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O fio da meada

Passou despercebido por muitos o ocorrido em relação às verbas da CEF, referentes ao final de 2017, que servirão agora para pagar salários vencidos.

Na prática, valor de patrocínio obtido na gestão de Eurico Miranda, que não teve a verba recebida para pagar os salários do fim de 2017, porque travadas em função de não possuir as certidões positivas com efeito de negativas, após 30/09/2017, possibilitará, agora, que os salários atrasados mais recentes sejam pagos.

Observe-se que o valor a ser pago está atrelado ao pagamento do débito atual e não do valor concernente ao débito antigo, de 2017 (dezembro e décimo terceiro), que, esperamos já tenha sido sanado, pois muitos funcionários já não estão mais no clube e acionaram o Vasco na Justiça pelo não recebimento.

O que restou (após 300 demissões e a rotatividade normal de atletas e membros remunerados do futebol e outros esportes do clube) diminui em muito o valor a ser pago.
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2001/2002

Uma recapitulação rápida, que é a expressão da verdade e incomoda a muitos, principalmente aos que massificam distorções, é necessária ser feita.

A CPI do futebol, em 2001, com seus inúmeros relatórios, entendeu que o valor da dívida do clube girava, naquele início de ano, em torno de 150 milhões de reais. Note-se aí que era uma conta baseada em documentos obtidos e não necessariamente consideradas reservas de contingência, entre outros fatores.

De fato, em janeiro de 2001, o Vasco contava vários meses de salários atrasados e sofria com o calote dado pelo banco parceiro, que devia (e não pagou), durante a administração do presidente à época e no início da que se aproximava, 12 milhões de dólares.

Além disso, o clube trabalhava com recebíveis, assim como os demais grandes faziam, independentemente do valor recebido pelo parceiro, e iniciava o ano de 2001 com 18 meses de cotas de TV adiantadas.

A competitividade do mercado fazia com que todos os clubes grandes se adequassem à realidade da época e assim todos eles procediam.

O clube vivia em meio à uma ameaça de vir a perder o título brasileiro para o São Caetano na canetada, o que só não foi possível pela ação de Eurico Miranda, considerado presidente do clube para uns neste episódio ou presidente em outros episódios (queda do alambrado, camisa posta do SBT na partida final, vencida em “ritmo de festa”) para outros.

No início de 2001 a mudança da lei do passe, modificando completamente o cenário, atrapalharia a vida do Vasco e de outros grandes clubes, com grandes jogadores, pois todos estariam livres ao fim de seus contratos.

O torniquete financeiro aplicado contra o Vasco pela Rede Globo – a mesma que não pôs no fim de 2019 entre os fatos relevantes do ano o incêndio no Ninho do Urubu (diferentemente da forma como procedeu em relação à queda do alambrado de São Januário, que não matou ninguém) e após não acertar com o Flamengo valores para transmissão dos jogos do clube, começa a elaborar e divulgar matérias com as famílias das vítimas, após silêncio constrangedor durante um ano quase, em meio às atitudes das mais desarrazoadas dos dirigentes rubro-negros ao longo de 2019, consideradas pela opinião pública gélidas e pragmáticas, mas sustentadas pela forma como a própria Rede Globo tratou o episódio, desde o dia que aconteceu e no decorrer do ano, informando, mas não crítica voraz do ocorrido, com a exceção de Paulo César Caju, colunista de “O Globo”, curiosamente demitido no início do ano vigente pelo rubro-negro que desfilou com a camisa do Flamengo pela redação do jornal, numa atitude que fala por si só – levou o clube a não poder mais receber adiantamento das cotas de TV por 18 meses.

Após o prazo, o Vasco retomou as relações comerciais com a emissora, questionando inicialmente o não pagamento por parte dela da verba inerente à Copa dos Campeões do Brasil de 2002, trazendo à empresa o desejo de voltar a conversar com o clube, tornando o acordo firmado no final daquele ano possível e feito.

Vamos esquecer a falta de mobilização dos vascaínos à época em defesa da instituição e a junção de uma grande parcela ao que dizia a Rede Globo e outras mídias massacrando o clube, alicerçados pelo movimento de oposição, chamado MUV. Mas não vamos esquecer que o Casaca!, existente desde 26/03/2000, se opôs de forma clara ao massacre, desde o princípio, por entender que a defesa do clube era precípua, fundamental, naquela situação.
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2003

No ano de 2003 o Vasco foi Campeão Estadual, chegou a trazer Edmundo, houve eleições, Eurico Miranda foi reeleito, mas a realidade vista em todos os clubes grandes do Brasil era de trabalho no vermelho e aumento das dívidas.
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2004/junho de 2008
A partir de 2004, o gestor à época, Eurico Miranda, por iniciativa própria, resolveu partir para um equacionamento financeiro do clube, algo tornado prioritário.

Era uma escolha difícil, mas o que era mais correto? Deixar a dívida aumentar e viver correndo de penhoras, esperar tudo explodir? Ou frear investimentos, manter a base forte, investir numa ou duas referências e manter o Vasco disputando, ainda com chances de conquistas (venceu uma Taça Rio e chegou à final do Campeonato Carioca {2004}, à final e semifinal da Copa do Brasil {2006 e 2008} naquele período e, ainda, não figurou em nenhuma rodada no returno de quaisquer campeonatos brasileiros dos pontos corridos na zona de rebaixamento, além de ter frequentado a zona da Libertadores em 29 rodadas {9 rodadas em 2006, 19 em 2007 e uma em 2008}, fora o fato de que não frequentava o Z4, até a troca de gestão, ocorrida em 01/07/2008, há 108 rodadas, além de jamais ter caído de divisão em sua história)?

O equacionamento das dívidas do clube não foi para inglês ver. O Vasco pensou em fazer e fez aquilo que nove anos depois (com um derramamento de dinheiro na Gávea), o Flamengo executou.

O clube diminuiu sua folha salarial, fez acordos e os cumpriu (só o de Romário foram 47 parcelas pagas), entrou no Ato Trabalhista, evitando penhoras, obteve certidões em 2005, enquanto Flamengo e Botafogo iam à imprensa chorar que seus clubes (sem certidões, evidentemente e entupidos de problemas fiscais) estavam à beira da falência e diziam que só a Timemania os salvaria.

O Vasco inaugurou e absorveu os custos do Colégio Vasco da Gama, desde 2004, fez amplas reformas em São Januário, manteve uma capacidade de público pagante de 24.500 pessoas, fora gratuidade, conseguiu em 2007 um novo Ato Trabalhista, em melhores condições do que o anterior, homologado em 17 de dezembro daquele ano (seria ratificado nas mesmas condições pela gestão seguinte em agosto de 2008), manteve durante mais de quatro anos salários em dia (compromisso de pagamento no dia 20 do mês subsequente), com alguns poucos atrasos ao longo do período, não tinha títulos protestados, fez acordo com o dono do Vasco Barra para se manter como locatário do local (e cumpria o acordo, discutindo na Justiça uma questão inerente ao IPTU e seu aumento brutal durante o período de locação), investiu na sua base, possuía esportes olímpicos e paraolímpicos, pagava suas contas e tinha um custo mensal, entre despesas fixas e variáveis na ordem de 3,5 milhões de reais mensais.
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Jun/Jul – 2008

Quando houve a troca de gestão, as falácias do MUV se tornaram verdade, pois já vinham expostas dessa maneira pela própria imprensa, e isso cegava (pela massificação) os vascaínos.

A dívida deixada na ordem de 220 milhões de reais, com 3,8 milhões de euros para entrar em três parcelas, em favor da gestão que chegava, joias da base surgindo no time profissional, cerca de nove meses de receita adiantada da TV, já absorvida e sem que o Vasco tivesse que passar pela Rede Globo para obter mais adiantamentos, com o Clube dos Treze, responsável por negociar coletivamente com a emissora detentora dos direitos e distribuir as verbas, mantendo-se o Vasco no grupo que mais recebia cotas em nível nacional (junto a Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo) e estadual, referente à Campeonatos Cariocas (junto ao Flamengo), em todas as plataformas e com um contrato assinado até 2011.
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Jul 2008/DEZ 2014

O MUV ficou seis anos e cinco meses no Vasco e nesse período primeiramente aumentou na caneta, baseado em reservas de contingências (fundamentalmente) a dívida do Vasco para mais de 350 milhões de reais, claro que diferentemente do procedimento do que todos os outros grandes faziam e, pasmem, anunciou, através de um de seus próceres, que, em 2012, a dívida havia diminuído para 250 milhões de reais. No balanço seguinte, apresentado pelo próprio MUV, após algumas trocas de cadeira na direção, o balanço do mesmo ano marcou 410 milhões de reais de dívida e dois anos depois constatou-se ter chegado a 688 milhões.

Todo o tipo de irresponsabilidade se viu naquele período, desde rebaixamento das cotas de TV, até carro pipa se negando a fornecer água porque o clube não tinha mais crédito.

Os acordos que eram pagos pela gestão anterior, passaram a ser descumpridos aos borbotões pelos novos administradores, de uma questão fiscal controlada o clube ficou encalacrado, com verbas retidas, também pelo não cumprimento de acordos pretéritos, primordialmente, e caiu outra vez para a segunda divisão, sem qualquer perspectiva, a ponto de no ano seguinte ter disputado a Série B sem liderá-la em rodada alguma e com Eurico Miranda, o possível sucessor, obtendo empréstimos junto à FERJ (fez isso duas vezes), para que ao menos a gestão MUV pagasse salários (na grande maioria do tempo atrasados), impedindo a debandada de atletas em meio à competição.
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DEZ 2014/JAN 2018

O Vasco foi recebido em 2014 com salários atrasados, direitos de imagem idem, centenas de títulos protestados, sem crédito junto às empresas que forneciam os serviços mais comezinhos, com várias ações de cobrança na FIFA, dívida com entidades esportivas (FERJ e CBF) superiores a 20 milhões de reais, sem certidões, com as verbas de TV de 2015 e 2016 de praticamente zero (já postado o Vasco no quinto lugar nas cotas), com 30 toneladas de lixo a céu aberto em sua sede principal, há 11 anos sem ganhar um título Estadual, com 3 vitórias em 22 jogos dos tempos do MUV diante do Flamengo, freguês do Botafogo no mesmo período, perdendo todas as decisões de taça disputadas contra equipes cariocas ao longo daquele tempo, valendo-se de uma Copa do Brasil conquistada, na qual não enfrentou uma única equipe grande do futebol brasileiro, para não sair zerado em termos de títulos, com uma divisão de base alocada em Itaguaí, nas condições mais precárias, ginásio abandonado, parque aquático fechado, e pousada do almirante (para a base), resumida a praticamente nada, fora a estrutura edificada.

Houve recuperação patrimonial inquestionável, houve melhora esportiva inquestionável (títulos, títulos invictos, vaga para a Libertadores, campeão Sub 20, Sub 17), novas revelações, maior venda de um atleta no século, 11,5 milhões anuais em média de patrocínios, patrocínio de manga num dos anos por 7 milhões de reais, certidões com 25 dias de gestão, mantidas por 2 anos e 9 meses, verbas da CBC, fruto disso, volta de outros esportes, aumento da capacidade de São Januário, senhor absoluto dos clássicos estaduais, voltando a realizá-los em São Januário após uma década, baseado isso em várias obras feitas, também, no estádio, criação do CAPRRES, CAPRRES da base, CAPRRES olímpico, campo anexo, salários sendo pagos regularmente, com a exceção dos meses finais de gestão, mas uma preocupação fundamental e é aí que muito do ocorrido atualmente se explica:

A gestão de Eurico Miranda viu o clube como estava e se preocupou em pagar o que ficara para trás primeiro (salários, direitos de imagem, por exemplo) e ao invés de choramingar buscou novamente crédito, iniciou novo processo de acordos, usou do princípio da continuidade administrativa para gerir. Deu, portanto, exemplo. Não havia um Paulinho ou Talles Magno para negociar, não havia crédito, não havia certidões, não havia time, não havia perspectiva e passou a haver isso tudo.
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JAN 2018/FEV 2020

Teoria e prática 1

Antes de a chapa amarela rachar, o candidato que seria derrotado no Conselho Deliberativo disse, entendendo-se já presidente do Vasco, que aquele grupo não tinha nada, a não ser uma expectativa que o clube obtivesse 250.000 novos sócios, tal qual o Benfica e que seria feito um trabalho para isso. Esse é o primeiro problema. Assim como o MUV fizera antes de entrar em 2008, prometendo filas de investidores, muito dinheiro entrando, também fora essa a proposta do grupo que se autointitulava amarelo na indumentária.

