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No dia 16 de junho, somente dois dias após vencer o Real Madrid na final do Torneio de Paris e depois de terem viajado de ônibus por cerca de 11 horas, a equipe vascaína conquistou, na Espanha, o famoso Troféu Teresa Herrera.

O evento e o troféu possuem esse nome em homenagem a Teresa Margarita Herrera y Posada, que nasceu na cidade de La Coruña, em 10 de novembro de 1712. Em decorrência da sua história de vida, Teresa Herrera tornou-se um símbolo corunhês de dedicação aos menos favorecidos. Em 1789, doou todos os seus bens no intuito de que se pudesse fundar na sua cidade natal um hospital em prol da caridade.

No ano de 1946, com a ajuda da Junta Local de Beneficencia, criou-se um evento futebolístico em La Coruña com o objetivo de arrecadar fundos para a caridade. Nascia o “Trofeo Teresa Herrera”, cuja primeira partida se celebrou em 31 de julho daquele mesmo ano, com uma vitória do Sevilla/ESP por 3 a 2 sobre o Athletic Bilbao/ESP. Para maiores informações sobre a história do Troféu, acesse: Trofeo Teresa Herrera.

Na sua décima segunda edição (XII Trofeo Teresa Herrera), o convidado foi o Vasco, que já tinha participado em 1947. Na época, o Expresso da Vitória foi derrotado pelo Athletic Bilbao por 3 a 2. Dessa forma, a disputa de 1957 seria a possibilidade de uma revanche, pois, 10 anos após o primeiro encontro, o Vasco teria pela frente o mesmo adversário.

O Vasco era o atual Campeão Carioca (1956), havia derrotado o afamado Real Madrid e era um dos principais representantes do futebol brasileiro. O Athletic Bilbao tinha conquistado o título espanhol na temporada 1956/1957, obteve um quarto lugar na temporada 1956/1957 e era uma das principais equipes espanholas.

Os vascaínos chegaram a La Coruña duas horas antes da partida. Superando todas as dificuldades da viagem, tendo pouco tempo de descanso, o Vasco venceu a equipe do Athletic Bilbao por 4 a 2, com dois gols de Vavá e outros dois de Válter. Assim, tornou-se o primeiro clube brasileiro a conquistar o Troféu Teresa Herrera, que na época possuía bastante prestígio, sendo um dos principais eventos do calendário anual de futebol de clubes. Confira a lista de campeões.

FICHA TÉCNICA DA PARTIDA

Partida: Club de Regatas Vasco da Gama 4×2 Athletic Club Bilbao
Evento: Troféu Teresa Herrera (12º Edição)
Data: 16 de junho de 1957
Local: Estádio Municipal de Riazor – La Coruña/ESP
Público: 40.000 presentes

CR Vasco da Gama:
Carlos Alberto; Dario, Viana, Orlando e Ortunho; Laerte e Válter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga.
Técnico: Martim Francisco

Athletic Club Bilbao:
Carmelo; Orúe, Canito, Mauri, Garay, Maguregui, Arteche (Bilbao), Marcaida (Echániz), Uribe, Aguirre (Arteche) e Gainza.

Gols:
1º Tempo – Vavá 23′, Válter 24′;
2º Tempo – Bilbao (A.B.) 9′, Válter 28′, Vavá 34′, Echániz(A.B.) 35′.

Árbitro: Joaquín Fernandez 

 

Por Cláudio Nogueira

O cenário, o Estádio Parque dos Príncipes, na capital francesa. O adversário, o Real Madrid, então bicampeão europeu 1955/1956 e 1956/1957, e já naquele tempo dono de um elenco milionário, com Puskas, Di Stéfano, Kopa, Gento e outros. Mas nada disso intimidou o Vasco que, em plena Cidade Luz, ofuscou as estrelas do adversário e fez brilhar o futebol brasileiro, antes mesmo da conquista da primeira Copa do Mundo, a de 1958, na Suécia. Ao fim do duelo, os vascaínos superaram o time merengue por 4 a 3 e ergueram o primeiro Troféu de Paris, a 14 de junho de 1957.

