparcial – 14/05/1923

Já o jornal “O Imparcial” julgou ter sido o defensor rubro Álvaro Martins o responsável pela derrota. Tanto “O Imparcial” como “A noite” entenderam serem os destaques do América na partida os meias Oswaldinho e Gonçalo, a despeito de terem criticado o primeiro por faltas duras praticadas no decorrer do clássico.

O Vasco era a surpresa do certame, mas para muitos precisaria mostrar mais a fim de convencer torcedores e críticos do seu valor. O tempo faria com que todos enxergassem a realidade dos fatos.

Outras vitórias do Vasco em 13 de maio:
SC BRASIL 1X4 VASCO (CARIOCA 1928)

VASCO 3 x 0 BANGU (CARIOCA 1973)

VASCO 2 x 1 SÃO PAULO DA FLORESTA-SP (AMISTOSO 1930)

ADN-NITERÓI 0 x 3 VASCO (CARIOCA 1979)

VASCO 3X1 AMÉRICA-RJ (CARIOCA 1987)

VASCO 6X1 OLARIA (CARIOCA 2000)

AMÉRICA-RN 0X1 VASCO (BRASILEIRO 2007)

VASCO 4X0 VITÓRIA (COPA DO BRASIL 2009)

Casaca!

Vasco Hoje (12/05/1998) Duelo de campeões

Folha de São Paulo – 13/05/1998

O Vasco estava a um passo de se sagrar Campeão Carioca no ano de seu Centenário, já o São Paulo derrotara o Corínthians na final do Campeonato Paulista por 3 x 1, contando com a estreia de Raí e um partidaço de França e Denilson. este último, negociado junto ao Betis-ESP, faria seu jogo de despedida justamente contra o Gigante da Colina, em São Januário.

O time cruzmaltino tinha em seu time titular naquele dia nomes como Carlos Germano, Valber, Odvan, Felipe, Vágner, Pedrinho, Donizete, Luisão e buscava a conquista da Taça Libertadores, da Copa do Brasil, do Estadual, atrás de títulos nos seus 100 anos de vida, que se completariam pouco mais de três meses depois.

Mas o tricolor paulista não ficava atrás. Além de Raí, França e Denilson destacavam-se no time titular são-paulino Rogério Ceni, Zé Carlos, Serginho e Carlos Miguel.

Na partida de ida, cinco dias antes, um empate em 1 x 1 no Morumbi. O Vasco saiu na frente com Luizão aos 24 do 2º tempo, mas o time da casa igualou tudo com o volante Gallo aos 36.

Naquela terça-feira, 12 de maio, São Januário recebeu um público superior a 20.000 pessoas (19.245 pagantes), que testemunharam algo raro. Seis gols em 31 minutos, cinco deles marcados até os 20 do primeiro tempo.

Raí marcou para o São Paulo logo aos 53 segundos de jogo, aproveitando rebatida de Carlos Germano para o meio da área.

O que seria uma ducha de água fria para o Vasco só fez esquentar o jogo e aos três minutos a grande dupla de ataque do ano, Luizão e Donizete, funcionou mais uma vez. O ponteiro cruzou da direita para o artilheiro empatar o clássico.

Aos 11 Pedrinho bateu da entrada da área a bola desviou no zagueiro Bordon e enganou Rogério Ceni. Virada vascaína: 2 x 1.

Mas o São Paulo era valente e perigoso. Aos 14 França, após cruzamento de Zé Carlos da direita, cabeceia para grande defesa de Carlos Germano. Um minuto depois, entretanto, Bordon, também de cabeça marca o segundo tento tricolor, após centro de Carlos Miguel da direita, contando com a inação de Odvan na jogada. O resultado dava a classificação ao time visitante, pois marcara dois gols fora contra um do adversário no Morumbi.

Novamente o Vasco investe no ataque e Donizete faz a diferença. Aproveitando-se de uma falha geral da defesa são-paulina, após toque de cabeça efetuado por Odvan para dentro da área inimiga, desempata a partida.

Um minuto depois o centroavante França perde a cabeça, atinge Luizão violentamente – que voltara ao campo de defesa vascaína para ajudar no combate ao time adversário – e é justamente expulso.

Caminho aberto para o domínio vascaíno até o fim da primeira etapa. Aos 31 novamente Donizete protagoniza lance de gol. Ele cruza para a área e conta com a ajuda de Capitão, que marca contra, deslocando Rogério Ceni. Vasco 4 x 2.

Com dois gols a mais e um homem a menos do adversário a goleada parecia ser questão de tempo, mas o São Paulo tinha Denilson. O ponteiro ameaçou o gol de Carlos Germano em duas estocadas, aos 37 e 42 minutos e a partida foi para o intervalo sem um prognóstico definido.

O segundo tempo se inicia e Denilson permanece desequilibrando. Em jogada fantástica passa entre Alex Pinho e Nasa e é derrubado por Vitor, dentro da área. Raí cobra e marca, descontando para o tricolor.

Aos 24 minutos o Vasco tem Pedrinho expulso após carrinho por trás aplicado sobre Carlos Miguel.

Dez contra dez o jogo se torna emocionante de vez. O São Paulo em busca do empate que lhe daria a vaga, o Vasco apostando no contragolpe. Juninho a esta altura estava em campo para ajudar o meio campo cruzmaltino, após substituir Vágner, enquanto no São Paulo a entrada de Dodô dava mais poderio ofensivo à equipe. Os treinadores Antônio Lopes e Nelsinho Batista tinham pensamentos opostos naquele momento. Enquanto Lopes buscava segurar o empate, Nelsinho punha o São Paulo de vez à frente.

Nos 20 minutos finais o time de Raí esteve perto de chegar ao gol de empate, mas a proximidade do fim da peleja foi aos poucos trazendo ao torcedor cruzmaltino a sensação de que a vitória não escaparia.

Após o árbitro Wilson de Souza Mendonça trilar o apito pela última vez naquela noite o torcedor cruzmaltino passou a ter três certezas: a vaga às semifinais era mesmo do Vasco, o time era sim um dos melhores do país, senão o melhor, e que aquele jogo, de tantas nuances e alternativas, entraria para a história como um dos maiores embates do clássico Vasco x São Paulo, através dos tempos.