Mas, com o racha da chapa, surgiu a alternativa de Alexandre Campello como opção. Consideremos que se um não tinha nada, o outro idem, afora ideias.

Logo, Campello assume o clube e tem em uma semana de gestão, 10 dias, um empréstimo de 11 milhões de reais, que fora costurado pelo gestor anterior junto a um empresário, em benefício do gestor que chegava e que seria facilmente abatido de um grande valor a ser recebido menos de 90 dias depois, referente ao garoto Paulinho. Com isso foi pago o salário de novembro do ano de 2017.

Em meados de abril a venda de Paulinho traz líquido para o Vasco, descontando o empréstimo, 45 milhões de reais.

O que faz a gestão? Não paga o que faltava em termos de salários e gratificação aos funcionários do clube, ignora execuções, não cumpre acordos (enquanto demitia já mais de 200 funcionários) e mantém o dinheiro parado num banco para pagar os meses seguintes, enquanto nada capta praticamente.

Para completar, apresenta um balanço (que insistiu em fazer), no qual não tem como desmentir a queda da dívida do Vasco, mas é usado como choramingo, porque o valor de débito (dito como premente) deixado era maior do que o referente à venda do Paulinho, sabendo-se perfeitamente que o fundamento era pagar acordos, salários, direitos de imagem daquele final de gestão, porque já se sabia que os impostos para trás não iriam ser pagos e outros valores postos como débitos eram negociáveis (uns mais outros menos, mas eram).

Ou seja, o administrador atual, agiu exatamente como o MUV fizera. Terá a desculpa que não pegou tudo em dia como o MUV pegou, mas também teve a vantagem de uma entrada de capital considerável com pouco tempo de gestão e mais de 100 milhões recebidos ao longo de 2018 (o hoje na moda chamado de “dinheiro novo”), fruto daquilo que fora pavimentaodo pela gestão antecessora, sendo 38 milhões via uma ação judicial deixada de bandeja para trazer ao Vasco (em outubro de 2018) verba relevante e fazer com que o clube obtivesse certidões, o que não ocorreu por um insucesso do próprio clube quanto ao destino da verba.

E de lá para cá?

Empréstimos conseguidos e “pendurados” no clube, 18 meses com salários atrasados, 10 meses sem pagar o Profut, descumprimento de inúmeros acordos, mais de 100 execuções em função das demissões ocorridas no decorrer da gestão e, claro, valores que ficou devendo o Vasco, a maioria referente ao ano de 2017, sendo grande parte disso nos últimos meses de gestão.
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JAN 2018/FEV 2020

Teoria e prática 2

Mas e o administrador anterior? O que fez? Ele assumiu o clube em 2001 com todos os problemas inerentes ao alto custo mensal absorvido pelo Vasco no final do século XX e vários contratos que se venceriam entre 2001 e 2002, assinados (a esmagadora maioria) até 2000 e se virou para gerir, dentro de numa nova realidade, na qual estava inserida a Lei Pelé, calote continuado do parceiro principal e torniquete financeiro global por 18 meses.

Teve ele uma visão mais ampla dos problemas que todos os clubes passariam a viver no final da década e foi equacionando o clube, procurando manter o Vasco no primeiro plano da principal receita entre os clubes, investindo mais na base e cumprindo compromissos, mantendo crédito.

Mas, poderiam questionar que ele fazia parte da administração anterior e que era natural a continuidade administrativa.

E em 2014? Após seis anos e cinco meses de ferrenhos adversários no poder? Por que tomou a mesma iniciativa? Por que fez prevalecer o princípio da continuidade administrativa, mesmo tendo recebido o clube sem qualquer perspectiva?

Se ele fez isso, todos os que se dizem de boa fé tem de seguir os passos dele. E tem de seguir os passos dele porque os outros exemplos são péssimos, são a antítese de um princípio caro ao Vasco, que pode afundar o clube em problemas financeiros maiores, políticos, administrativos, de credibilidade e, por conseguinte, institucionais.
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JAN 2018/FEV 2020

Teoria e prática 3

O balanço assinado por Alexandre Campello em abril de 2018, rechaçado pelo Conselho Deliberativo, foi, em novembro de 2018, posto para a apreciação daquele poder, como opção a outro, apresentado por Eurico Miranda e sua equipe de trabalho do triênio 2015/2017.

Na reunião foi aprovada a prestação de contas/balanço de Eurico Miranda e dito para que fosse considerasse como norte, a partir dali.

O que fizeram os responsáveis pelo balanço de 2018? Simplesmente ignoraram decisão do Conselho Deliberativo e iniciaram os números do balanço de 2018, ignorando, também, tais retificações necessárias.

Qual era o caminho natural do Conselho Deliberativo? Reprovar.

Qual era o caminho natural da situação a ser percorrido antes? Não insistir no erro.

O resultado disso, considerando ainda relatório da BDO, com vários pontos obscuros, parecer em maioria do Conselho Fiscal queixando-se das mais diversas negações de apresentação de documentos, entre outros erros técnicos (exemplo, o superávit apresentado) levaram à reprovação.

Na atual gestão, outras deliberações do Conselho Deliberativo não estão sendo respeitadas (vide falta de cumprimento de ofícios e falta de documentos requisitados pelo Conselho Fiscal), mas se não houver freio o clube desce na banguela e cada vez a situação institucional fica mais difícil.

Conclusão:

A lição que fica a qualquer gestor futuro (e foi dada, na prática, em dois momentos distintos de gestão, por Eurico Miranda) é que o princípio da continuidade administrativa deve ser respeitado e as decisões do Conselho Deliberativo idem.

Se o gestor tem o mérito (que o tempo e experiência no clube dão) de conseguir exercer um poder de coesão interna entre os poderes, como Cyro Aranha conseguiu, Eurico Miranda conseguiu e outros ex presidentes conseguiram, isto se dá quando se adquire confiança em quem gere.

Não é só de fora para dentro, com discurso, que se consegue isso e sim com perfil agregador enxergado de dentro, a partir de serviços prestados ao clube e respeito à institucionalidade, seus poderes e seu homens, na teoria e na prática.

Sérgio Frias

O desprezo dos visionários

O Vasco desprezou a Taça GB como se tivesse ganho umas oito vezes nas dez últimas.

Ocorre que das dez ultimas ganhou apenas duas e buscava pela terceira vez na história um Bicampeonato nela.

Mas se nada disso é relevante para muitos, neste ano o erguimento da Taça GB leva o clube, no mínimo, à final da competição, garante dinheiro pela própria conquista e, ainda, com o segundo lugar já seguro, pode-se faturar com algum patrocínio pontual nos dois jogos finais, bilheteira, tudo isso sacramentado com a conquista do turno.

Além disso tudo, a conquista põe o clube com 50% de chances de conquistar seu vigésimo quinto título Estadual na história.

Para um clube que pretende vender atletas de sua base no primeiro semestre para sanear contas, a presença deles em finais, conquistando taças, títulos, lhes dá moral e força visando chamar a atenção do mercado.

Para o clube, este desfruta de um ótimo retorno de mídia, traz-se alegria aos torcedores, que, por certo, vibram mais com um título de campeão do que com um nono lugar no Campeonato Brasileiro (cremos).

Não é demais lembrar que há inúmeras crianças vascaínas em nossa torcida e que infelizmente elas ainda não chegaram ao grau de intelectualidade dos torcedores mais velhos, os quais imaginam ganhar um campeonato, levantar uma taça, poder sacanear o rival, contar mais um título para a galeria e expor mais um troféu na nossa sala em São Januário, ser muito menos relevante do que passar pelas fases iniciais da Copa Sul-americana contra bolivianos, venezuelanos, ou outros de segunda linha em seus respectivos países.

Quando as crianças vascaínas crescerem vão entender que o nono lugar no Brasileiro compensa isso tudo, ou ser eliminado nas quartas da Copa do Brasil (motivo de aplausos pelo que se diz ser a nova meta do Vasco) idem.

Talvez, em se expondo mais isso, alguém, supostamente gerindo, entenda que tem importância a Taça GB, Taça Rio, Estadual, enfim, taças, títulos.

Sérgio Frias

Tragicômico

Os que estão se posicionando contra a reforma do estatuto atual agem de forma, no mínimo, retrógrada e nós do Casaca! estamos muito à vontade a respeito disso, pois fomos a favor dela desde o princípio deste mandato quando ela se reuniu pela primeira vez, como já éramos antes e fomos a favor de todas as alterações estatutárias feitas em Conselho Deliberativo nessa gestão.

Os críticos de outros grupos, seis, sete, nove, mandaram emendas das mais variadas (10 anos para alguém presidir o clube, 3 anos para votar, fechando mais ainda o quadro eleitoral), achando que numa lógica de reforma o grande obstáculo seria a aprovação de eleições diretas.

A lição dada a esses seis, sete, nove grupos, que levam, juntos, ao Conselho Deliberativo dezenas de votos, foi dada pelo todo do próprio Conselho Deliberativo, o qual aprovou por unanimidade as eleições diretas, mas, claro, sabendo que tal mudança deveria acolher medidas preventivas em defesa do Vasco, como, por exemplo, fazer com que candidatos à direção do clube tenham, ao menos um mandato de Conselho Deliberativo para poderem vir a geri-lo e isso valendo não para agora, mas sim apenas em 2023.

Houve uma reunião no Conselho Deliberativo há cerca de um mês, com vários grupos falando que eram favoráveis a 80% do estatuto ou mais, todos favoráveis à reforma como um todo, com alguns ajustes a serem feitos apenas.

Diferentemente da maioria, o Casaca! fez uma reunião aberta anterior, da qual participaram pessoas do grupo e fora do grupo para tecerem e ouvirem de nós as críticas inerentes ao que não estava de acordo com o sentido popular do Vasco, entre outros aspectos.

Fomos, por princípio, contrários à extinção do sócio geral, ao prazo de três anos para dar direito a voto (o que fecha aos poucos o quadro social) e entendemos como uma possibilidade de flexibilização do tempo para elegível, que passou, no último texto, oito para sete anos.

Também nos preocupamos com a facilitação para a migração de sócio geral para proprietário ser aplicada na prática, fomos contra medidas que poriam o sócio à mercê da administração, podendo serem eles eventualmente punidos por “atentar contra a boa imagem do clube”, tal era a subjetividade disso. Isso, também, foi retirado do texto final.

Surgiu emenda de última hora, de um desses seis, sete, nove, dezoito grupos dizendo que os sócios não poderiam ser punidos por atitudes racistas fora do clube!!! Até isso. E estamos falando de Vasco!

Claro que essa emenda deve ter vindo sem que as pessoas tivessem dimensão do que estavam propondo emendar, mas é uma forma de se perceber a falta de cuidado, de medição das consequências.

Também entendemos que a atitude tomada pelos seis, sete, nove grupos é de total desrespeito ao trabalho de quase uma dezena de homens, de várias correntes políticas no clube, que se esmeraram em fazer com que a reforma saísse e contemplasse tudo que fosse possível, com discussões sobre o tema e inúmeras reuniões.

Não abrimos mão de todas as responsabilidades cabidas aos gestores, bem como dos itens relativos à aprovação das contas, a fim de que isso não proporcione segunda época a quem preside, como aconteceu nos tempos do MUV, quando se buscava politicamente a aprovação das contas, não se conseguia e aí elas eram reformadas (para inglês ver).

Tivemos como resultado disso uma declaração de um dos vice-presidentes do clube à época dizendo que o Vasco devia 250 milhões de reais em janeiro de 2012, quando se viu no ano seguinte que o valor era mais que o dobro e em 2014 chegou a quase o triplo daquele numerário supostamente real dito anos antes.