Disputado pela primeira vez há 60 anos, o troféu deveria ter tido sua edição inicial em 1956, para marcar os 50 anos do feito do brasileiro Santos Dumont, que havia sobrevoado a capital francesa a bordo de seu 14 Bis. Entretanto, a versão inaugural do torneio só iria ocorrer em 1957, reunindo também o Racing Paris, representando a cidade, e o Rot-Weiss Essen, campeão da Alemanha em 1955. 

Como ainda não havia Campeonato Brasileiro nem Libertadores da América, o Vasco foi convidado porque havia sido o campeão do primeiro e único (até então) Sul-Americano de clubes, em 1948, no Chile, e como campeão carioca de 1956. Na primeira rodada, a 12 de junho, o Real Madrid arrasara o Rot Weiss Essen por 5 a 0; enquanto o time de São Januário eliminara os donos da casa: 3 a 1, gols de Livinho, Pinga e Vavá.

No dia 14, depois dos 7 a 5 do anfitrião Racing sobre o visitante Rot Weiss Essen, os cerca de 40 mil torcedores presentes ao Parque dos Príncipes assistiram a um espetáculo emocionante e cheio de alternativas, digno do confronto entre “o melhor time da Europa” e o “melhor da América do Sul”, como os jornais o anunciaram na época.

PInga Vasco Torneio de Paris 1957

Na foto: O capitão vascaíno Pinga com o troféu do Torneio de Paris

Com força máxima, a equipe madridista abriu o placar aos 4 minutos, com Di Stéfano, que curiosamente, se defrontara com o Vasco atuando pelo River Plate da Argentina, na final do Sul-Americano de 1948. Era uma competição por pontos corridos, e os vascaínos ergueram a taça, graças ao empate sem gols.

Ainda no primeiro tempo, o Vasco igualou o marcador com Valter Marciano, aos 20, e virou aos 32 com Vavá – que em 1958 se tornaria o Leão da Copa na Suécia. Após o intervalo, aos 8 minutos, Mateos empatou. A partida seguiu equilibrada até Livinho fazer Vasco 3 a 2, aos 21 da segunda etapa. A vitória e o título foram praticamente assegurados aos 39, com outro gol de Valter Marciano – que acabaria posteriormente indo jogar no futebol espanhol. O francês Kopa diminuiu a um minuto do fim, mas a taça já estava endereçada ao Rio. E a decisão teve direito a confusão generalizada entre os times no segundo tempo.

Naquele distante junho de 1957, o lateral Paulinho e o zagueiro Bellini desfalcaram a equipe carioca, pois estavam com a seleção na Copa Roca, contra a Argentina. Orlando Peçanha era o único titular da zaga. Na mesma excursão à Europa, a 16 do mesmo mês, a equipe iria conquistar outro importante troféu internacional, o Teresa Herrera, em La Coruña, com 4 a 2 sobre o Athletic Bilbao, da Espanha, com dois gols de Vavá e dois de Valter.

À época, o jornal francês “L’Équipe”, destacou: “E então, bruscamente o Real desapareceu literalmente. Seriam as camisas de um vermelho pálido ou os calções de um azul triste que enfraqueciam a soberba equipe espanhola? Não. É que, antes, apareceram subitamente do outro lado os corpos maravilhosos, apertados nas camisas brancas com a faixa preta, de 11 atletas de futebol, de 11 diabos negros que tomaram conta da bola e não a largaram mais. Durante a meia hora seguinte a impressão incrível, prodigiosa, que se teve é que o grande Real Madrid campeão da Europa, o intocável Real vencedor de todas as constelações européias estava aprendendo a jogar futebol”. (…)”

A edição inaugural do Torneio de Paris foi considerada uma precursora das futuras Copas Intercontinentais e Mundiais de Clubes. Apesar do torneio ter sido organizado como amistoso, ao menos um veículo da imprensa brasileira da época, o “Jornal dos Sports”, chegou a citá-lo uma vez como a conquista de um título mundial de clubes pelo Vasco. De qualquer forma, aquela havia sido a primeira ocasião em que o  Real Madrid havia sido derrotado por uma equipe não-europeia, depois de ter sido bicampeão continental.