Outras vitórias do Vasco em 12 de maio

ANDARAHY 0 X 2 VASCO (CARIOCA 1929)

VASCO 5 X 1 MADUREIRA (CARIOCA 1935)

OLARIA 0 X 4 VASCO (CARIOCA 1996)

 

 

Vasco hoje (11/05/2006) – A noite de Edilson

 

Apelidado de capetinha nos anos em que brilhou no Guarani, Palmeiras, Corínthians e Flamengo, para os adversários do Vasco Edilson parecia um anjo, um menino bem comportado. Não incomodava, poucos gols marcava e estava longe de ser, já aos 35 anos, o terror das defesas adversárias de outros tempos.

Vasco e Fluminense faziam naquela noite de quarta-feira a primeira partida semifinal da Copa do Brasil e havia muita desconfiança sobre o time cruzmaltino. Seu atacante de destaque até ali havia sido Valdiram, um ilustre desconhecido do torcedor carioca até chegar ao Vasco meses antes. Uma série de jogadores contestados pelos torcedores, como o goleiro Cássio, Jorge Luiz, Fábio Braz, Diego, Roberto Lopes tentavam se harmonizar com o veteraníssimo Ramon, o veloz Wagner Diniz e o hábil Morais.

Mas o Flu tinha Petkovic, Tuta na frente, o ídolo Marcão, o eficiente lateral Roger a revelação Thiago Siva atrás, o garoto Lenny como um dos destaques do tricolor na temporada à frente, além de outros nomes que caíam já no gosto da torcida, casos de Arouca e do imprevisível Fernando Henrique, goleiro que usava e abusava de fazer defesas com os pés e as pernas, ao invés de usar as mãos para tal. No comando Oswaldo de Oliveira era o técnico. Contra ele, o “boleiro” Renato Gaúcho no banco vascaíno.

A partida começou estudada, mas com o Fluminense ligeiramente melhor em campo. Aos 13 minutos Thiago Silva marcou, mas em posição de impedimento. O gol foi bem anulado.

Jean, lateral esquerdo trazido junto ao Feyenoord-HOL pelo clube das Laranjeiras, perdeu grande chance de abrir o placar acertando a trave vascaína aos 17 minutos.

Quando as equipes foram para o intervalo a sensação era de que o Fluminense, melhor em campo, transformaria em gols sua diferença para o adversário na segunda etapa.

A entrada do lépido Abedi no lugar de Roberto Lopes, entretanto, mudou o panorama da partida.

Aos 13 quase o Vasco abriu o placar. Morais, de fora da área, acertou o travessão de Fernando Henrique.

Aos poucos o Fluminense foi se reorganizando em campo, mas quando parecia mais senhor das ações no gramado, veio a ducha de água fria.

Em jogada pela direita Morais deu a Ernane, que substituíra o apagado Valdiram. O garoto, apelidado por alguns como “Cacá do Nordeste” cruzou da direita para Edilson, que tocou de primeira inaugurando o marcador e fazendo explodir a torcida vascaína no Maracanã.

Dali por diante o Fluminense se mostrou perdido em campo, longe do empate e perto da eliminação após o apito final do árbitro 15 minutos depois do gol de Edilson. O herói do jogo assim resumiu sua participação decisiva no clássico: “Atacante é assim mesmo. Precisa estar no lugar certo, no momento certo”. De fato, naquela noite de 11 de maio ele estava.

Outras vitórias do Vasco em 11 de maio:

 
VASCO 2X0 ANDARAHY (CARIOCA 1930)

VASCO 4 x 0 PORTUGUESA (CARIOCA 1975)

SERGIPE 0X5 VASCO (BRASILEIRO 1978)

PORTUGUESA-RJ 0X2 VASCO (CARIOCA 1986)

VASCO 2X1 AMERICANO (CARIOCA 2002)

Vasco hoje (10/05/1953) – Expresso passa pelo Bangu, tal qual locomotiva

 

Aquele expresso de tantas vitórias vinha da conquista do Campeonato Carioca de 1952, encerrado em janeiro daquele ano, conquistara o Torneio Quadrangular Internacional do Rio de Janeiro, goleando na final o Flamengo por 5 x 2, com show de Sabará, o Torneio Internacional de Santiago, no Chile, era o líder invicto do Torneio Rio-São Paulo e já se encontrava a 32 jogos invicto. Não perdia desde setembro do ano anterior.

O formidável Expresso vivia seus últimos meses de glória e teve na manhã daquele domingo, 10 de maio, mais uma atuação de gala. Ainda sem contar com Ademir o Vasco entrou em campo para enfrentar o Bangu, carente de seu grande destaque, Zizinho e aplicou a goleada no ritmo que quis.

O Globo 11/05/1953

Logo aos 10 minutos Danilo, apoiando o ataque, centrou da direita para Chico, que mesmo apertado pelo banguense Zé Carlos, conseguiu atirar em gol. A bola tocou na trave e chegou às redes. Vasco 1 x 0.

Sete minutos se passaram e em lance construído por Chico, Genuíno invadiu a área pela direita, mas foi aterrado por Zé Carlos. Pênalti marcado e logo em seguida cobrado com firmeza por Maneca. Estava ampliado o marcador.

Aos 30 houve pênalti cometido pelo zagueiro Haroldo, do Vasco, sobre Menezes mas o árbitro Mário Vianna marcou falta fora da área para o Bangu. Mesmo com o erro do árbitro a favor do time cruzmaltino a tendência era de uma vitória folgada, dada a qualidade de jogo apresentada pela equipe de São Januário.

A um minuto do fim da etapa inicial o Expresso marcou o terceiro: Genuíno tabelou com Maneca e bateu em gol. A bola desviou em Zé Carlos, enganando o goleiro Jorge e indo morrer no fundo da rede. Pouco depois terminava a primeira etapa com a vitória parcial do quadro dirigido por Flávio Costa.