Mas isso não foi discurso para a internet, ou conversa fiada não posta em prática. Nós registramos nossas discordâncias em ata com emendas no próprio dia marcado para a votação. Todas elas tinham, como tem, o condão de não elitizar o clube.

Contra o fim da categoria sócio geral – que naquele plenário já foi posto no ano passado por gente da situação (deve ser parte de um desses seis, sete, nove dezoito grupos que são contra a reforma do estatuto) como o antigo sócio torcedor dos anos 70, o que é um absurdo, pois uma coisa nada tem a ver com a outra e o sócio geral no Vasco existe desde 1900 – buscamos uma medida conciliatória caso houvesse seu encerramento.

Nossa proposta, então, foi a de que se reduzisse a um salário mínimo o teto para cobrança da joia de sócio proprietário, o que inibiria a diminuição do quadro social do clube e, pelo contrário, fomentaria um título, transmissível a terceiros, inter vivos ou causa mortis, por um valor, de fato, popular, visto que o título de sócio proprietário é um bem e a condição de sócio geral um direito. Ninguém transmite sua condição de sócio geral para outrem.

Da mesma forma, brigamos para a manutenção do período atual de carência para voto, primeiro entendendo que o direito em relação a 2020 não poderia ser modificado de jeito algum e segundo considerando que o prazo para que o associado tenha direito a voto como está no atual estatuto é suficiente, mas, mais uma vez buscamos uma forma de acordar um período maior de carência, desde que no decorrer do segundo ano de gestão, o que pode ser, evidentemente, debatido e resolvido ainda em plenário. Maio, junho, por exemplo, ou até um pouco antes, mas do segundo ano de gestão.

O grupo Sempre Vasco apresentou na última reunião da comissão de reforma do estatuto sobre o tema, irredutibilidade, no que diz respeito ao prazo, considerando o atual como correto. Temos a mesma opinião, mas se esse prazo aumentar dois, três meses, algo assim, é uma catástrofe? Claro que não.

Buscamos e permaneceremos nessa busca, para que o clube cumpra seu atual estatuto e que os sócios gerais que somaram mais de três meses de atraso possam pagar seu débito, conforme prevê o estatuto atual no artigo 42, de forma clara e concisa. Tentamos e continuaremos tentando isso através de uma disposição transitória em plenário.

Por sinal, sobre essa situação, tivemos dezenas de pessoas dois tais 6, 8, 9 grupos, concordando com a gestão em não permitir que pessoas pertencentes a essa modalidade de sócio paguem o seu débito e sejam reincorporadas ao clube.

Esses mesmos grupos que abrem a boca em defesa do sócio geral, contrariam seu discurso pelo voto proferido contra os próprios, mesmo sabedores, e isso foi elucidado em reunião do Conselho Deliberativo, o que está previsto no artigo 42 do estatuto hoje em vigor.

À época o sócio geral era algo menor para os tais 6, 8, 9 grupos (pelo menos na prática do voto), tinham, para gente desses grupos, que ser até considerados eliminados (o que o estatuto proíbe) pela inadimplência superior a três meses (três meses contados pela administração em 71 dias até, conforme conviesse a quem está lá).

E a cara de pau do dia é uma suposta preocupação dos conselheiros dos 6, 8, 9 grupos com o Sócio Geral? O mesmo que diminuíram em falas e discursos, inclusive contrariando o estatuto do Vasco? Pera lá.

Há, também, interesse do atual presidente do clube que esse estatuto não saia e os motivos devem ser perguntados a ele próprio. A justificativa oficial é a de que não é o momento. E a real? Deve ser porque também está preocupado com os sócios gerais.

Uma outra questão que vimos levantada nos discursos de alguns dos 6, 8, 9 grupos políticos do Vasco é a de que haja urna eletrônica para o associado de fora do Rio poder votar.

Em primeiro lugar haver votação dos associados de fora do Rio não presencial é, também, pleito nosso e há formas de se fazer isso sem urna eletrônica. Tem de se discutir o modus operandi disso para que seja acertado o meio pelo qual isso se torne algo prático.

Um pleito do grupo Sempre Vasco foi levantado na última reunião de reforma do estatuto, sobre a remuneração dos dirigentes. Não é novidade alguma. Foi apresentado isso pelo Casaca! lá no início da discussão pela reforma do estatuto.

E sabem por que o Casaca! pode apresentar isso? Porque o Casaca! esteve três anos junto à direção do Vasco e seus membros não ganharam um centavo nela. Trabalhamos de GRAÇA, pura e simplesmente.

Entendendo ser isso passível de remodelação foi posta a emenda e publicado isso no próprio Casaca!, mas não foi proposto numa gestão em que éramos situação e sim o contrário, ou seja, para benefício até mesmo de quem atualmente gere o clube.

Finalmente sobre o Conselho de Beneméritos. É nítido que se pretende acabar com tal conselho no clube.

O motivo de haver Conselho de Beneméritos no Vasco é exatamente para trazer equilíbrio ao Conselho Deliberativo.

Pouco importa se alguém acha A desequilibrado, B atabalhoado, C causador de tumultos, D bom ou ruim.

O fato é que como não há comprometimento com busca por cadeiras a cada eleição entre essas pessoas, elas podem tomar as medidas que acharem adequadas por livre e espontânea vontade, sabedores todos que mesmo numa eleição indireta esse poder não teria condição alguma de sozinho virar o resultado de um pleito, tanto é que o corpo se viu em janeiro de 2018 obrigado a votar entre dois candidatos da chapa vencedora, quando nenhum deles era de preferência da grande maioria.

A eleição direta, portanto, só é questão se não há anteparos para evitar qualquer um de querer gerir o clube sem jamais ter participado de qualquer poder dele (nem mesmo como conselheiro).

A tentativa, portanto, de acabar com o Conselho de Beneméritos, no caso fazendo com que ele vá diminuindo até não poder mais influenciar nas votações de Conselho Deliberativo, traria como resultado apenas e tão somente a que a situação mantivesse uma proporção de 4/5 com número superior a 150 pessoas e, com isso, usasse a máquina para passar por cima de tudo, aprovasse tudo que quisesse, gerisse como quisesse e fizesse do Vasco o que bem lhe conviesse. Porque a prática seria essa.

Até mesmo uma questão levantada com relação a um poder demasiado do presidente do Conselho Deliberativo, também foi excluída do texto final, embora tal retirada, em nossa opinião, possa fazer com que 60 assinaturas sejam utilizadas o tempo inteiro para impedir o clube de andar, com solicitações e mais solicitações de reuniões do próprio conselho. De qualquer forma não está mais lá.

A questão primordial disso tudo não é os 10%, 15% que o Casaca! não concorda, como outros grupos diziam em plenário não concordar, a questão reside no fato de que se quer reformar estatuto estando no poder, nos moldes que convenham a quem estiver e, para isso, joga-se de forma desavergonhada para a galera.

Essa história de compromisso com o Vasco, discursos, palavras ao vento, precisam ser comprovadas na prática.

O Casaca! comprovou como oposição ou situação que age dentro de preceitos claros e não desviou deles, não desviou de rumo, muito menos de conceito. Concordar ou discordar é de cada um.

Agora, jogar para a galera, em conluio, por interesses menores, como se fosse uma grande preocupação com o Vasco manter tudo como está, após tantos discursos em plenário de ótimo estatuto em 80, 90%, aí é conversa para boi dormir.

Sérgio Frias

Dirigentes Sub

O ocorrido na noite de ontem foi uma das páginas mais infelizes escritas pelo Vasco na história do clássico contra seu principal rival.

Não se deve crer que o clube poupou jogadores para a disputa da partida diante do Boavista, por mais que o atual treinador queira justificar algo nesse sentido.

Não se quer crer que o Vasco optou pela solução dos reservas para “equilibrar” o confronto em favor do rival e não se pode conceber que tenha escalado uma equipe claramente desentrosada para entrar em campo no lugar da principal, por algum receio de que viesse a ser derrotado pelo Flamengo.

Ora, o Flamengo já perdeu para um time todo reserva do Botafogo (1997), empatou com outro do Vasco com 10 suplentes (1998) e já deu lá seus inúmeros vexames históricos, mas nunca deixou se levar pela lógica do Vasco numa disputa oficial.

E nenhuma vez que o Flamengo apresentou um time B contra o A do Vasco saiu-se vencedor. Temos como exemplo a Copa Rio de 1993, disputada em meio à segunda fase do Campeonato Brasileiro daquele ano. Pelo contrário, naquela competição oficial o Vasco não deu o benefício ao clube da Gávea de adiar duas partidas entre ambos por causa do calendário rubro-negro. Eles que se virassem. Se viraram e perderam os dois jogos. A taça está lá na sala de troféus de São Januário.

Em outra determinada oportunidade o Vasco já fora da disputa de um Torneio Quadrangular, em 1960, poderia em vencendo o Flamengo dar o título ao Campo Grande e o vice ao rubro-negro da Gávea. Até então, naquele torneio, os dois clubes haviam atuado com equipes juvenis, mas no último jogo, exatamente diante do seu principal rival, a equipe cruzmaltina surpreendeu com uma formação na qual constavam vários profissionais e derrotou o adversário por 3 x 0, placar construído na primeira etapa.

Não podemos chegar à conclusão em 2020 que os dirigentes de 1960 e 1993 estavam errados e devemos respeitar primordialmente a torcida vascaína, que depois de muitos anos se fez presente no Maracanã em maior número que a do rival ontem.

O movimento dos torcedores cruzmaltinos no fim de 2019 (associação em massa) teve foco no ocorrido, em termos principalmente de imagem e mídia, em favor do rubro-negro, como se fosse dito na entrelinhas que o adversário passara a ser hegemônico no Rio de Janeiro.

A resposta do clube à sua torcida, oportunizando a que o Flamengo tivesse uma chance muito maior que a do Vasco para vencer o primeiro confronto do ano entre ambos, ainda mais com um jejum de vitórias que segue desde 2016, é a prova cabal de que o clube e, mais especificamente, seu futebol estão sendo geridos por curiosos, inaptos ou vascaínos derivados, sazonais.

A partida, com uma pequena noção de divulgação, marketing e motivação do torcedor, deveria ter marcado a estreia de German Cano na equipe, deveria ter sido trabalhada para assustar o adversário e não tranquilizá-lo com a escalação apresentada, poderia ter dias antes ocorrido um refutar do Vasco à atitude do Flamengo, quanto à sua conduta no que diz respeito às transmissões de seus jogos, pois o fato prejudica a torcida do Vasco e, inclusive, os assinantes do pay-per-view.

O Vasco poderia, enfim, usar tudo a seu favor, marcar uma vitória contundente, quebrar um tabu e trazer seu torcedor a orgulhar-se e defrontar-se com seu rival nas ruas, da forma mais jocosa e deliciosa possível para arrefecer suas decepções últimas.

As crianças vascaínas chegariam no colégio mais alegres e, também, orgulhosas, o Vasco se aproximaria mais de uma classificação para a semifinal da Taça Guanabara e empurraria seu adversário para baixo na tabela, correndo o risco de não chegar aos play-offs do turno, o dia seguinte para todo e qualquer vascaíno seria, em suma, mais feliz.

A irresponsabilidade do que foi feito, expondo Vasco, torcida, atletas, todos ao ridículo, deu no que deu.

Da mesma forma que o Vasco há três meses escrevera uma das páginas mais bonitas da história do clássico diante do rival, neste último Vasco x Flamengo desenhou uma das mais vergonhosas com uma derrota justa (apesar do começo muito bom), chutando apenas uma vez em direção à meta adversária no segundo tempo.

Não é só lamentável, não é apenas um acinte aos torcedores do clube, mas, principalmente, a atitude tomada é uma cusparada na história do Vasco e dos que a construíram.

Estamos, talvez, na época da “evolução”, onde evoluir é seguir o caminho que a lógica rubro-negra manda percorrer.