Aquele resultado causou um impacto perante a imprensa europeia, levando-a a afirmar que a vitória vascaína elevava o nome do futebol brasileiro, demonstrava que o time madridista não era invencível e que com  “com brasileiros em campo, nada mais existia, nem mesmo o Real Madrid”. Por mais que o Real pudesse se sentir cansado ao fim da temporada europeia, o futuro do futebol não era a Europa, mas sim a América do Sul. Sábia previsão, já que a seleção brasileira ganharia as Copas de 1958, 1962 e 1970.

O torneio na capital francesa motivou a criação da Copa Intercontinental, anunciada em 1958 pelo brasileiro João Havelange como convidado em reunião da UEFA e disputada a partir de 1960.
 
Vasco 4 x 3 Real Madrid

Real Madrid: J. Alonso; Torres, Marquitos (Santamaría), Lesmes; Muñoz e A. Ruiz; Kopa, Mateos, Di Stéfano, Rial (Marsal) e Gento.

Vasco: Carlos Alberto; Dario, Viana, Orlando e Ortunho; Laerte e Valter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga.

* Cláudio Nogueira é jornalista do SporTV e autor dos livros “Futebol Brasil Memória – De Oscar Cox a Leônidas da Silva”, “Os dez mais do Vasco da Gama” e “Vamos todos cantar de coração: os 100 anos do futebol no Vasco da Gama” (e-book)

Fonte: Memória EC

O dia 20 de março está definitivamente marcado na vida de Milton Mendes, o novo treinador cruzmaltino.

Na mesma data em que foi apresentado oficialmente como o novo comandante da equipe vascaína, Milton Mendes fazia sua estreia como jogador no próprio Vasco, onde se formou na base, jogando ao lado de Romário, Lira e Mazinho, e conquistando títulos, como o Carioca juvenil de 1983 (1º do Vasco nesta categoria) e o Carioca de juniores de 1984.

Mesmo com apenas 19 anos, e apesar do nervosismo, teve boa atuação atuando ao lado de Acácio, Geovani e Donato, inclusive sendo elogiado pelo “Jornal dos Sports”.

A partida contra o Coritiba, futuro campeão brasileiro, era válida pelo 2º turno do Brasileiro daquele ano, e o empate deu a liderança provisória em seu grupo, ao Gigante da Colina.

Vamos relembrar mais este jogo da belíssima História Cruzmaltina !

O Globo (21/03/1985)
Jornal dos Sports (21/03/1985)

“Sem seis titulares, em especial Roberto e Mauricinho, o Vasco, ainda assim, esteve para ganhar do Coritiba, que se esforçou muito para conseguir o empate de 0 a 0, ontem a noite, no Estádio Couto Pereira. O resultado foi bom para os dois times, pois o Coritiba manteve a liderança do Grupo A e o Vasco também manteve a ponta do seu grupo, junto com o Bahia que empatou com o Santa Cruz.

Talvez se Edu tivesse escalado Romário, desde o inicio do jogo, o Vasco poderia ter conseguido a vitória, pois Claudio José perdeu boas oportunidades e não soube como fugir à marcação do adversário. O desfalque de Mauricinho prejudicou muito o time carioca, pois Gilberto preferiu ajudar no combate no meio-campo.

O empate só não agradou por ter sido de 0 a 0, pois os goleiros fizeram boas defesas, principalmente Rafael que em duas oportunidades soltou duas bolas chutadas com violência. Acácio, no final, impediu o gol do Coritiba, com uma defesa sensacional. Uma cabeçada de Índio, por cima do travessão, também assustou o Vasco. Se entra, faria injustiça ao time de Edu, melhor em campo.