O Globo 11/05/1953

No segundo tempo o panorama permaneceu amplamente favorável ao Vasco. Aos 18 minutos surgiria o quarto tento cruzmaltino em falha do arqueiro Jorge, que, adiantado, tentou a defesa num chute desferido por Genuíno – mineiro trazido pelo Vasco junto ao Madureira, substituto de Ademir naquela partida – mas acabou por não evitar mesmo após tocar na bola que a pelota adentrasse sua meta. Vasco 4 x 0.

Para fechar o placar os cruzmaltinos contaram com uma grande jogada individual de Ipojucan, que esticou para Sabará invadir a área em diagonal e fuzilar Jorge, mesmo acossado no lance pelo half esquerdo Edilson. Eram decorridos 32 minutos e estava sacramentado o escore final do jogo: 5 x 0.

O vascaíno Danilo Alvim foi considerado o grande destaque da partida e a renda, superior a Cr$300.000,00 foi considerada uma prova de que o horário matinal dos domingos poderia sim motivar à presença de grandes públicos nos estádios cariocas.

A Noite – 11/05/1953

Outras vitórias do Vasco em 10 de maio:
BONSUCESSO 1X3 VASCO (CARIOCA 1931)

VASCO 5X1 BANGU (CARIOCA 1942)

VASCO 2X0 INTERNACIONAL-RS (BRASILEIRO 1992)

AMERICANO 0X2 VASCO (CARIOCA 2000)

Todo mundo tenta, mas só o Vasco Hexagera

  • Foi desde o início uma prova do tamanho que é o Vasco.

Nas primeiras duas rodadas, com a imprensa praticamente toda contra o estadual, denegrindo-o e tentando desvalorizá-lo, a torcida do Vasco compareceu de forma exemplar nos jogos contra o Madureira, na estreia, e diante do América, em Edson Passos, quatro dias depois. Sete gols marcados e dois sofridos demonstravam que o início era alvissareiro.

No quarto compromisso, o improvável: jogaríamos contra o Flamengo em São Januário, após 11 anos, com choro escandaloso da direção rubro-negra sobre o evento, quebra de banheiro por parte de sua torcida e grande pressão contra a partida em nosso estádio, como tradicionalmente ocorre com os sem campo. Além da manutenção do jogo lá, uma vitória de uma forma que jamais havíamos conquistado contra o clube da Gávea. Com o gol decisivo marcado nos acréscimos. Pedrinho, Cocada,  Roberto, Abel, Paulo Cesar Puruca, Silva, Pascoal fizeram gols decisivos nos cinco minutos finais do clássico, mas ninguém havia registrado o que fez Rafael Vaz. Parecia um predestinado.

A primeira fase do campeonato chegava próxima do fim e outro clássico em São Januário seria disputado: diante do Botafogo. Saímos na frente com Riascos, que seria decisivo em outros confrontos de expressão mais adiante, Nenê acertou a trave em belíssimo lance, mas logo depois uma falta do meio da rua cobrada com um tiro fortíssimo pelo zagueiro Emerson surpreenderia Martin Silva e a muitos vascaínos presentes em São Januário. O 1 x 1 pareceu injusto pela produção do Vasco, após a marcação do primeiro gol, mas futebol é bola na rede…

Após o final da fase inicial, na qual o Vasco ficou apenas atrás do já surpreendente Botafogo, partimos para a disputa da Taça Guanabara. O jejum de 13 anos sem conquistá-la foi se vislumbrando próximo de ser quebrado diante dos resultados obtidos nas três primeiras rodadas. Na estreia um 2 x 0 convincente contra o Bangu, contando o Vasco com bela atuação do até ali apagado Jorge Henrique. Em Cariacica uma festa vascaína do início ao fim da estadia do Vasco no Espírito Santo. A vitória por apenas 1 x 0 pareceu pouco, diante de várias chances desperdiçadas pela equipe. Já contra o Botafogo, mesmo sem jogar bem, o Vasco contou com a genialidade de Nenê, o garçom da hora, e o oportunismo de Thales, o artilheiro do jogo, que marcou o gol único da vitória vascaína.

Na quarta rodada o Vasco vai para Brasília (mais uma vez ovacionado por sua torcida desde a chegada no aeroporto), mas em campo mostra mais defeitos que virtudes. Riascos salva o time de uma derrota e mantém o tabu recente diante do rival. Placar final: 1 x 1.

Veio então um pequeno período de apreensão. Se na primeira fase vencemos os eliminados Tigres e Bonsucesso, atuando com pressão intensa sobre os adversários (derrotados por 2 x 0 e 3 x 1 respectivamente), o jogo contra o Volta Redonda esteve aquém da expectativa. Foi o ressurgimento de Thales na equipe com um gol inicialmente construído e posteriormente arrematado (o segundo do Vasco), mas a equipe (embora vencesse por 2 x 0) não atuara bem. Na Taça Guanabara o enredo da primeira etapa foi pior ainda. O Vasco até saiu na frente, embora não realizasse uma grande partida, teve tudo para ampliar, mas o incrível aconteceu: Nenê perdeu um pênalti. E pior: o Voltaço empatou, fechando o placar. Decepção geral.

Jogo seguinte vitória inconvincente diante do lanterna da Taça Guanabara, Madureira. Se antes muitos torcedores pensavam numa goleada, a magra vitória por 1 x 0 foi mais uma frustração.

Chegava então a hora da verdade. O Vasco atuaria na última rodada da Taça Guanabara precisando de uma vitória sobre o Fluminense. O adversário jogava pelo empate e vinha bem, invicto naquele octogonal e sem perder ponto para as chamadas equipes pequenas.

O suposto favoritismo tricolor não inibiu torcedores vascaínos em Manaus de se mostrarem presentes e confiantes no time desde a chegada à capital do Amazonas. No jogo, certo equilíbrio no primeiro tempo e um Vasco mais ágil na segunda etapa. A vitória veio com mais um gol de Riascos e o título da Taça Guanabara conquistado novamente, 13 anos depois.

