Sérgio Frias
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Gigante da e na Colina

Jogar clássicos estaduais em São Januário não apequena o Vasco, porque São Januário tem capacidade para receber clássicos estaduais.

Já o adversário, centro da polêmica presente, está apequenado há quase 100 anos, pois seu estádio próprio (via terreno doado pelo Poder Público) não tem capacidade para receber um clássico frente ao Vasco, em jogos oficiais, desde o surgimento do Maracanã, em 1950.

Por outro lado, o Maracanã não é do Flamengo, mas muita gente faz força para que assim seja visto, logo não é neutro, na prática, dadas as atuais condições vigentes, a partir da concessão dada a ele Flamengo e ao Fluminense, por longos anos.

Jogar no Maracanã para o Vasco só deve interessar quando num turno o rubro-negro tiver condições de visitante e noutro o Vasco as tenha, ou, então, com condições absolutamente iguais quanto à divisão de ingressos para as duas torcidas, para os dois clubes e demais acertos, que sejam convenientes ao Vasco.

Se o Poder Público se vê incompetente para garantir o jogo em São Januário com a torcida rubro-negra na qualidade de visitante, isso não pode ensejar uma punição ao clube, impedindo-o de atuar em seu estádio.

Resta, neste caso, atuar com torcida única, embora o próprio Vasco jamais tenha declarado ser essa sua vontade precípua, tanto que em todos os confrontos na história, até hoje, houve a presença das duas torcidas.

Vale ressaltar ainda que o comportamento da torcida rubro-negra quando foram vices da Taça Guanabara de 1992 ou quando se desesperavam pela iminência do rebaixamento em 2005 mereciam punição ao clube da Gávea, o que não ocorreu, diferentemente do visto em relação ao Vasco no ano de 2017, ocasião na qual o alvo de alguns torcedores vascaínos, situados na arquibancada, não foi o Flamengo e sim o próprio Vasco, prejudicado por tais atitudes, quanto à presença de seus torcedores em São Januário por seis ocasiões, posteriores àquele jogo.

Lutar pelo direito de o Vasco atuar em casa nos clássicos estaduais, após a mutilação do Maracanã, no qual cabiam mais de 180 mil pessoas, contra menos de 70 mil hoje, faz todo o sentido para o clube, pois a proporção entre as duas praças esportivas diminuiu consideravelmente.

E, para fechar, o fato de o Vasco querer mandar seu clássico contra o Flamengo para São Januário não lhe tira o direito de, em querendo, atuar no Maracanã eventualmente, pois, relembrando, o Maracanã não é do Flamengo, o que pertence ao rubro-negro (por benesse obtida junto ao Poder Público) é o minúsculo estádio da Gávea, local, por sinal, no qual impera a supremacia cruzmaltina nos confrontos diretos, tal qual ocorre, evidentemente, em São Januário.

Sérgio Frias

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