Pressionado por tua torcida, que não admitia o empate em casa, o Coritiba tentou de tudo para agredir o Vasco, mas esbarrava no bloqueio muito bem comandado por Luis Carlos no meio-campo. Depois que Romário entrou, dando mais velocidade ao ataque carioca, o Coritiba procurou se fechar um pouco, o que acabou irritando a sua torcida. Para o Vasco, o resultado teve o sabor de vitória por ter sido alcançado no campo do adversário e sem meio time.” (Jornal dos Sports – 21/03/1985)

Jornal do Brasil (21/03/1985)

As atuações dos atletas vascaínos segundo o “Jornal dos Sports”:

Acácio
Nas poucas vezes em que foi solicitado, o fez muitíssimo bem.

Milton Mendes
Uma boa estreia, apesar do nervosismo no início.

Donato
Um dos melhores do time.

Ivan
Andou apelando um pouco. Por isso, levou um cartão amarelo que o tirou do clássico com o América.

Airton
Não foi fácil segurar Lela.

Luis Carlos
O melhor do time, mais uma vez.

Geovani
Um lançamento genial que deixou Romário na cara de Rafael. Boa partida.

Gilberto
Foi mais marcador do que qualquer outra coisa. Aos 35 do final, se contundiu e deu vaga a Mario Tilico, pouco solicitado.

Cláudio José
Deveria ter sido substituído no primeiro tempo.

Romário
Entrou aos 14 minutos do final e aumentou a agressividade do time.

Silvinho
Apenas algumas boas jogadas.

Fonte: História Cruzmaltina

 

No dia 01 de março de 2003, um sábado de Carnaval, o Vasco conquistava a Taça Guanabara após empatar em 1 a 1 com o rival da Gávea.

A festa do título teve direito até a distribuição, dentro do gramado, de bolinhos de bacalhau por parte da diretoria cruzmaltina, numa resposta ao então presidente rubro-negro Hélio Ferraz, que havia dito que comemoraria o título comendo a iguaria lusitana após o fim do jogo.

Petkovic foi um dos que se mostraram contrariados com a comemoração antecipada por parte do rubro-negro, criticando a atitude dos dirigentes do seu ex-clube:

“O Flamengo desrespeitou o Vasco o tempo todo. Durante a semana já dava a conquista da Taça Guanabara como certa. Acabou pagando um preço alto por isso”.

Vamos relembrar a conquista da 11ª Taça Guanabara da história cruzmaltina !

“Na final da 38ª Taça Guanabara, jogando melhor desde o princípio, a equipe do Vasco trazia problemas constantes à meta do arqueiro adversário, Júlio César. Além disso, o clima tenso da disputa permeava a atitude dos jogadores na cancha.

Com um minuto de jogo, Fábio Baiano, do Flamengo, cometeu falta dura sobre o zagueiro Wellington Paulo, numa dividida da área vascaína. Aos nove, Wellington Monteiro agarrou por trás o rubro-negro Jorginho. Finalmente, aos 20 minutos, o primeiro cartão amarelo do espetáculo. André Gomes, do Fla, tentou dar um chapéu em Wellington Monteiro, mas este se recuperou na jogada, ganhando a dividida. No desespero, André Gomes atingiu o peito do adversário, erguendo por demais o pé no lance, o que ensejou a advertência formal do juiz.

Cinco minutos após, o lateral vascaíno Russo disparou em velocidade pelo lado direito, campo de ataque do seu time, e foi derrubado por trás pelo próprio André Gomes. O árbitro Carlos Jorge Moreira preferiu não mostrar o segundo cartão amarelo ao reincidente infrator, que permaneceria naquele combate até ser substituído no comecinho do segundo tempo.