O Vasco pegaria então o Flamengo na semifinal. Jogo único, vantagem do empate e o clube não exerceu seu mando de campo como muitos torcedores sonhavam. A partida foi tirada de São Januário para o mesmo local da peleja diante do Fluminense. Estádio lotado, com um contingente maior de flamenguistas e uma bandeira fincada no meio de campo após a entrada sem escrúpulos do time rubro-negro no gramado, largando crianças torcedoras do clube pelo caminho.

Nas quatro linhas, superioridade traduzida em gols, numa fácil vitória por 2 x 0, que no final do espetáculo pareceu pouco diante da apresentação vascaína no clássico.

Veio então o Botafogo na decisão. Ninguém teria vantagem alguma nos dois confrontos decisivos, mas o Vasco no primeiro deles construiu um handicap para a finalíssima. Venceu o glorioso por 1 x 0 e ficou a um empate do título.

E, finalmente, a 08 de maio, após estar atrás no marcador, numa falha de Rafael Vaz, o predestinado zagueiro fez o gol de empate. Ele substituiu Luan no intervalo, assim como saíra do banco para dar a vitória ao Vasco no jogo contra o Flamengo em São Januário na primeira fase.

Entre o gol de empate do Vasco e o fim da peleja se passaram 40 minutos e neste período a experiência do time cruzmaltino, aliado à inexperiência alvinegra, que rodava a bola, mas não conseguia desenvolver muitas jogadas de perigo (duas ou três no máximo) levou o escore a não mais se alterar. Chegávamos então ao nosso vigésimo quarto título carioca e ao sexto invicto, igualando a campanha do primeiro título invicto do Expresso da Vitória, em 1945: 13 vitórias e 5 empates.

Outros tentam, mas só mesmo o Vasco é hexacampeão estadual invicto. De forma justa, merecida, quebrando paradigmas (como o da alta faixa etária do time) e fazendo história mais uma vez com o ministro da defesa Martin Silva, o veloz Mádson, o desenvolto Luan, o xerife Rodrigo, o eficiente Julio Cesar, o lutador Marcelo Matos, o passador Julio dos Santos, o hábil Andrezinho, a referência Nenê, o tático Jorge Henrique, o imprevisível Riascos, o matador Thales, o lutador Éder Luís, os garotos Jordi, Henrique, Mateus Vital, Caio Monteiro, Matheus Indio e Evander, o despojado Pikachu, o valente Jomar e, finalmente, o predestinado Rafael Vaz, entre outros, bicampeões comandados pelos hoje mais vascaínos que nunca, Zinho e Jorginho.

Foi na técnica, foi na raça, na catimba, no oportunismo, na categoria, na disciplina, no improviso, no sangue, no coração. O Vasco venceu cinco clássicos em oito disputados. Da Taça Guanabara em diante tomou apenas três gols em 10 jogos. Mantém-se invicto, desde 08 de novembro do ano passado, portanto há seis meses e dois dias, chega a 25 jogos sem perder, podendo bater marcas e recordes históricos.

Finalmente uma menção à torcida vascaína. Após o gol sofrido diante do Botafogo anteontem, ela não se calou, não se entregou. As viradas ocorrem muitas vezes com este apoio oriundo das arquibancadas e o dado aos atletas em campo no domingo foi exemplar, embora a apreensão dos 20 minutos finais tenha deixado o estádio mais próximo do silêncio que do grito. Mas aí o resultado já era do Vasco.

Que as comemorações continuem, pois a supremacia vascaína incontestável este ano já entrou para a história do clube.

Quanto aos incomodados da turma do contra… Eurico neles!

Sérgio Frias

Caixa

 

Tenho observado as manifestações a respeito do fechamento de patrocínio do Vasco com a Caixa Econômica Federal e no próprio site já houve várias.

No site Netvasco pesquisa anterior à oferta final da CEF mostrou que a maioria ficou de acordo com a não redução do valor para o acerto do patrocínio.

Alguns chegaram a defender que o valor de 9 milhões ano (tá bom, 7,5 + bônus) poria o Vasco num patamar definitivo de decréscimo. E por aí foram…

E há ainda a discussão se empresas vinculadas ao governo deveriam ou não patrocinar clubes de futebol, o que traz usualmente questionamentos entre contemplados e não contemplados, celeumas referentes a valores e uma névoa política sobre as resoluções individuais vistas.

Abstrações são direitos individuais, mas a concretude desta situação é simples e clara.

O Vasco fechou contrato com a CEF e este saiu publicado em Diário Oficial a 24/07/2013. Duração até agosto de 2014. Na época o clube não apresentou as contrapartidas exigidas e a empresa pública sequer aventava a hipótese de fazer uma renovação com o clube.

Com a chegada da gestão atual, as contrapartidas foram satisfeitas e o Vasco apresentou um retorno de mídia previsto em contrato que daria azo a não manutenção do valor para 2015.

Entre janeiro e maio o Vasco negociou, brigando pelos 15 milhões, e muitos achavam improvável a manutenção pelos números apresentados em 2014, mas após a conquista do título estadual o presidente Eurico Miranda argumentou junto à direção da empresa que o Vasco havia sido o clube, dentre todos os patrocinados, a ter dado maior visibilidade à marca nas finais dos estaduais. Com isso obteve a manutenção do valor. E o retorno no ano passado foi considerável, a ponto de a empresa já quase no fim de dezembro pretender permanecer com o patrocínio para 2016.

Ocorre que foi utilizado um raciocínio, expresso inclusive pela presidente da empresa quando da confirmação do fechamento, no qual se entende que o abismo de valores comparados em 2014 e 2015 teria sido afetado pelo fato de em 2014 o clube ter atuado na segunda divisão.

Podemos discutir “n” conceitos referentes a esta circunstância, ora repetida. Mas parece razoável pensar que o Vasco não terá o mesmo retorno de mídia neste ano, se comparado ao ano passado, pelo menos a princípio.

O dizer da Caixa sobre o motivo pelo qual baixou a oferta de patrocínio parte de uma premissa. Considerando-a ao Vasco caberá um valor muito maior em 2017, caso haja novo acordo, apresentando, por exemplo, melhor retorno de mídia em 2016, comparado a 2014, o que será possível diante de uma performance esportiva boa e a condução do clube feita de maneira positiva no âmbito institucional (leia-se, pagando a quem deve, cumprindo acordos e contrapartidas, tendo sucesso na implementação de planos e vendas, etc…).