O mesmo Vasco, que implodiu a I Liga em dois anos, recentemente, após tanto bater no Flamengo e levá-lo à lona por duas temporadas seguidas, no confronto direto, hoje era capaz de seguir o clube da Gávea em busca da extinção do Campeonato Carioca e até solicitar ao solícito (quem sabe) rubro-negro um convite para disputar a II Liga ou coisa que o valha.

Desastroso é o mínimo que se pode dizer do resultado obtido, diante daquilo que foi feito pela direção cruzmaltina e por outros gênios do departamento de futebol.

Pensar grande e agir como pequeno não é a senda do Vasco. Longe disso.

Sérgio Frias

Princípio administrativo ferido, consequências sofridas

Os salários do Vasco estão em atraso há 16 meses. Há 16 meses atrasa-se o pagamento de salários no Vasco.

Um atleta sai do Vasco com valor de venda ou liberação entrando no clube e é cobrado, posteriormente, salários e gratificações enormes, do próprio atleta, alvo da venda, como ocorreu com Desabato (3 milhões de grana recebida pela venda).

Até o Anderson Martins, que recebeu sua rescisão, cobra o clube sem que o jurídico venha a público e esclareça, até baseando-se na própria fala do atleta à época. Cheguem-se a quem sabe que houve o pagamento e converse-se sobre.

Quem recebe salário e não é do futebol convive há quase um ano com a realidade de três, quatro meses de salários atrasados.

Ajuda de custo no Vasco é devida, dependendo de quem a receba, por seis, oito, nove meses.

É claro que ia dar nisso. No que está dando.

Todo mundo leu que o Vasco pôs 150 mil sócios novos no clube, todo mundo viu que o dinheiro serviria para pagar salários, dito pelo presidente do clube.

O meio esportivo sabe que o Vasco ficou impedido de inscrever jogadores até ontem, porque não conseguiu algo que é menos de 0,5% do seu orçamento para 2020.

O Vasco ficou devendo o pagamento do Profut por 10 meses, fica notório que compra e não paga (areia, gente!), acorda e não cumpre e ainda sofre revelia em vários processos, como neste inacreditável do não pagamento de areia.

Também é notório que foi o clube que mais demitiu funcionários sem pagar seus direitos (mais de 95% dos 300 não receberam suas verbas rescisórias de pronto).

Além disso, mais de uma centena executou o clube por não cumprimento de acordo via sindicato e há muitas pessoas na fila para verem suas execuções saírem.

O valor devido, por exemplo, para um funcionário que saiu com o clube devendo a ele 30 mil reais há 18 meses, pode hoje ultrapassar o triplo disso com execução, multas, juros, correção, etc…

Claro que isso chegaria onde está chegando.

O clube está sendo tocado de maneira completamente irresponsável e é assim desde o princípio, quando não cumpriu o princípio da continuidade administrativa com mais de 60 milhões limpos recebidos nos primeiros três meses de gestão (56 milhões limpos só do Paulinho).

A lógica perversa de largar o débito do passado, os acordos do passado, algo que ficou por pagar, que é a lógica distinta do que fez a gestão anterior, leva a isso.

O público vascaíno tem que cobrar isso. Que o gestor cumpra esse princípio, porque se não cumprir vai dar problema. Não há como não dar.

Pode demorar um ano, dois, três, mas vai dar problema.

A teimosia de bater em quem fez o certo e absolver quem levou o Vasco para esse buraco sem fundo é o maior prejuízo que o torcedor do Vasco dá ao clube.

Ele próprio tenta, tira do bolso, se movimenta, doa, faz campanha, participa de crowdfunding, quer resolver o problema, se associa, divulga, mas não consegue ir para o ponto central porque está viciado num discurso que deveria ter morrido quando o polo desse discurso morreu, ou nem começado se ele próprio enxergasse baseado nos fatos e não nas versões sobre eles criadas pelos detratores do clube.

Não há mal nenhum em reconhecer que aquilo era o certo (entrar pagar os salários atrasados obter certidões, cumprir acordos, tapar buracos deixados) e que o feito por essa gestão foi errado, que o feito pelo MUV era errado e que se faça um exame de consciência geral, sem inverter, buscar inverter, querer inverter uma lógica que é óbvia.

Você assume o clube pagando o que ficou para trás e é mais premente, cumprindo o acordado e equilibrando seus gastos dentro daquela realidade. E, na esmagadora maioria das vezes, não vai ter dinheiro da venda de um Paulinho para receber em três meses, como esse completo incapaz e sua equipe de planilhas recebeu em 2018.

E mais. A partir de 2021 a ordem é entrar quem capte, quem consiga mudar uma realidade que deveria ter sido modificada numa sequência lógica há mais de 10 anos, pois bastaria para o MUV dar continuidade ao trabalho de equacionamentos do clube, iniciado pós torniquete financeiro e de maneira definitiva em 2004, que já estava, portanto, no seu quarto ano quando chegamos a junho de 2008.

Mas a interrupção abrupta, com discursos de palanque, ações de picadeiro e soluções heterodoxas prevaleceu em nome de um posicionamento político e consequentes rebaixamentos moral, esportivo, financeiro e, por conseguinte, institucional do clube.

Pois é. Mas tinham que fazer diferente…

E na época era só continuar cumprindo o que se pagava, porque salários estavam em dia, acordos eram honrados, o clube não estava inundado em penhoras, como encontrado em 2014, vide receitas de bilheteira intactas, não havia título algum protestado, era partícipe do Ato Trabalhista, da Timemania, e funcionava.

Houve a troca de poder, a lição dada, mas quem sucede não aprende. Faz o mesmo, vai pelo mesmo caminho e um processo de reestruturação é jogado novamente no lixo agora para fazer política em cima de quem morreu (claro que não sabiam que ele iria morrer quando agiram da forma como fizeram nos primeiros meses de 2018).

Mas qual o resultado prático disso? O que se conseguiu com isso? Com ele, Eurico, vivo ou morto, o que adianta somente machucar uma gestão ou o gestor em detrimento do próprio clube? O que se ganha com isso?

Se não há reflexão, em nome da teimosia, haverá mais e mais prejuízos ao Vasco e todos vamos sofrer.

O princípio da continuidade administrativa é imperioso, já as soluções fora disso fadadas ao fracasso.

Sérgio Frias

Contra o ódio a leveza

O Casaca! vislumbra, de fato, um futuro para o Vasco em 2021 fora da lógica atual de se tentar limpar uma administração sujando a outra.

O cenário do Vasco hoje tem origem numa tentativa pouco institucional de união para ganhar uma eleição da situação sem que a oposição tivesse nada de concreto para mostrar, como aliás foi dito pelo rapaz que se candidatou e perdeu na Lagoa, afirmando ao público que nada tinham para apresentar a não ser uma solução para que o clube chegasse a 250.000 sócios, tal qual era a realidade do Benfica na época.

A torcida cruzmaltina, todos nós na mesma campanha e remando para o mesmo lado, obtivemos quase isso em duas semanas, numa mera promoção (no caso sócio torcedor), que foi primordialmente uma resposta dada por parte dos vascaínos ao momento e incensar do maior rival, que sem Eurico no poder pintou e bordou com o clube nos últimos 25 anos e meio, o que não conseguiu nos 25 anos e meio com ele com poder, como é sabido por todos e os números mostram.

Na véspera da partida contra a Chapecoense o Casaca! fez uma sugestão à gestão (mesmo como oposição) de que aproveitasse o momento e estendesse a campanha até o Natal.

Usamos a frase no twitter “Não há limite para o Vasco” e, de fato, não haveria se o presidente do clube com o Maracanã lotado anunciasse a manutenção da promoção até 25 de dezembro.

A direção deixou um espaço de três dias para fazer o que deveria ter feito no domingo e a campanha perdeu o embalo.

A gestão de Alexandre Campello foi mais do que ajudada, mas infelizmente mostrou-se inapta para gerir.

Nos primeiros dois anos de gestão da administração anterior chega a ser piada querer comparar o produzido por aquela e esta, mas com uma diferença: a gestão comandada por Eurico Miranda não teve apoio de ninguém a não ser dos que se aproximaram para ajudar.

A oposição torceu contra, trabalhou contra, atuou contra, mentiu, distorceu e entendeu que esse caminho era o correto para chegar ao poder. Não é, e a prova disso é a gestão torta atual.

Mas, voltemos ao enredo dos dois primeiros anos de gestão da administração anterior e dos resultados esportivos e patrimoniais obtidos até o fim dela.

Primeiramente vale recordar que o Vasco:

1 – Foi recebido com o futebol ostentando o 3º lugar na segunda divisão, sem ter naquela competição liderado a tábua de classificação em rodada alguma.

2 – Durante seis anos e meio o clube havia vencido uma competição, a Copa do Brasil, ocasião na qual o Vasco não enfrentou nenhum grande clube do futebol brasileiro.

3 – Em 22 confrontos diante do Flamengo o Vasco havia vencido três e o clube também se mostrara nesse período freguês do Botafogo…

4 – O Vasco disputara seis decisões, de turno e campeonato, contra Botafogo (2010, 2012, 2013), Flamengo (2011, 2014) e Fluminense (2012) e havia perdido todas.

5 – A base do Vasco estava instalada em Itaguaí e os destaques dela do SUB 20 e profissionais eram: Jordi, Gabriel Félix, Luan, Henrique, Lorran, Jhon Cley, Marquinhos do Sul, Iago, Thales.

6 – O clube não tinha crédito para nada, seu parque aquático e ginásio estavam desativados, o estádio de São Januário tinha capacidade de público reduzida para 15.000 pagantes e faltava (acreditem) papel higiênico e desinfetante para os banheiros do clube.

Mais de 30 toneladas de lixo estavam esparramados a céu aberto e o Vasco não tinha crédito com empresas prestadoras de serviços mais comezinhos, desde postos de gasolina até desentupidoras de sanitários, devia 10,8 milhões a CEDAE, estava o clube com dois meses de salários atrasados (embora tivesse sido recebido com salários em dia quando o MUV assumiu) e o décimo terceiro salário daquele ano venceria no mês que a nova gestão assumia.

7 – A dívida do Vasco havia mais que dobrado em seis anos e cinco meses, chegando a 688 milhões de reais.

8 – O Vasco do primeiro grupo nas cotas de TV passou para 5º lugar.

9 – O Vasco devia à CBF e FERJ um total de R$22.959.000,00.

10 – O Vasco, que havia sido deixado sem nenhum título protestado, foi encontrado com mais de 200 (duzentos) em dezembro de 2014.

Havia grupos da estirpe de Cruzada, que brigou na Justiça para prorrogar o mandato de Roberto Dinamite e expor o Vasco ao ridículo mais alguns meses, período no qual vivemos mais estripulias daquela trupe, com direito a um 0 x 5 diante do Avaí, em São Januário, confissões de dívida e acordos feitos até 02/12, com parceiros daquela gestão.

Detalhe: a tal Cruzada era oposição ao presidente Roberto Dinamite e no início de 2014 fizera discurso exigindo sua renúncia.

Vale lembrar que ela própria, Cruzada, foi quem garantiu Dinamite no poder após a eleição de 2011 ter sido anulada (alguma urna 7 da gestão MUV que levou a juíza de primeira instância naquela oportunidade a anular o pleito).

Os mais curiosos façam pesquisa com dados da época.

Mas a brava Cruzada, ela que dizia haver sérios indícios de problemas na lista de eleitores apresentada pelo MUV, se mostrou como terceira interessada para garantir Dinamite gerindo, por liminar.

Não podemos esquecer, também, o ato de seus membros, que votaram com a situação pelo não reconhecimento da dívida do clube para com Romário, isso em dezembro de 2011, o que levou o ex atleta a processar o clube.

Ele, que recebera todas as parcelas do Vasco entre agosto de 2004 até junho de 2008, teve freado o pagamento quando o MUV chegou ao poder em julho de 2008.

A dívida passou a não constar no balanço (não cremos que no balanço de 2018 dívidas do clube tenham tomado o mesmo caminho) e em 2011 o Conselho Deliberativo, com os votos e defesa ferrenha da tal Cruzada deixou de reconhecer de vez a dívida.

O resultado disso foi uma ação de execução de Romário contra o Vasco e a apresentação de provas no processo.