A melhor postura no gramado premiaria a equipe de São Januário, com a abertura do placar aos 31 minutos, através de Wellington Monteiro, após belo passe de Marcelinho Carioca. O próprio Marcelinho viria a perder ainda duas chances cara a cara com o goleiro para ampliar o marcador: a primeira delas desperdiçada próximo ao término da etapa inicial e a segunda no início do período final , sendo que em ambas errou por pouco o alvo.

O confronto , na etapa complementar, seguia com as duas equipes próximas do gol. O Fla tentando pressionar e o Vasco perigoso a cada contragolpe. Aos 27 minutos, Athirson recebeu em posição legal e marcou aquele que seria o gol do empate rubro-negro, porém, foi erradamente marcado o impedimento. Cinco minutos depois o Fla igualou o marcador, pondo fogo no jogo.

Dali em diante, a partida ganhou em emoção e nervosismo, com duas expulsões aos 43 minutos (uma pra cada lado), invasão do gramado por parte de um torcedor vascaíno, aos 46, paralisando o clássico por um minuto exato, um derradeiro cartão vermelho aplicando sobre outro atleta da equipe vermelho e preta no minuto seguinte, mas sem alteração do escore até o fim.

Embora houvesse a remotíssima chance de o Americano vir a conquistar a Taça Guanabara caso vencesse o Friburguense no jogo a ser realizado quatro dias depois, em Campos, por oito gols de diferença (as duas equipes viriam a empatar em 0x0), a taça de campeão foi erguida pelo Vasco ainda no gramado, junto à farta distribuição de bolinhos de bacalhau, comandada por Eurico Miranda, em resposta às declarações dadas pelo presidente rubro-negro Hélio Ferraz durante a semana. Este vaticinara a vitória do Fla no clássico e já antecipara seu desejo de celebra-la comendo um bacalhau bem saboroso.

Atletas e torcedores invadiram o campo para festejar a conquista e se esbaldaram.”

Fonte: Livro “Eurico Miranda – Todos contra ele” – Sérgio Frias

Jornal do Brasil – 02/03/2003

Jornal do Brasil – 02/03/2003

O Globo – 02/03/2003

Compacto do jogo:

A ficha da partida:

Vasco Da Gama 1 x 1 Flamengo (RJ)
Data: 01/03/2003
Campeonato Estadual
Local : Estádio Do Maracanã (Rio De Janeiro – RJ)
Arbitro : Carlos Jorge Lopes Moreira
Público : 25.781
Gols : Wellington (Vasco 31/1ºT) e Zé Carlos (Flamengo 32/2ºT)
Expulsão : Marcelinho (Vasco) e Fernando e Jorginho (Flamengo)

Vasco – Fábio, Russo, Alex, Wellington Paulo, Wellington (Siston), Henrique (Rogério Corrêa), Bruno Lazaroni, Petkovic, Marcelinho, Cadu e Valdir (Léo Lima) Técnico : Antônio Lopes

Flamengo – Júlio César, Alessandro, André Dias, Fernando, Athirson, Jorginho, André Gomes (Jean), Fábio Baiano (Fabiano Cabral), Felipe, Zé Carlos e Fernando Baiano (Andrezinho) Técnico : Evaristo Macedo

Fonte: História Cruzmaltina

No dia 20 de fevereiro de 1982, o Vasco vencia o Peñarol por 1 a 0, gol de Da Costa no último minuto da prorrogação, e conquistava o Torneio do Uruguai.

Para chegar a final, o Gigante da Colina eliminou o Defensor nos pênaltis por 4 x 3, após empate em 2×2 no tempo normal. Já o Peñarol derrotou o Internacional-RS também nas penalidades máximas (3×1), após empate em 1 a 1 nos 90 minutos.

As equipes uruguaias seriam as representantes do país na Taça Libertadores daquele ano, competição que o Peñarol viria a conquistar após eliminar o Flamengo na fase semi-final em pleno Maracanã.

Vamos recordar mais esta conquista do Vascão !