Diferentemente da opinião de vários companheiros de luta eu me posiciono claramente favorável ao acordo firmado visando estrategicamente aumentá-lo de forma relevante no próximo ano, justamente levando-se em conta a justificativa dada por parte da empresa pela diminuição.

Argumentos ou certezas surgem de vários lados batendo o martelo de que o ocorrido se deu por politicagem. Se há politicagem, esta, por princípio, favoreceu o Vasco, em detrimento de São Paulo, Santos, Fluminense e Botafogo, por exemplo, pois tais clubes não tiveram ofertas da empresa e estão na primeira divisão.

Quando se expõe a público o motivo pela redução, dá-se vazão a que na negociação seguinte uma situação distinta mude o cenário.

Além disso, considero a crise econômica geral e a dificuldade vista em vários outros clubes para fechar algo no patamar obtido pelo Vasco, como um fator de alerta. Conseguiu-se mais 20% no fim da negociação, chegando-se aos nove milhões e desde já é cabível propor que ainda durante o contrato se busque mais caso o clube chegue às fases finais da Copa do Brasil, quando terá a oportunidade de atuar no horário nobre do meio de semana.

Ser arremessado à segunda divisão da forma como o Vasco foi, por culpa única e inequívoca da arbitragem, responsável por nos tungar 14 pontos (bastava-nos obter três para permanecer na Série A) é claro que traz consequências.

Felizmente não perdemos 10,5 milhões de reais com a TV como em 2009, felizmente temos a expectativa de uma nova receita com o programa de sócio torcedor para este ano, felizmente o clube manteve elenco, salários em dia, cumprimento de acordos, investimento em basquete, remo, base, estrutura, patrimônio e permanece com crédito no mercado junto a uma nova fama de bom pagador, mas isso não ocorre com milagres e sim com a entrada de receitas.

O Vasco vai paulatinamente se reerguer, apesar do “crime” cometido contra o clube pelos homens de bandeiras e apitos (que Eurico Miranda de forma errada assumiu em nome deles, ou apesar deles, como se o “criminoso” fosse ele).

Em 2016 é lutar e muito para manter o projeto de reequacionamento, brigar por títulos sim e permanecer demonstrando ser o Vasco um clube responsável e agregador, possuindo grande peso nisso o envolvimento dos vascaínos através da adesão ao programa de sócio torcedor aberto pelo clube em março.

E quanto a 2017? Cada passo de uma vez.

Sérgio Frias

Sérgio Frias fala sobre o contrato com a CEF – Casaca no Rádio 12/04/2016 by casaca_oficial

Cobranças

Acompanho futebol há cerca de 40 anos.

Não me lembro de ter visto manifestações tão contundentes a respeito de treinador da base, em todo esse período, numa circunstância tão peculiar como vimos e que há de ser pontuada, retratada e cobrada intramuros.

O caso do treinador Rodney Gonçalves para mim só não é espantoso porque essa gente, banhada pelo ódio, pelo despeito e pelo oportunismo, age assim por vocação: o nível é péssimo, o Vasco secundário e as manifestações típicas de quem se esconde por detrás de um grupo para caluniar e fazer insinuações torpes a profissionais do clube que tem história no Vasco, um hábito “muviano”, ora travestido de amarelo.

O Vasco tomou de 5 x 0 do Fluminense no Sub 20 e isso foi uma vergonha, alicerçado também pelo fato de o time ter largado o jogo quando tomava de três, levando dois gols próximo no fim.

Incrível ninguém ter comentado ainda que o time do Andrey tomou de 5 x 0, o time do Evander tomou de 5 x 0, o time do Mateus Vital tomou de 5 x 0, o time do Mateus Indio tomou de 5 x 0, o time do Caio Monteiro tomou de 5 x 0. Todos atletas que atuaram na equipe de cima este ano ou estão próximos disso.

E não me venham com o papo de que faltou entrosamento. Do meio para frente são cinco atletas os quais atuam ou atuaram juntos. Faltou a eles sim comprometerem-se com o jogo. Recomporem, marcarem, irem com sangue nos olhos a cada jogada, disputá-las, sentirem no gol adversário a vontade de reagir, retrucar, suar a camisa do Vasco, clube que lhes paga e ao qual devem ser todos muito agradecidos pelo tratamento proporcionado.

O que houve, de fato? Individualmente o Vasco possui ainda outros nomes de destaque, como o lateral Allan Cardoso, o zagueiro Lucas Barboza, autor do gol da vitória sobre o Flamengo no turno, o centroavante Hugo Borges, e por aí vai.

A derrota para eles passa como um acaso? Há algum problema de que um atleta eventualmente aproveitado no time de cima venha a participar com outros companheiros do Sub 20 e atuar com destaque? Não são todos profissionais? Por outro lado, o salário é diminuído quando um atleta já aproveitado em cima volta a atuar na categoria?

Discutamos, é claro, o trabalho de A ou B, porque numa derrota dessas muito há de se conversar para não repeti-la no futuro, mas a grande questão, a ampla questão está diretamente relacionada a dificuldade de hoje se cobrar a harmonização dos atletas partícipes regularmente do elenco, com aqueles que atuavam antes de um jogo decisivo. A vitória é de todos e a derrota idem.

Há de se valorizar a chegada dos que atuam em cima e vêm para ajudar, bem como dos outros componentes do plantel. A união faz a força, mas a desunião azeda o caldo.

O treinador Rodney Gonçalves não é um paraquedista no Vasco. Numa categoria abaixo, ainda em 2008, foi Campeão da Copa do Brasil Sub 17, vencendo o Santos de Neymar por 2 x 1 na decisão. Essa mesma turma, pelo mesmo motivo de agora, ódio a Eurico Miranda e a qualquer um que tenha relação direta ou indireta com ele, seus filhos, etc… o demitiu no dia seguinte e foi reverberado nas mídias situacionistas da época uma satisfação com isso.

O desprezível contingente nada mais faz que, independentemente de qualquer resultado, procurar algo possível para lançar diatribes contra a administração.