Mas durante o processo a tal Cruzada andava pela internet para dizer que não existia dívida alguma, que aquilo era uma armação de Eurico Miranda e Romário, fazendo eco a declarações de alguns que quando processados desmentiram o que vinham dizendo.

O fato é que Romário teria direito a cerca de 40 milhões de reais. A dívida inicial era de 22 milhões e foi paga dela, em praticamente 4 anos, pouco mais de 8 milhões. De um saldo na ordem de 13,9 milhões, Romário poderia ganhar o triplo, por descumprimento contratual do clube.

Eurico Miranda conversou com Romário que pediu apenas a correção da dívida e acabou o valor chegando a 21 milhões.

Observem que foi um erro consciente tanto da situação quanto da pseudo “oposição” (Cruzada).

Sabedores que havia o direito por parte do atleta, por razões de ordem mui republicanas, por certo, resolveram votar a favor do calote.

Mas, curiosamente, os que advogaram em favor do Vasco, após um dizer ou outro de que o clube poderia ganhar a ação, ganharam (do clube), por êxito. Sabem qual foi o êxito?

Como Romário deixou a dívida de 40 milhões por aproximadamente 20 (a pedido de Eurico Miranda para que não metesse a faca no Vasco), tiveram como ganho um percentual dessa redução.

Um dos advogados teve o acordo celebrado com o clube às 18 horas do dia 02/12/2014 sobre seus créditos com o Vasco (4 milhões de reais), horas antes da posse de Eurico Miranda na sede Náutica da Lagoa, segundo ele, Eurico, denunciaria no dia seguinte.

Ah, um detalhe. A posse de Eurico Miranda foi no dia 02/12/2014, mas vale ressaltar que houve eleição na Lagoa 13 dias antes e – por incrível que pareça – a chapa segunda colocada (com membros da Cruzada nela que certamente se abstiveram de votar) lançou candidato, desrespeitando a vontade do quadro social, que havia escolhido a outra chapa, no caso a de Eurico Miranda, por módicos 1.300 (MIL E TREZENTOS) votos de diferença. O placar da votação foi 190 x 26.

Três anos depois a própria chapa segunda colocada em 2014 venceu o pleito, mas rachou, lançando dois candidatos para a disputa do 2º turno.

O mesmo grupo (Cruzada) só faltou querer bater em Alexandre Campello no dia da eleição que o elegeu na Lagoa, mas quando viu que o objetivo da gestão atual era sujar a anterior, logo se pôs à disposição para ser linha auxiliar disso.

Quando, porém, surgiu uma decisão de anulação da eleição (quem ganhou reclamava da própria vitória e queria nova eleição, o que em Portugal é motivo para piada) o grupo “Cruzada” no dia seguinte mandava nota dizendo que iria para a eleição, largando seu “comandante” sem pestanejar.

O grupo, tão preocupado com minúcias sobre Eurico Miranda, não achou relevante que houvesse uma comissão de sindicância sobre o presidente do clube em junho de 2018 por supostos desvios e vota atualmente a favor de que Campello não mostre o que o Conselho Deliberativo solicitou por 150 a 1, recentemente.

Se tiveram vergonha de votar contra o absurdo que era não se permitir a entrada de sócios novos no clube pelo número de assinaturas de cada proponente, não se furtaram em ficar a favor de uma mudança da ata da reunião, mas não porque a ata continha erros e sim porque não agradava à gestão, que com o beneplácito da tal “Cruzada” até hoje não apresentou o que é sua obrigação à comissão de sindicância criada.

Fizemos esse breve relato sobre o grupo de apoio da atual gestão para mostrar que o Vasco precisa se unir, de fato, para evitar que esse modelo de agir, inicialmente contra uma pessoa e depois contra o clube na ânsia de atingi-la, depois a favor de uma pessoa e, também, contra o clube e seu estatuto para se manter com ela (até que ela se fragilize) não leva o Vasco a lugar algum.
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Agora vamos fazer uma singela comparação com os pontos levantados e numerados acima:

1 – O clube foi recebido por Alexandre Campello, classificado para a Taça Libertadores e com o seguinte elenco:
Martin Silva (Jordi, Gabriel Félix); Yago Pikachu (Rafael Galhardo), Breno – que jogava quando havia CAPRRES no clube – (Luiz Gustavo, com quem o Vasco renovaria no decorrer do ano), Erazo (Ricardo Graça), Ramon – que não teria ficado praticamente os últimos dois anos parado se houvesse CAPRRES – (Fabricio, Henrique); Desabato (Andrei, Bruno Paulista), Wellington (Evander), Wagner (Escudero, Guilherme Costa), Nenê (Thiago Galhardo); Paulinho (Rildo, Kelvin), Andrés Rios (Riascos). TOTAL: 27 atletas.

Importante ressaltar que Werley e Paulão foram trazidos já na gestão Campello.

Além disso, havia outros garotos como João Pedro, Rafael França, Miranda, Alan Cardoso, Bruno Ritter, Bruno Cosendey, Lucas Santos, Moresche, Dudu, Caio Monteiro, Marrony, Paulo Vitor, Hugo Borges. TOTAL: 13 atletas.

Importante pontuar que dos 13 citados, seis deles atuaram na primeira partida do Vasco com Campello presidindo o clube (Rafael França, Alan Cardoso, Lucas Santos, Paulo Vitor, Marrony e Caio Monteiro).

Importante ainda relembrar que o Vasco perdeu a partida por 2 x 1 para a Cabofriense naquele dia, marcando para o Vasco Nenê, de pênalti (sofrido por ele próprio), que também chutou uma bola na trave e dias depois foi negociado com o São Paulo.

No tricolor paulista, em 2018, Nenê marcou 12 gols e deu 8 assistências para gol. Foi substituído no Vasco por Giovanni Augusto, que, ao longo da temporada, marcou 1 gol e deu duas assistências para gol.

Fora esses, também à disposição para um futuro breve, o clube contava com: Alexander, Lucão, Fintelman, Cayo Tenório, Ulisses, Nathan, Coutinho, Riquelme, Alexandre Melo, Bruno Gomes, Caio Lopes, Rodrigo, Linnick, Laranjeira, Juninho, Arthur Sales, João Pedro, Talles Magno, Vinícius, Róger. – TOTAL: 20 atletas. Isso para ficarmos por aqui apenas.
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2 – Em três anos o Vasco venceu:
a) Um Campeonato Carioca após 11 anos de jejum
b) Uma Taça Guanabara após 11 anos (invicta após 16 anos)
c) Um Bicampeonato Carioca após 23 anos (invicto após 24 anos)
d) Uma Taça Rio após 9 edições (invicto após 10 edições)
e) O clube bateu seu próprio recorde de partidas oficiais invictas em toda a sua história (34 jogos)
f) O clube se classificou à Taça Libertadores da América após 6 anos

Curioso ainda ressaltar que:
I – Em 2015 o Vasco desceu de divisão prejudicado em 14 pontos, outro recorde na história do clube, infelizmente só admitido pela oposição do clube um ano depois (Turno: Internacional-RS (2 pontos), Sport-PE (1 ponto)/Returno: Atlético-MG (1 ponto), Cruzeiro-MG (2 pontos), Avaí-SC (2 pontos), Chapecoense-SC (2 pontos), São Paulo-SP (2 pontos), Coritiba-PR (2 pontos). O critério foi o mesmo utilizado pelo site especializado Placar Real.
Com os 14 pontos a mais na tabela o Vasco terminaria a competição em oitavo lugar e com apenas 3 dos 14 pontos garfados o Vasco não cairia de divisão.

Houve outros erros contra o Vasco na balança do Campeonato Estadual, mas que não prejudicaram a conquista do título.

II – Em 2016 o Vasco foi eliminado nas oitavas-de-final da Copa do Brasil pelo Santos, em São Januário.
Na partida em que o clube precisava vencer por dois gols de diferença (3 x 1 para levar a disputa para as penalidades máximas) houve um pênalti claro não marcado a favor do Vasco na primeira etapa (e dois duvidosos), enquanto no segundo tempo o gol de empate do Santos (o Vasco vencia por 2 x 1) foi marcado em lance com três irregularidades (falta a favor do Vasco próxima à área do Santos não marcada, impedimento {duas vezes} no contragolpe santista, que resultaria em seu segundo gol).

III – Em 2017 o Vasco foi eliminado na 3ª fase da Copa do Brasil pelo Vitória-BA. Na partida de ida houve falta não marcada sobre o colombiano Manga Escobar, que achando ter havido a marcação pôs a mão na bola dentro da área, resultando no pênalti, que convertido acabaria sendo o gol decisivo para o Vitória-BA se classificar (jogo de ida 1 x 1 e jogo de volta 1 x 0 para o Vitória).

IV – No Campeonato Brasileiro de 2017 o Vasco teve apenas um pênalti marcado a seu favor e oito contra. O time sofreu cinco gols irregulares (Palmeiras-SP {1ºgol}, Bahia e Botafogo {2º gol} no turno, Corinthians {gol de mão} e Avaí no returno) e, além disso, houve oito pênaltis não marcados a favor do clube (Palmeiras-SP, Corinthians-SP, Chapecoense-SC, Atlético-GO (2), Flamengo, Santos-SP no turno e Coritiba-PR no returno).

V – No próprio Campeonato Brasileiro de 2017 o Vasco perdeu a oportunidade de jogar com sua torcida em São Januário por seis jogos, somando neles 6 pontos em 18 possíveis. Nas outras 12 vezes que jogou em casa, com torcida na cidade do Rio de Janeiro – dez vezes em São Januário e duas no Maracanã – o clube somou 22 pontos em 36 possíveis.
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3 – Todos os clubes grandes cariocas foram fregueses do Vasco no período entre 2015 e 2017.
Vasco 6 x 1 Botafogo
Vasco 6 x 4 Flamengo
Vasco 5 x 3 Fluminense
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4 – Em todas as vezes que o Vasco disputou taças venceu as disputas:
Campeonato Carioca 2015: Vasco Campeão, Botafogo Vice
Taça Guanabara 2016: Vasco Campeão, Fluminense Vice
Campeonato Carioca 2016: Vasco Campeão, Botafogo Vice
Taça Rio 2017: Vasco Campeão, Botafogo Vice

O Vasco, pela primeira vez em sua história, eliminou o Flamengo de uma competição em três disputas diretas consecutivas (Campeonato Carioca 2015, Copa do Brasil 2015, Campeonato Carioca 2016).
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5 – A base do Vasco deixada para a administração sucessora já foi descrita acima.
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6 – O Vasco teve crédito por 2 anos e 8 meses e deixou de tê-lo pela preocupação dos parceiros de que a gestão sucessora não honrasse tais compromissos.

Ressalte-se que em 2014 por duas vezes Eurico Miranda buscou junto à FFERJ empréstimos para Dinamite e cia. pagarem salários, impedindo que atletas debandassem no meio da disputa da segunda divisão. Pequeníssima diferença.

O Parque Aquático foi totalmente reformado, pouco importando os que não gostam dele e querem transformá-lo em estacionamento ou coisa que o valha. É patrimônio do Vasco e foi ressuscitado.

A Pousada do Almirante (não confundir com containers do Urubu), também foi reconstruída, onde havia apenas um depósito com lixos e praticamente nada no local.

Foi construído o Campo Anexo dentro de São Januário.

O clube ainda utilizava os campos do terreno de Caxias e ainda brigava pelo espaço para dar continuidade a seu CT, que sem ingerência do MUV e seus contatos poderia já ter sido finalizado na década passada, antes de 2008.

Foi reformado o ginásio com participação de parte da verba vinda da torcida do Vasco.

O Vasco ergueu, com parceria da Brahma, o CAPRRES.

Posteriormente o clube ergueu o CAPRRES da base.

Em 2017 o CAPRRES olímpico.

Após um ano inteiro sem poder realizar um programa de Sócio Torcedor, em virtude de contrato assinado pela gestão anterior, em março de 2016 foi criado o plano, que vinha num crescente em 2017 até a perda dos seis mandos de campo já citada.

Nos três anos daquela administração o Vasco teve patrocínio master num total de 35 milhões de reais, ou seja, média anual de 11,66 milhões de reais.