Jornal do Brasil (21/02/1982)

“O Vasco obteve ontem no Estádio Nacional o primeiro titulo para o futebol brasileiro em 1982 ao vencer o Peñarol por 1 a 0, gol de Da Costa, aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. Da Costa aproveitou com oportunismo e talento uma bela jogada em profundidade iniciada por Renato Sá e concluída por Roberto, que deixou a bola na medida para o toque sutil de Da Costa. Era o gol do titulo do Torneio Internacional de Verão.”

(Jornal do Brasil – 21/02/1982)

Jornal dos Sports (21/02/1982)
Jornal dos Sports (21/02/1982)

“O Vasco conquistou o Torneio de Verão ontem à noite, ao vencer o Peñarol por 1 a 0, gol do ex-juvenil Da Costa no ultimo minuto da prorrogação — o tempo normal terminou empatado em 0 a 0 — e recebeu um lindo troféu, garantindo ainda o direito de disputar contra o campeão da Recopa (competição entre os campeões das copas nacionais da Europa) um troféu, em agosto, em Tóquio. A delegação do Vasco chega hoje ao Rio, às 13h40 minutos.

O primeiro tempo não foi dos melhores. Os dois times apresentaram-se muito lentos e sem muita inspiração. Mesmo assim surgiram muitas chances de gols para ambos.

Sem Ricardo, sacado do time por Antônio Lopes pelas reclamações do apoiador durante a sua substituição, na quinta-feira, e sem Rondineli, vetado pelo medico logo após o almoço, mas com Cláudio Adão no meio campo ao lado de Dudu e Marquinhos — Silvinho entrou na ponta-esquerda —, o Vasco sentiu muita a falta dos titulares e também o piso do estádio (enlameado por causa das fortes chuvas de ontem, que obrigou o retardamento do inicio (das 17 para as 18 horas) e por isto errou muitos passes.

Os erros do Vasco foram mais na defesa e no meio-campo, principalmente na cabeça de área, onde Dudu, muito gordo, não rende o suficiente na marcação ao ataque adversário. E foi por ali que o Peñarol encontrou facilidade, fazendo muitas vezes Mazaropi sair para interceptar a passagem dos atacantes uruguaios, agarrando a bola ou colocando-a a córner. O Peñarol teve pelo menos quatro ótimas chances de marcar: aos 11, com Falero, aos 28 através de Sanjoriato, e aos 32 e 34 minutos por intermédio de Morena. O Vasco teve duas: aos 6, num chute forte de Pedrinho, depois de uma boa triangulação de Silvinho e Roberto, e aos 17 minutos, por intermédio de Adão, que após driblar toda a defesa chutou por cima com perigo.

O segundo tempo foi praticamente a cópia do primeiro, ou seja, os dois times continuaram praticando um futebol feio, sem inspiração e sem nenhuma empolgação, o que levou o público presente a vaiar o jogo, irritado com o mau futebol e com a chuva que caiu ontem à tarde nesta cidade.

Como no primeiro tempo, na etapa final aconteceram alguns lances perigosos de gols para ambas as equipes, mas o placar continuou o mesmo 0 a 0. O Peñarol teve três excelentes chances aos 20, através de Ortiz que chutou forte e à direita de Mazaropi, após indecisão da zaga vascaina. Aos 23 minutos, Jair acertou um chute forte, da ponta-direita obrigando Mazaropi a colocar a córner; aos 25 minutos, Abaldi acertou um chute forte da entrada da área, mas a bola bateu em Ivan indo para córner. O Vasco teve pelo menos duas chances: aos 24 minutos, Roberto deu a Marquinhos que bateu cruzado com perigo para o Peñarol e aos 30 minutos, Roberto iniciou contra-ataque e lançou Adão entre os zagueiros, mas o atacante não foi feliz na conclusão.

A prorrogação – Na prorrogação, ao contrário dos 90 minutos, os dois times praticaram um futebol competitivo e com muitos lances de emoções, procurando o gol. O primeiro tempo terminou empatado em 0 a 0. Veio o segundo tempo e já no ultimo minuto Da Costa foi lançado por Roberto e na saída do goleiro tocou por cima, um golaço.”