O centroavante do Fluminense, decisivo no jogo, treinava em cima, desceu e definiu, como já vimos no passado ocorrer com Roberto Dinamite, Geovani, Valdir, Jardel, entre outros exemplos. A arma é utilizada por todos, mesmo porque a obviedade de se tornar mais forte um time com a possibilidade de utilização do que se possui de melhor é quase um axioma.

Não acho razoável para o futuro dos atletas de base do Vasco ficarem protegidos, enquanto se queima o treinador, após um vexame proporcionado por eles em campo. É assim que pretendem se destacar em suas carreiras? Ora, o Vasco largou o jogo no fim, quando perdia por 3 x 0. Foi o treinador quem mandou largar?

Como justificar que uma linha de frente formada por Índio, Mateus Vital, Evander e Caio Monteiro, contando ainda com a ligação de Andrey no meio, não tenha feito nada de relevante em campo? Não se comprometeram com o jogo? E os outros do time? Não podem cobrar no gramado denodo, vergonha na cara e comprometimento dos companheiros? Não podem dar de si também em dobro num jogo de mata-mata?

Nada justifica a ridícula atuação do Vasco contra o Fluminense nas Laranjeiras. Mesmo que o treinador tivesse escalado o Caio Monteiro no gol e o goleiro Júnior Souza de centroavante. Todos precisam ser cobrados e, claro, a direção do Vasco deve fazê-lo.

Finalmente, sobre o tio de Rodney Gonçalves, Nilson Gonçalves, com décadas de trabalho no Vasco e também na CBF, faltou respeito a ele e sobrou leviandade. Nada diferente daquilo que se vê no grupo amarelo. A frustração é total não com as derrotas nos juniores, que quase ninguém do bando acompanha. O melhor caminho é mesmo chorarem suas mágoas com os rubro-negros. Não nos esqueçamos da ausência de uma linha sequer desse grupo após a vitória contra o Flamengo, que levou o Vasco à finalíssima do estadual em 2015. Algo absolutamente simbólico.

Sérgio Frias

O líder e os micos

Há um simbolismo evidente percebido na primeira rodada do Estadual 2016.

Toda a briga de bastidores em detrimento do futebol do nosso estado, perpetrada pela dupla Fla x Flu, partia de uma premissa falsa, a respeito dos dois clubes, “linkados” à Lusa paulista desde 2013 no imaginário popular.

Lá pelo final dos anos 90 um grito em uníssono surgia das arquibancadas antes de cada jogo do Fluminense, que numa rima em homenagem a suas mães terminava em “O Fluminense é a vergonha do Brasil”.

Mas uma ou duas temporadas depois o clube mostrou a todos a injustiça da rima e tomou uma atitude digna da sua grandeza. Pintou com orgulho em sua sede a conquista da Série C no inesquecível 1999 tricolor.

O Flamengo, por sua vez, pagou mico por mais de 25 anos, crendo ser, em desacordo com a Justiça Brasileira, o Campeão Brasileiro de 1987, título conquistado pelo Sport em ano no qual o Flamengo correu. Meses depois, o rubro-negro do Rio (não falo do Itaperuna) percebeu que correr teria sido também um bom caminho no Estadual, afinal caiu de quatro na competição e teve Cocada como sobremesa. Passados mais nove anos, correu do Vasco (no Estadual de 1997) e no ano seguinte sebo nas canelas novamente. Rubro-marrom nas duas oportunidades, o time sem campo é useiro e vezeiro em colecionar vergonhas.

Já foi o Fla lanterna de um estadual,  protagonista de escândalos e indecências, desde as papeletas amarelas até o caso Lusa em 2013, desrespeita a tudo e a todos (normas vigentes, decisão judicial), além de comer carniça e arrotar caviar.

O desserviço feito ao futebol do Rio, com a associação junto a estados sem 30% do prestígio obtido pelos clubes principais do nosso, pondo-se abaixo de São Paulo, num movimento entreguista que faria inveja ao MUV amarelo (por sinal aliado da dupla!!!), tinha por objetivo que Fla e Flu, terceiro e quarto colocados do estadual 2015, no qual apanharam de Vasco e Botafogo, simplesmente tivessem garantidas vagas para a competição pirata arrumada junto a Delfim e cia.

Ora, competição pirata é com o rubro-negro mesmo, que critica Eurico Miranda há décadas por ter dado caráter oficial ao Campeonato Brasileiro de 1987, quando propôs na CBF o cruzamento de módulos, tirando onda com os otários após a classificação de Inter e Fla para o quadrangular, mostrando-se 1000% ao lado da dupla para que não jogassem o cruzamento proposto por ele próprio.

Já o papai do Flamengo virou um clube pronto a se posicionar à reboque do filho, tal qual um cão amestrado esperando um osso rubro-negro atirado da carniça que comem.  A subserviência tricolor enrubesceria Nelson Rodrigues.

Mas, deixemos para lá. O relacionamento íntimo deles pertence somente a eles. Não metamos a colher.

O fato é que arbitral recente da FFERJ definiu estarem aptos para disputar a Liga Sul-Minas 2017 (competição oficial, caso se adeque ao calendário brasileiro) os clubes campeões e vice campeões do estado em 2016. Repetido o enredo do ano passado os classificados seriam Vasco e Botafogo. A dupla arco-íris ficaria, no caso, de fora.

O calvário começou com dois grandes fiascos protagonizados pela dupla. Enquanto o Voltaço fez gato e sapato do pobre Fluminense, Leandrão lembrou ao Flamengo o peso de ter um atacante vascaíno contra si (vide Riascos, Gilberto e Rafael Silva no ano passado).

Soube-se que no fim da peleja em Volta Redonda um torcedor do clube anfitrião falava em tom pouco efusivo: cumprimos a meta. Temos que vencer todos os pequenos em casa.

E o Campeão Estadual estreou com goleada. Nenê, o craque da galera, foi o melhor do time. Se a atuação do time cruzmaltino não foi tudo o que se esperava, o resultado sim.