Pelo patrocínio de manga em 2015 (Viton 44) o Vasco recebeu 7 milhões de reais.

Em 2016 o patrocínio de manga não permaneceu por crise na empresa, mas, mesmo assim, o Vasco recebeu o valor da multa contratual (entre 1 e 2 milhões de reais).

No início de 2018 o patrocínio master, que seria fechado para aquele ano com a empresa LASA não foi cumprido pelo parceiro e o clube busca o pagamento da multa contratual por parte da empresa devedora.

O fato de a empresa não ter honrado o contrato manteve o Vasco, que jamais veiculou a marca em seu uniforme, livre para negociar um patrocínio para 2018 (lembrando que o Vasco estava disputando a Taça Libertadores da América).

Antes de ter sido fechado o contrato com a LASA foi perguntado ao grupo que poderia assumir o poder (a eleição estava sub judice) se havia alguma marca em vista, mas nenhum retorno foi dado e próximo ao pleito da Lagoa dito, de fato, que não havia nada por parte do grupo auto proclamado, pelas cores usadas em campanha, “amarelo” quanto a patrocínios.

Na Justiça ação foi deixada pronta para ser recebida verba de 38 milhões de reais, que foi, de fato, recebida pela gestão Campello em outubro de 2018.

O Vasco obteve certidões positivas com efeito de negativas com 25 dias de gestão apenas, ainda em 2014. Em função disso pôde receber verbas públicas através da CBC na ordem de 6 milhões de reais.

O clube fez um reparcelamento de suas dívidas fiscais entrando no Profut e até o final de 2016 havia pago R$3.549.061,00.

O estádio de São Januário teve aumentada sua capacidade de 15.000 para 21.900 lugares, vislumbrando o departamento de patrimônio do clube ter liberação para 30.000 lugares em 2018.

Por terem sido feitas obras em São Januário para o setor de visitantes o Vasco pôde mandar em seu estádio clássicos estaduais a serem disputados nos Campeonatos Carioca e Brasileiro.

O Colégio Vasco da Gama foi reformado e o clube permaneceu com professores e diretores como funcionários seus.

As sedes do Calabouço e da Lagoa receberam obras e melhorias.

A sede de São Januário também recebeu obras e melhorias em vários setores e as 30 toneladas de lixo a céu aberto ficaram como uma lembrança ruim do passado apenas.

O clube fechou contrato com a Diadora, mas, antes disso, foi perguntado ao grupo que poderia vir a ganhar as eleições (que estavam sub judice) se havia alguma tratativa para alguma marca de material esportivo ser anunciada e a resposta foi “NÃO”!

Em 05/12/2016, portanto com dois anos de mandato, o Vasco já havia pago R$162.701.817,00 em dívidas, mas mantinha salários em dia, certidões, possuía seu patrocínio master e cuidava com zelo de seu patrimônio.

Somente de salários atrasados, encargos e tributos referentes ao que havia sido deixado de pagar pela gestão anterior foram R$18.548.164,00.

Entre direitos econômicos, mecanismo de solidariedade e multas deixadas pelo MUV, até aquela data, foram pagos R$24.500.000,00 (Éder Luís, Sandro Silva, Fellipe Bastos, Guinazu, Montoya, Yotun, Rômulo, Benitez, Diogo Silva, Jonas).

Entre atletas credores do clube estavam: Jonas, Felipe, Edmundo, Nei, Auremir, Fernando Prass, Montoya, Nilton, Fágner, Elton, Elder Granja, Sandro Silva, Caíque, entre outros, além do gerente de futebol Rodrigo Caetano. Todos sendo pagos.

À CEDAE o Vasco (que não tinha dívida alguma em junho de 2008) devia 10,8 milhões, a escritórios de advocacia mais de 20 milhões, mas também havia dívidas com posto de gasolina, empresa de comunicação, Pedrinho Vicençote (Itaguaí), empresa de vigilância, Tovar gramado, empresa de informática, entre outras.

Em relação às cotas de TV o Vasco tinha zero a receber em 2015 e praticamente zero a receber em 2016.

Quando o MUV entrou no Vasco, em julho de 2008 havia, num contrato por três anos, sido antecipado cerca de 8 meses dele apenas.

Para que se faça uma comparação, em 2001, quando o clube foi assumido, além dos mais de 150 milhões de dívidas calculados pela CPI e a perda de 75 milhões em ativos de atletas (acabara a lei do passe), as cotas já haviam sido, até o fim de 2000, antecipadas em 18 meses.
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7 – A dívida do Vasco diminuiu em três anos da gestão antecessora à atual, chegando a 645 milhões de reais (segundo a direção do clube) e a 582 milhões segundo votado pelo Conselho Deliberativo do clube (112 votos a 47)
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8 – O Vasco conseguiu modificar a lógica da TV aberta, dependendo de seus próprios resultados esportivos para superar qualquer um neste quesito, mas a distância do pay-per-view continuou grande pelo percentual já garantido a Flamengo e Corinthians.

A distância já em 2016 era mais que o dobro entre Flamengo e Vasco e isso só mudará quando o número de pacotes de pay-per-view for comprado em massa pela torcida do Vasco, a fim de que ultrapasse o patamar atual, entre 6 e 8% do total, contra 18% mínimo do Flamengo.

Claro está que com o aumento do valor global a lonjura do Vasco para o principal rival também proporcionalmente aumenta.

Vale ressaltar que quando Eurico Miranda saiu do Vasco em 2008 o clube era partícipe do recebimento da maior cota de TV em todas as plataformas, inclusive pay-per-view, junto a Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo.
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9 – O Vasco foi deixado para a administração seguinte com dívida menor junto às duas entidades (CBF e FERJ). No total 18,7 milhões contra 22,959 milhões que havia recebido.
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10 – Grande parte dos títulos protestados foram pagos durante a gestão.
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A falta do princípio da continuidade administrativa, opção da gestão de Alexandre Campelo, levou o clube a agir diferente da forma como agiu a administração sucessora do MUV, que pagou salários atrasados, buscou certidões e acordos, cuidou do patrimônio, obteve resultados esportivos, patrocínios, valorizou a marca e captou de várias formas verbas para tocar o clube.

Seu principal parceiro recebeu tudo que era devido e com menos de 10 dias da gestão seguinte o antigo gestor, Eurico Miranda, encaminhou acordo para que Alexandre Campello recebesse 11 milhões de reais imediatos a fim de pagar o mês de novembro de 2017 e despesas prementes.

O próprio Alexandre Campello recebeu mais 45 milhões de reais limpos com menos de 90 dias de gestão, mas feriu o princípio que deveria nortear o clube.

O atual gestor fez um cálculo de dívidas que chegariam a 82 milhões de reais deixados pela gestão antecessora (a de Eurico Miranda), vitimizando-se quanto às possibilidades de pagamento, mesmo sabendo que não pagaria (por ferir de forma irresponsável e consciente o princípio da continuidade administrativa) os salários de dezembro de 2017, o décimo terceiro do mesmo ano, vários acordos que estavam atrasados (deixando que o Vasco fosse executado, embora na transição fosse dado o caminho para conversas com os advogados dos respectivos credores), impostos devidos do período da gestão anterior (que manteve certidão federal até 30/09/2017 e outras até dezembro do mesmo ano) e pôs a gestão devedora de FERJ e CBF como se ela tivesse chegado no clube em dezembro de 2014 sem qualquer débito com tais entidades.

Além disso, demitiria cerca de 300 funcionários sem pagar as verbas rescisórias de praticamente ninguém, posteriormente via sindicato foi acordado um valor, que, também, o clube deixou de pagar, sendo executado o Vasco em 50%, 60% e até 100% do principal. No fim, o número de funcionários pouco diminuiu e ainda houve a contratação de terceirizados, sendo o gasto geral da mesma ordem.

O mau exemplo, aliás péssimo exemplo dado por Alexandre Campello e seus pares financistas, não tem respaldo nas ações de seu antecessor, que deixou uma situação para o MUV muitíssimo melhor do que a que encontraria seis anos e cinco meses depois, melhor operacionalmente do que a que encarou a partir de 2001, e, diante daquela situação terrível encontrada em dezembro de 2014, deu sua vida, seu trabalho diuturno, sua saúde e seu amor ao clube para entregar um Vasco mais viável a quem chegava e com uma joia rara para trazer dinheiro à novel gestão (a multa rescisória assinada em relação ao atleta Paulinho triplicou de 10 para 30 milhões de euros em janeiro de 2018), quando, na verdade, poderia ter ele feito a venda por um valor próximo da multa em agosto de 2017 e deixado o clube com certidões, salários em dia, acordos em dia, contas prementes, mas perdendo a oportunidade de o Vasco lucrar o triplo daquilo (que viria a ser quase o dobro quando da venda em abril).

A forma como rosnam fakes, incautos e mal intencionados que circundam as mídias sociais não apaga os fatos, que ficam aqui registrados não em defesa simplória de Eurico Miranda, mas de sua visão de Vasco, sua forma de ver e trabalhar pelo Vasco.

Quando se quer candidato único e paz no clube, se quer, na essência, que se pare com este jogo sujo de não pagar fulano, porque é do tempo X, beltrano porque pode afetar o tempo de Y, cicrano para que se tenha ganho político em cima de Z. Essa lógica perversa, infelizmente usada por quem assumiu o Vasco em 2018 – que tinha em seu adversário de chapa mais sede e maior vontade ainda de assim proceder – é exatamente o que machuca o Vasco, que fere o Vasco, que faz o Vasco agonizar, que faz o Vasco sangrar.

A torcida do Vasco, como dissemos, com apoio de todos nós, deu uma demonstração de grandeza, ultrapassando qualquer barreira lógica de associação em tão pouco tempo, mas tal grandeza falta a dirigentes que buscam sair bem na fita, buscam usar da política para fazer o Vasco sofrer e perpetuar uma lógica que quando é freada por algum gestor, novamente é retomada pelo subsequente.

O Casaca! jamais esteve no Vasco para ter ganhos pessoais. Quaisquer grupos tem de fazer reverência ou ter respeito quando dos encontros conosco, mas de longe, com fakes e afins tornou-se hábito falar mal, talvez porque na verdade nos vejam como algo que atrapalhe uma lógica que se perpetuada trará muitos ganhos pessoais, de quaisquer ordens, em detrimento do Vasco.

Eurico Miranda morreu há cerca de 10 meses e seus detratores não o esquecem, virou moda ultimamente jogar as coisas na conta do morto, mas a atitude deletéria é proposital, numa mistura de ódio e prazer, uma mistura que não pode mais caber no futuro do Vasco.

Que haja convergência e se unam as correntes que pretendem suceder a direção que aí está com um nome capaz de agregar e que não seja ele o único protagonista, que hajam outros e que o Vasco cresça com mais gente disposta a se doar ao clube para superar as dificuldades de quem não é o sistema, não é o queridinho do sistema, mas é, sem dúvida, o maior dentre os que pretendem ou podem mudar a lógica do sistema.

Sérgio Frias

Início de temporada: um histórico das contratações feitas pelo Vasco nos últimos 50 anos

Iniciamos o ano de 2020 com expectativas sobre pagamentos, contratações e permanência de atletas no elenco vascaíno.

A situação se mostra difícil quando o Vasco não paga os atletas, trazendo desconfiança sobre as promessas feitas pelo atual presidente do clube, descumpridas mais de uma vez.

Em meio a especulações das mais variadas ordens fica aqui um histórico para os vascaínos quanto à aquisição de atletas pelo clube (em definitivo ou por empréstimo) nos últimos 50 anos.

Segue mais abaixo lista na qual consta atletas contratados pelo Vasco para titulares da equipe principal, nos últimos 50 anos, entre novembro de uma temporada e fevereiro da temporada seguinte.