Público em festa, o maior da rodada, diante de uma tarde ensolarada, a volta ainda tímida mas já perceptiva de ocupação do espaço destinado à Força Jovem, estreia do Pikachu – pretendido pelo Flamengo, mas trazido pelo Vasco – dois gols de Riascos, vitória na preliminar, e a liderança do estadual 2016, o mais sensacional dos últimos 100 anos, simplesmente porque a torcida do Vasco quer que assim o seja. E torcida campeã já começa o ano com razão.

Sérgio Frias

Ao Pesquisador

<strong>Alex do Carmo disse (Sobre o texto “Resposta ao freguês”):</strong>

Mas q texto BIZARRO!!!

Digno de risadas e mais risadas.

Antes de defecarem pelo teclado, estudem a HISTÓRIA DO CKUBE PIONEIRO NO FUTEBOL.

Sem o FLU vcs estrariam remando até hoje!

Tuvemos negros em nossos times desde o início de nossa historia. O tal jogador q passa va pó de arroz, o fazia desde o América e quando se transferiu foi alvo da torcida americana q o chamou de pó de arroz.

Tá Flu o acolheu e ainda o tornou nosso simbolo.

Vcs sim, na maracutaia, quando o futebol era ainda amador, pagavam os jogadores por fora, forçando o Flu, como sempre ao pioneirismo de introduzir o profissionalismo ao Futebol.

-nquanto vcs não tinham estádio, emprestamos o nosso diversas vezes, inclusive se não o fizéssemos vcs nao poderiam participar dos Campeonatos.

Antes de falarem merda pesquisem. Clube q tem Eulixo Pilantra de Presidente devia ter vergonha.

VCS SÃO LIXO!!!
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Como é, luminar?

Sem o Fluminense?

Conheça a história você.

O Vasco, em 1923, poderia mandar seus jogos para a Rua Ferrer (campo do Bangu), em Figueira de Melo, para qualquer lugar em que foram realizadas partidas no campeonato. Até mesmo para seu próprio campo alugado na Rua Moraes e Silva, caso fosse desejo do clube. Ou você acha que o campo da Rua Barão de São Francisco Filho, do Andarahy, cabia muita gente?

Havia interesse de todos pelo aluguel do campo do Fluminense. Do tricolor, que cobrou e cobrou bem pelo que você ingenuamente chamou de “empréstimo”, para a FMDT, que detinha parte das rendas, e para a torcida do Vasco, que já lotava qualquer campo no qual o Vasco jogasse. Como o clube era popular e não racista e ainda incorporava muitos lusitanos e descendentes radicados no Rio de Janeiro, era algo óbvio o número de torcedores que o Vasco carregava para acompanhar seus jogos.

Mas, Zé, o tricolor ganhou muito nesses aluguéis, diferentemente do que o Vasco fez cerca de 80 anos depois com o teu clube. Emprestou, aí sim, de graça São Januário. E vocês conquistaram no nosso campo um brilhante vice-campeonato, diante do bravo Paulista de Jundiaí, do craque Marcio Mossoró.

Continuando: o Fluminense foi o primeiro a introduzir no futebol a concentração. Desconfia-se que fosse possível pagar ou dar benesses a seus atletas, mas não gostavam de uma mistura de cores em tais concentrações. É bem simples de se entender isso.

Prosseguindo:

Não há como o Fluminense explicar, em 1.000 anos de história, porque permitiu o besuntar de pó de arroz do seu associado. Como não há como o América fazer o mesmo. Como não há como ambos justificarem o porquê de diante do quadro social de seus clubes não terem repudiado o preconceito do adversário, afinal a coloração pó de arroz era um ato de defesa diante de um preconceito sofrido e o referido atleta foi sócio do América e posteriormente do Fluminense. Os associados tricolores e americanos, como rubro-negros, botafoguenses e afins tinham o preconceito na pele, eram geridos por dirigentes que o tinham da mesma forma, vide regulamentos esdrúxulos para aceitação de atletas que pudessem jogar futebol na elite carioca. Uma vergonha para a historia do futebol brasileiro.

Realmente uma grande demonstração de que o Fluminense não tinha nenhum preconceito de ordem social e racial, pode ser comprovado nas fotos dos times tricolores entre 1906 e 1919. Havia muitos negros, não é mesmo?

Sei que hoje vocês carregam a vergonha de torcer por um clube racista na origem, mas isso foi plantado pelos seus ídolos dos anos 10, 20, etc… do século passado. Houve alguns ganhos, como os terrenos dos Guinle, mas o prejuízo histórico é irreparável.

Agora vamos falar de pesquisa. Falta aos pesquisadores tricolores explicarem como era remunerado o treinador J. A. Quincy Taylor.

Falta aos pesquisadores tricolores decifrarem quanto os atletas do Fluminense, nos anos 10, pagavam pelas massagens, refeições e dormitórios dentro do clube. Uma dica: alguns pesquisadores tiveram acesso a números que comprovam um curioso gasto do Fluminense com essas coisas “amadoras”. Há atletas conhecidos na época como “borboletas” do futebol. Quantos passaram pelos clubes da zona sul como borboletas de estação? Pesquise. Lembre-se: estamos falando dos anos 10 do século passado ainda.

E a repentina mudança de paixão de associados/atletas de seus clubes para outros. Imagine você: o cara era sócio de um clube e simplesmente decidia jogar por outro, associando-se àquele. Claro que houve situações pessoais mesmo, como a de Marcos Carneiro de Mendonça, mas não vamos imaginar que eram apenas motivações sentimentais. Ou eram, Poliana?

Em 1918 o Botafogo trouxe dois uruguaios para seu clube (Monti e Behegaray), que supostamente, dentro de seu brilhante raciocínio, caíram de amores pelo alvinegro, resolvendo mudar de cidade, país, tornando-se sócios do alvinegro desde então e atuando no clube. Haja amor!

E a história dos paulistas Friedenreich (Paulistano), Amilcar e Neco (Corínthians)? Você conhece?

Eles receberam ou não para participar do Sul-americano de 1919? Devolveram o que receberam? Procure pesquisar…

E a “importação” rubro-negra de cinco atletas em 1919? Junqueira, Campeão pelo Paulistano em 1918, Mesquita , com passagem pela mesma agremiação, Kuntz, Candiota e Sisson, oriundos do… Rio Grande do Sul. Foi amor ao Flamengo?

E sobre a Lei do Estágio, que caiu em 1920 e antes obrigava a que o atleta ficasse um ano sem atuar antes de poder jogar em outra agremiação? Como se resolveu a questão? Vá pesquisar…

Curiosamente, o atleta que marcou o gol da vitória do Vasco contra seu freguês de caderno na primeira partida entre ambos no ano de 1923 foi Arlindo Pacheco, ex-América e Botafogo. Outra “borboleta” do futebol. Mas como? Afinal só o Vasco buscava o profissionalismo não é mesmo? Fla, Flu, Bota e América eram amadores…

A verdade clara e que esbofeteia toda a torcida tricolor é a seguinte: não importava se o cara era “borboleta”, não importava se se “importava” atleta do Sul ou do Uruguai para jogar no seu clube, não importava se um jogador havia atuado em dois, três, quatro clubes diferentes na carreira. O que importava era se estava dentro dos cínicos padrões dos preconceituosos dirigentes da época. E os do Vasco não estavam. Porque eram pobres, eram negros, eram analfabetos e não podiam suplantar com a bola nos pés aquela elite empertigada e pronta a ser vencedora no dia a dia, sabendo que os negros, analfabetos e pobres seriam perdedores natos. Uma partida de futebol não poderia mostrar algo diferente disso, por mais que fosse sabido o brotar de craques nas chamadas “Ligas Suburbanas”. Não podia haver mistura.

Enquanto o Vasco teve um presidente mulato no ano de 1904 e brigou para que seus remadores não fossem afastados das regatas por serem reles empregados do comércio em 1907, o aristocrático Fluminense deixava seu atleta tacar pó de arroz na cara para parecer branco, após hostilizá-lo quando este atuava no ex-clube, exatamente em função da cor de sua pele.

Vá ler um pouco mais sobre a história. Não há como passar pó de arroz nem de giz sobre ela para distorcê-la.

Só para completar: o Fluminense se obrigou a tudo depois do surgimento do Vasco, mas, principalmente, foi obrigado a ver o Vasco olhando para cima, pois está muito abaixo de nós. E não é pelo fato de estar na Zona Sul e nós na Norte. Embora seja fato que na Zona Norte se encontra o maior estádio particular do Rio de Janeiro, desde 1927.

Como tudo foi devidamente respondido e o texto demonstra sua evidente ignorância/arrogância, deduzimos que o lixo em questão cabe ao desbocado e que defecar pelos dedos é prática sua e dos tricolores que evacuam na história para tentar abrandar a prática racista originária do clube para o qual resolveram torcer.

Sérgio Frias

Preguinho

Soube que houve um prego tricolor, prego no nome, que tentou fazer passar por aqui sua mensagem preconceituosa, vislumbrando através de sua inocente arrogância um processo em favor do tricolor.

Processo, o tricolor, lato sensu, teria muitos a responder. Se não fosse uma elite preconceituosa e racista a dominar os anos 20, sem dúvida. Mas moralmente o “crime” tricolor (tipificado ou não na época pouco importa) é imprescritível. O preconceito social e racial do Fluminense é histórico. Uma mancha institucional inapagável.

Não, não foi um árbitro ou vários que fizeram o Fluminense ser racista. Foi o livre arbítrio tricolor.

Ora, como seus dirigentes permitiram a que um atleta, associado do clube, se enchesse de pó de arroz para disfarçar a cor da pele? Nada fizeram? Nem uma nota de repúdio? De forma alguma. O pó de arroz ou de giz varou o século tricolor. Uma bela tentativa marqueteira para transformar em algo lúdico, algo vergonhoso.

A aristocracia tricolor chegou a ser de terceira no final do século passado e com orgulho fez menção à conquista como se fora um Campeonato Brasileiro. Clubes de seu nível fizeram o mesmo. O Olaria, por exemplo, tão campeão da Série C como o Fluminense.

A champagne estourada em 1997 era de segunda, mas a atitude tricolor em campo no mesmo ano foi de quinta e não fosse a competição nacional mais importante do calendário ter sido organizada pelos clubes em 2000, não se sabe quando o Fluminense voltaria à primeira divisão, pois o ABC da B não fora cumprido dois anos antes.

Afirmar que o Fluminense não merece crédito quando fala do Vasco, seja lá quem vier a falar de Vasco na qualidade de torcedor do Fluminense, é chover no molhado, afinal o clube das Laranjeiras deve ao Vasco… e muito! Uma dívida que não terá como pagar, nem mesmo pondo os vitrais no “prego”. Não, não falo aqui do pulo de letras do alfabeto nas divisões do futebol, mas sim a dívida que ele Fluminense e a elite racista da época, constituída também por seu filho bastardo no futebol, Flamengo, e outros tão preconceituosos como, tem para com o Vasco: o Vasco lhes ensinou que negros e brancos poderiam jogar no mesmo nível, que médicos ou “chafeurs” dentro de campo poderiam apresentar o mesmo futebol e o que lhes faria diferente não seria a conta bancária ou a cor da pele, mas sim o talento e aptidão para jogar futebol.

Com isso o Fluminense pôde ter Didi, Waldo, Escurinho, Denilson, Marco Antônio, Paulo César Lima, Claudio Adão, Washington, Marcão, entre outros, pelo restante do século passado. Em cada conquista tricolor com negros no time se dá um tapa com luva de pelica no clube, pelo antigo preconceito, e naqueles responsáveis pelo orgulho, em tempos idos, daquele preconceito. Não foram refutados pela história tricolor os senhores de tais preconceitos, muito pelo contrário. E como o Fluminense não tem como esconder o preconceito que lhe mancha o histórico, procura tratar o assunto como menor, ou como conto.

Mas como freguês de caderno terá nosso perdão na esfera esportiva, afinal pagam a conta em dia há décadas, pelo menos no campo de jogo, com derrotas e mais derrotas. Uma doce rotina.

Sérgio Frias