Alguns critérios utilizados:

1 – Incluiu-se na lista atletas que tenham iniciado a temporada, atuando na condição de titulares, em jogos oficiais ou torneios amistosos (exceto substituindo o titular da posição por alguma questão curta, física ou burocrática, deste último);

2 – Incluiu-se na lista atletas que mesmo não iniciando a temporada na condição de titulares, tenham sido contratados, notoriamente, com essa intenção por parte do clube, obtendo tal condição após a resolução de questões físicas ou burocráticas;

3 – Desconsiderou-se da lista atletas que tenham atuado na temporada anterior pelo Vasco, ou feito parte do plantel cruzmaltino nela;

4 – Desconsiderou-se da lista atletas pertencentes ao Vasco, que atuaram em outras equipes por empréstimo numa temporada (ou até mais) e retornaram ao clube numa outra.

5 – Desconsiderou-se da lista, atletas contratados para compôr elenco e que, eventualmente, tenham obtido a titularidade no decorrer da temporada.

1970 – Kosilek (Coritiba-PR), Rossi (Ferroviária-SP).

1971 – Nenhum atleta para a condição de titular.

1972 – Marco Antônio (América), Paulo César Puruca (América), Suingue (Corinthians-SP).

1973 – Zanata (Flamengo).

1974 – Nenhum atleta para a condição de titular.

1975 – Edu (América).

1976 – Abel (Fluminense), Marco Antônio (Fluminense), Zé Mário (Fluminense).

1977 – Dirceu (Fluminense), Geraldo (América), Orlando (América), Ramon (Sport-PE).

1978 – Nenhum atleta para a condição de titular.

1979 – Nenhum atleta para a condição de titular.

1980 – Ailton (América), Jorge Mendonça (Palmeiras-SP), Léo (Comercial-SP), Pintinho (Fluminense).

1981 – César (Palmeiras-SP), Rosemiro (Palmeiras-SP).

1982 – Claudio Adão (Fluminense), Pedrinho (Palmeiras-SP), Rondinelli (Corinthians-SP).

1983 – Almir (Campo Grande), Elói (América), Orlando Fumaça (Americano).

1984 – Aírton (América), Arturzinho (Bangu), Mário (Bangu), Pires (América).

1985 – Claudio Adão (Bangu), Vitor (Flamengo).

1986 – Paulo Roberto (Santos-SP).

1987 – Dunga (Santos-SP), Tita (Internacional-RS).

1988 – Dirceu (Avellino-ITA), Zé do Carmo (Santa Cruz-PE).

1989 – Nenhum atleta para a condição de titular.

1990 – Nenhum atleta para a condição de titular.

1991 – Eduardo (Cruzeiro-MG), Luisinho (Botafogo).

1992 – Régis (Braga-POR).

1993 – Claudio Gomes (Bangu).

1994 – Dener (Portuguesa de Desportos-SP), Luisinho (Celta-ESP), Ricardo Rocha (Santos-SP).

1995 – Clóvis (Vitória de Setubal-POR), Paulão (Benfica-POR).

1996 – Assis (Sporting-POR), Nilson (Palmeiras-SP), Rogério (Cruzeiro-MG), Serginho (Corinthians-SP), Válber (Internacional-RS), Zé Carlos (Porto-POR).

1997 – Almir (Belmare Hiatsuka-JAP), Celso (América-MG), Moisés (Catuense-BA), Ney Santos (Vitória-BA), Mauricinho (Botafogo).

1998 – Vitor (Cruzeiro-MG), Donizete (Cruzeiro-MG), Luisão (La Coruña-ESP).

1999 – Alex Oliveira (Atlético-PR), Paulo Miranda (Atlético-PR), Zé Maria (Perugia-ITA).

2000 – Jorginho (São Paulo-SP), Júnior Baiano (Palmeiras-SP), Romário (Flamengo).

2001 – Nenhum atleta para a condição de titular.

2002 – Leonardo Moura (Botafogo).

2003 – Alex (Ponte Preta-SP), Marcelinho Carioca (Gamba Osaka-JAP), Marques (Atlético-MG).

2004 – Alex Alves (Atlético-MG), Marcelinho Carioca (Al Nassr-SAU), Santiago (Olaria).

2005 – Marcos (Estrela Amadora-POR), Alex Dias (Goiás-GO), Allan Delon (Vitória-BA), Romário (Fluminense).

2006 – Andrade (Santa Cruz-PE), Edilson (São Caetano-SP), Fabio Baiano (Atlético-MG), Valdiram (Esportivo-RS).

2007 – André Dias (Iraty-PR), Conca (Rosário Central-ARG), Romário (Adelaide United-AUS).

2008 – Beto (Brasiliense-DF), Calisto (Rubin Kazan-RUS), Edmundo (Palmeiras-SP), Jonilson (Vegalta Jendai-JAP), Tiago (Portuguesa de Desportos-SP).

2009 – Carlos Alberto (Werder Bremen-ALE), Jeferson (Santo André-SP), Léo Lima (Palmeiras-SP), Nilton (Corinthians-SP), Paulo Sérgio (Grêmio-RS), Ramon (Internacional-RS), Rodrigo Pimpão (Paraná-PR), Titi (Náutico-PE).

2010 – Dodô (Fluminense), Jumar (Palmeiras-SP), Léo Gago (Avaí-SC), Marcio Careca (Barueri-SP).

2011 – Anderson Martins (Vitória-BA), Elton (Braga-POR), Eduardo Costa (Mônaco-FRA), Marcel (Santos-SP).

2012 – Rodolfo (Grêmio-RS), Thiago Feltri (Atlético-GO).

2013 – André Ribeiro (Novo Hamburgo-RS), Fillipe Soutto (Atlético-MG), Pedro Ken (Vitória-BA).

2014 – André Rocha (Figueirense-SC), Aranda (Olimpia-PAR), Douglas (Corinthians-SP), Everton Costa (Santos-SP), Marlon (Criciúma), Martin Silva (Olimpia-PAR), Rodrigo (Goiás-GO).

2015 – Christiano (Vila Nova-GO), Gilberto (Toronto-CAN), Julio dos Santos (Cerro Porteño-PAR), Madson (ABC-RN), Marcinho (Vitória-BA), Serginho (Criciúma-SC).

2016 – Marcelo Mattos (Vitória-BA).

2017 – Escudero (Puebla-MEX), Gilberto (Latina-ITA), Jean (Corinthians-SP), Kelvin (Porto-POR), Luís Fabiano (Tianjin Quanjian-CHN), Wagner (Tianjin Teda-CHN).

2018 – Desabato (Vélez Sársfield-ARG), Erazo (Atlético-MG), Giovanni Augusto (Corinthians-SP), Riascos (Milionários-COL).

2019 – Bruno César (Sporting-POR), Danilo Barcelos (Ponte Preta-SP), Lucas Mineiro (Ponte Preta-SP), Raúl Cáceres (Cerro Porteño-PAR), Ribamar (Ohod Al-Medina-SAU), Rossi (Internacional-RS), Yan Sasse (Coritiba-PR).

2020 – German Cano (independiente Medellín-COL).

O clube entre parênteses não é necessariamente aquele em que o atleta estava vinculado, em relação a direitos econômicos ou passe, mas sim o último pelo qual atuou antes de ser trazido para o Vasco.

Feliz Ano Novo a todos.

Sérgio Frias

Descumprimento e Desrespeito

Quem hoje imagina que a direção do Vasco vai à reunião do Conselho Deliberativo no intuito de discutir orçamento como algo primordial engana-se.

O presidente do clube e seus assessores jurídicos/políticos entenderam como um bom caminho para o futuro tentar na reunião de mais tarde votar contra a ata da reunião dos 150 a 1 (o hum era Alexandre Campello), usando de subterfúgios dos mais criativos e que tem como único objetivo não mostrar à comissão formada na reunião de outubro último o que foi pedido por ela (nove ofícios), aliás nenhum deles cumprido pelos responsáveis por fazê-lo, por determinação de Alexandre Campello.

A 20/12 o presidente do clube enviou carta aos conselheiros (clique aqui para ler) dizendo que o objeto da deliberação era díspar do conteúdo da convocação, o que não é verdade. Basta ler a convocação.

Disse, também, que a ata foi escrita de forma confusa a fim de confundir o Conselho Deliberativo.

A ata é uma mera expressão daquilo que foi dito e debatido no Conselho Deliberativo e não uma interpretação sobre o que foi dito e debatido. E as reuniões são gravadas.

A matéria deliberada está no edital de convocação, portanto não é estranha a ele.

A formação da comissão se dá justamente para, sem embaraços, poder averiguar o que o Conselho Deliberativo deliberou e deve ter ela, obviamente, amplo, geral e irrestrito acesso ao cadastro e poder, com isso, cumprir sua função.

A direção do clube desrespeitou a comissão formada quando não lhe deu acesso aos documentos exigidos nos ofícios protocolados, como também desrespeitou uma deliberação do próprio Conselho Deliberativo e, por extensão, de todos os conselheiros presentes que votaram pela abertura da sindicância nos moldes em que foi proposta e sem nenhuma contestação após o encaminhamento.

A risível desculpa de que a direção se preocupa com vazamento do cadastro para fora do clube nos faz pensar que há desconfiança prévia nos membros da comissão de algo ou que se quer pòr os conselheiros eleitos e natos sob desconfiança.

Quem está sob suspeita é a gestão e não os membros da comissão. A resistência em entregar documentos, além da busca de todas as formas de não aprovar uma ata com argumentos infantis, passa a permitir ser plausível ilações das mais diversas do que ela própria poderia ser capaz de fazer para continuar seu errático movimento quanto à questão em voga.

Já houve tentativa de aviltamento da lisura do processo eleitoral entre os meses de setembro e outubro deste ano, quando o presidente do clube ousou rasgar o estatuto do Vasco e considerar indeferidos pedidos de associação por um critério peculiar seu (número de fichas assinadas por proponente), caindo sua atitude deletéria no ridículo, junto à imprensa, às mídias sociais, o quadro social do clube e a ampla maioria dos torcedores vascaínos.

Agora o que se tenta é impedir acesso para que se vejam supostas irregularidades no cadastro do clube, o que se evidencia cada vez mais próximo de ter alguma razoabilidade, dada a forma como a direção atua na omissão de suas obrigações perante à comissão, que terminou seus trabalhos sem ter recebido nada, em mais uma infração estatutária clara de Alexandre Campello e seus subordinados.

Sérgio Frias

Copa Intercontinental x Mundial Interclubes

“Dois pesos e duas medidas”.

Em quantas ocasiões isso é ouvido quando o assunto da pauta na imprensa é o sucesso ou insucesso de Vasco e Flamengo?

Mais uma vez foi o visto após a justíssima e incontestável derrota rubro-negra há alguns dias, frente ao Liverpool.

Já houve comparação de manchetes dos órgãos globais, da época e de hoje, surgidas em mídias sociais.

Uma situação das mais embaraçosas foi criada para o grupo Globo, que mantém empregado seu diretor de esportes, após desfile dele, vestido de rubro-negro, na redação do jornal isento, e demite o fotógrafo, por ter mostrado não só o ridículo da cena, como a falta de compostura de quem supostamente comanda a área esportiva de um órgão imparcial.

Ainda chegará o dia em que o Extra publicará após uma vitória que leve o rubro-negro a uma final com o Vasco, a comemoração de um atleta do clube da Gávea em foto e um “Pintou o Vice”.

Talvez o jornal “O Globo” crie uma manchete igual para celebrar um título do Flamengo, como fez em 2003 com o Vasco.

Bastará, para tal, cremos, que o clube da Gávea vença um campeonato com brigas nas imediações do gramado no primeiro tempo da partida decisiva e duas expulsões (não em decorrência disso), independentemente do antológico gol da vitória ter valido o ingresso, tal a beleza do lance.

A manchete “Flamengo campeão na final da vergonha” virá mesmo assim. Vamos esperar (sentados).

Antes que outros debates constrangedores se deem em programas esportivos globais, com tentativas de se justificar o injustificável, fica uma sugestão:

Seria preferível que pedissem, em nome do grupo Globo, simplesmente sinceras desculpas (mesmo que não sejam sinceras as desculpas) à torcida vascaína, seu corpo funcional e diretor da época, admitindo uma parcialidade, que, temos todos certeza, deixará de existir a partir de agora.

Por outro lado, seria, também, de bom tom admitir ter sido um exagero dos mais primários afirmar ter o Flamengo jogado “de igual para igual” com o Liverpool de Firmino.

Mas, vamos ao incontestável e que trouxe em pesquisa recente a reação dos vascaínos nas mídias sociais, realizada sobre a maior atuação brasileira em decisões intercontinentais ou mundiais contra os europeus nos últimos 30 anos.

Diga-se de passagem a atuação do Vasco em 1998, só está abaixo daquelas protagonizadas pelo São Paulo contra o Barcelona (1992) e do Palmeiras frente ao Manchester United-ING (1999), em termos comparativos.

A atuação do Flamengo está bem abaixo das citadas acima, das outras duas decisões disputadas pelo São Paulo, da atuação do Grêmio em 1995 (que jogou mais de uma hora com 10 em campo), do Corinthians em 2012 e é mais parecida com a do Cruzeiro em 1997.

Sim, porque a equipe mineira perdeu na oportunidade boas chances de gol com o placar ainda em branco, mas sucumbiu, fundamentalmente, no segundo tempo, diante de uma equipe alemã mais coesa e organizada em campo.

É superior a atuação rubro-negra de 2019 apenas a do Grêmio em 2017, Internacional-RS em 2006 (ambos jogaram por uma bola e os colorados tiveram a sorte dela surgir e ser aproveitada), e a do Santos, em 2011, que tomou o maior passeio de um clube brasileiro, em confrontos decisivos, no decorrer de toda a história dos intercontinentais/mundiais.

Dito isso, comparemos, então, Vasco x Real Madrid (1998) e Flamengo x Liverpool (2019).

Primeiro a decisão da Copa Intercontinental de 1998.

Chances claras de gols:

Vasco 6 x 5 Real Madrid (considerando os gols marcados).

O Vasco dominou o segundo tempo, a partir do gol de empate assinalado por Juninho Pernambucano (que na época era só Juninho).

O Real Madrid criou três de suas cinco reais chances (incluindo o gol) antes de o Vasco empatar.

Depois do gol de empate cruzmaltino o time brasileiro criou mais cinco chances reais de marcar, uma delas com Mauro Galvão, assinalando um gol com a mão (a pelota ultrapassou a linha fatal), mas sem a paralisação do lance, porque nem bandeirinha nem árbitro viram o toque irregular do zagueiro vascaíno ou a bola entrar.

As outras chances foram com Felipe (três) e Ramon (uma), esta última já com o Real Madrid vencendo por 2 x 1.

Vinte e um anos depois tivemos a decisão do Mundial Interclubes, protagonizada por Flamengo e Liverpool.

Como foi a diferença de produção das duas equipes?

Chances claras de gols:

Liverpool 9 x 3 Flamengo (considerando o gol marcado).

O Flamengo teve domínio territorial durante parte do primeiro tempo, sem criar uma única chance real de gol, após início estonteante do Liverpool.

As três chances rubro-negras se deram uma no segundo tempo (defesa do goleiro para escanteio num chute de Gabriel) e duas no segundo tempo da prorrogação (Gabriel e Lincoln).

O Liverpool teve 9 chances claras.
Duas no primeiro tempo.
Quatro no segundo tempo.
Duas no primeiro tempo da prorrogação.
Uma no segundo tempo da prorrogação.

Saliente-se que uma outra chance do Liverpool foi perdida no primeiro tempo da prorrogação. O jogo seguiu, pois a bola sobrou para o Flamengo, mas com a emissora considerando ter havido impedimento e vantagem dada ao time rubro-negro, por isso tal oportunidade não foi contabilizada aqui (confiando no olho clínico da Globo sobre o lance, sem criar polêmica).

Ressalte-se ainda que o Liverpool teve duas faltas frontais, próximas à risca da área, em seu favor, não marcadas. Uma no primeiro tempo e outra no lance que ensejaria a expulsão do Rafinha, já nos acréscimos da etapa final, caso fosse assinalada.

Não consideremos aí, nos dois jogos citados, chutes para fora (de fora da área), chutes prensados pela zaga, chutes de fora ou dentro da área nos quais o goleiro agarra firme, o que sugere (nos casos vistos), que se deixasse a bola passar seria frango (chute de fora da área do Ramon contra o Real Madrid, em 1998, bicicleta do Gabriel e chute de Arnold da meia direita da área, amortecido pela zaga, antes de chegar às mãos do goleiro, em 2019).

Também não há como dizer que houve uma chance real de gol sem complemento da jogada, o que ocorreu várias vezes no confronto de sábado último, com as duas equipes, como também aconteceu em ataque do Vasco contra o Real Madrid em 1998.

Nove a três é o triplo de chances criadas de uma equipe em comparação à outra e dois terços das chances reais do Flamengo vieram com o time atrás do marcador.

A maioria das chances do Vasco se deram quando o jogo diante do Real Madrid estava empatado.

O Vasco de 1998, se comparado ao Flamengo de 2019, mostrou-se em outro patamar no confronto intercontinental. Algo inquestionável.

E olha que nem há menção nesse texto a Vasco x Manchester United-ING de 2000, com Romário e Edmundo em campo.

Aí já é outra dimensão.

Sérgio Frias

Passamento de um campeão

Se há uma patente no Vasco que lembra atleta específico do clube, esta não é Soldado, Cabo, Sargento, Tenente, Capitão (aí lembramos de muitos atletas), Major, General, Marechal (neste caso temos até uma pessoa específica, mas fora de campo).

O quatiense Coronel, Antônio Evanil da Silva, nome de batismo, patenteou para si não só o epíteto, como também a simbologia de aguerrimento linkada a ele.

Quem acompanhou o Vasco entre os anos 50 e 60 do século passado viu atuar pela lateral esquerda do time juvenil e profissional – fosse no já ultrapassado WM, ou no 4-2-4, ou ainda no 4-3-3 – um atleta com bom senso de marcação, firme, resoluto, que chegaria, inclusive, à Seleção Brasileira.

Pela seleção nacional disputou um Campeonato Sul-americano, realizado na Argentina, chegando ao vice daquele certame, e o Troféu O`Higgins, contra o Chile, conquistado pelo Brasil, em dois jogos.

Na ocasião foi ele o substituto de Nilton Santos, entrando no lugar do lateral botafoguense já na primeira partida do certame continental e atuando como titular nos jogos seguintes. Foram oito vezes, ao todo, vestindo a camisa da Seleção Brasileira, com seis vitórias e dois empates obtidos. Todos os jogos disputados em 1959.

Pelo Vasco, Coronel foi, inicialmente, Campeão Carioca Juvenil em 1954. Fazia ele parte do time dirigido por Eduardo Pellegrini, na condição de titular à época. Marcou três gols na campanha vitoriosa da equipe cruzmaltina naquele ano.

Antes disso, sagrou-se Campeão Brasileiro Juvenil pela Seleção do Distrito Federal (Torneio Paulo Goulart de Oliveira), em março de 1953. Já havia, também, participado de vários jogos com equipes mistas formadas pelo clube, no mesmo ano. Entre 1953 e 1954 foram 26 partidas amistosas realizadas em times alternativos do Vasco.

O atleta, descoberto pelo Vasco quando jogava em Barra Mansa, defendeu as cores de sua paixão como amador, depois profissional, entre 1952 e 1963, atuando nas conquistas de um Torneio Rio-São Paulo (1958), dois Campeonatos Cariocas (1956, 1958) e duas competições internacionais, uma delas realizada no Chile (1957) e outra tendo como local o México (1963).

Entre 1955, quando começou a brigar por vaga na equipe titular do Vasco, até 1963, foram 318 jogos com a camisa cruzmaltina. Participou ainda de três partidas válidas pelo Torneio Início, disputa que, embora oficial, constava de jogos mais curtos, portanto não computados dentro da lógica estatística convencional.

O atleta estreou, em partidas oficiais, na equipe principal a 07/05/1955, numa derrota frente ao Flamengo por 2 x 1, em jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Coronel entrou em campo substituindo a Dario, machucado, quando eram decorridos 21 minutos de jogo e o Vasco já perdia por 2 x 0.

Antes disso ele já havia sido escalado como titular da lateral esquerda num torneio amistoso (General Cordeiro de Farias), realizado em Pernambuco, com as presenças de Vasco, Bahia, Santa Cruz e Sport. Em seu debut Coronel participou da vitória cruzmaltina sobre a equipe tricolor pernambucana por 3 x 1, a 13 de março.

Em seu primeiro ano como titular absoluto da equipe (1956) Coronel foi Campeão Carioca.

Sua primeira assistência a gol ocorreu na derrota vascaína diante do Real Madrid-ESP por 5 x 2, estreia da equipe brasileira na Pequena Taça do Mundo da Venezuela, em 1956. Coronel serviu a Laerte, que marcou o tento inaugural daquela partida.

No mesmo torneio, diante da Roma-ITA, o lateral deu assistência a Vavá para que o centroavante marcasse o primeiro gol vascaíno na vitória por 3 x 1 sobre os italianos.

Envolvido intimamente com o clube, Coronel era garra em campo e um torcedor vascaíno fora dele. Após a conquista do Super Super Campeonato Carioca de 1958, o lateral cumpriu a promessa feita antes pelo título e raspou sua cabeça.

Ferrenho marcador de Garrincha, Coronel protagonizou lances duros contra o ponteiro, que levaram a confusões em campo nos clássicos entre Vasco e Botafogo.

O lateral perdeu várias disputas, ganhou outras, mas teve seu momento de gáudio em uma partida entre as equipes, válida pelo Torneio Rio-São Paulo de 1959, vencida pelo Vasco por 2 x 0.

Na ocasião, perante os aplausos da torcida cruzmaltina, fez de Garrincha seu “João”, após driblar por duas vezes consecutivas o ponta, algo raro, mas inesquecível para os vascaínos da época.

A fibra de Coronel por vezes lhe fazia sofrer duras consequências, como quando salvou um gol certo do corintiano Rafael, após este driblar o arqueiro Ita, em partida disputada no Pacaembu, válida pelo quadrangular final do Torneio Rio-São Paulo de 1961. Naquela oportunidade sofreu uma séria distensão muscular, mas ajudou a que o Vasco vencesse pelo placar de 2 x 0.

A última partida oficial disputada por Coronel com a camisa cruzmaltina ocorreu na rodada derradeira do Campeonato Carioca de 1962, contra o Campo Grande, no Maracanã (empate por 3 x 3). O placar se repetiu, também, no último jogo do atleta pelo Vasco, um amistoso contra o Grêmio Estrela, de Juiz de Fora, realizado a 23/07/1963 na cidade mineira.

Era o fim de uma trajetória vitoriosa no clube de São Januário, marcada não pelos grandes lances ofensivos (apenas cinco assistências e nenhum gol marcado) e sim pela fibra defensiva e superação reinante a cada grande embate do Vasco nas mais diversas competições.

Do Vasco Coronel saiu para o Náutico em setembro de 1963. Lá participou da conquista do título que abriria uma série inesquecível para os alvirrubros, até o Hexacampeonato Pernambucano em 1968.

Atuaria ainda pela Ferroviária, de Araraquara, Nacional, da capital paulista, chegando, também, a jogar no futebol colombiano, defendendo o União Magdalena. Em maio de 1968 partiu para o futebol venezuelano a fim de defender o Lara F.C., mas sofreu por lá uma fratura no pé esquerdo, que o deixou parado por meses e precipitou seu fim de carreira aos 33 anos de idade.

Por anos era visto nas sociais do Vasco ao lado do companheiro de time Orlando Peçanha.

Chegou ele a treinar a equipe cruzmaltina de profissionais em algumas partidas amistosas nos anos 70, mas sua satisfação era mesmo acompanhar o time em campo como mais um dentre os milhares de vascaínos presentes em inúmeros jogos realizados em São Januário.

Coronel nos deixou ontem, mas fica patente sua identificação com o Vasco. Todos lhe aplaudem de pé pelos serviços prestados ao clube, tal qual fizeram os torcedores cruzmaltinos presentes naquele 30/04/1959, quando o lateral inovou, fazendo Mané Garrincha de “João”.

Sérgio Frias