(Jornal dos Sports – 21/02/1982)  

As atuações da equipe cruzmaltina, segundo o Jornal do Brasil:

Jornal do Brasil (21/02/1982)

Ficha do jogo:

 

Torneio de Verão do Uruguai 1982
Peñarol 0x1 Vasco da Gama
Local – Estádio Centenário (Montevidéu)
Arbitro – Ernesto Felipe (Uruguaio)

Peñarol — Alves, Oliveira, Diogo, Falero e Morales; Ortiz, Jair e Sanjoirato; Yawson, Fernando Morena e Rodrigues.
Vasco da Gama – Mazaropi, Rosemiro, Marajó, Ivan e Pedrinho; Dudu, Marco António, Rodrigues e Cláudio Adão; Zinho, Roberto e Silvinho.

1° tempo — 0 a 0
2° tempo — 0 a 0
Prorrogação: 1° tempo — 0 a 0
Final: Vasco 1 a 0, gol de Da Costa aos 28m
Substituições:
No Peñarol – Gutierez no lugar de Oliveira e Sanjoirato no de Atalde.
No Vasco – Renato Sá no de Silvinho e Da Costa no de Marco Antônio.
Cartão amarelo — Gutierrez (Peñarol)

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Fonte: História Cruzmaltina

No dia 19 de fevereiro de 1984 o Vasco da Gama alcançou a sua maior goleada na longa trajetória já percorrida pelo time cruzmaltino nos Campeonatos Brasileiros. O adversário massacrado por 9 a 0 foi a paraense Tuna Luso, campeã estadual do ano anterior e clube que, como o Vasco, fora fundado por portugueses e adotou a faixa diagonal e a Cruz de Malta.
 
A partida valeu pela primeira fase da Taça de Ouro e foi disputada em São Januário. No ano anterior, valendo pela mesma competição, o Corinthians Paulista bateu o piauiense Tiradentes por 10 x 1, goleada que permanece até hoje como a maior de todos os tempos nos Brasileirões.
 
Arthurzinho foi o grande destaque do encontro ao fazer quatro gols, sendo o derradeiro aos 48 minutos da etapa final, levando a torcida vascaína ao delírio. Empolgados no intuito de bater o recorde do clube de São Paulo, torcedores e jogadores empurraram o time até o último instante. O zagueiro uruguaio Daniel González (falecido cerca de um ano depois num acidente de carro) queria um placar maior e foi quem mais incentivou o talentoso e aguerrido baixinho “Rei Arthur” a dar seu sangue até o segundo final.
 
Marcelo, companheiro de ataque de Roberto Dinamite (que desfalcou o time nesse dia), assinalou três tentos. Geovani, o “Pequeno Príncipe”, e Airton completaram a artilharia. 
 
Revista Placar (20/02/1984)

“O baixinho, veloz e irresistível Arthurzinho foi o grande herói dos massacrantes 9 x 0 que o Vasco aplicou no esforçado e leal Tuna Luso, domingo, em São Januário. Foi a maior goleada desta Copa Brasil e a primeira derrota do time paraense, que havia tomado apenas dois gols em seus quatro primeiros jogos. Arthurzinho levou a torcida ao delírio ao marcar quatro gols e criar as jogadas que resultaram nos três gols do centroavante Marcelo, o substituto de Roberto Dinamite, que não jogou porque passou a semana com dores lombares.

“Estava devendo esta exibição à torcida”, comentava, emocionado, Arthur dos Santos Lima, 27 anos, 1,62 m, sem parar de beijar e acariciar seu crucifixo de ouro, gestos com que comemorou principalmente seu primeiro gol no jogo e no torneio, ele que veio do Bangu para o Vasco por 400 milhões de cruzeiros depois de ter sido vice-artilheiro do último Campeonato Carioca, com 18 gols. E tinha boas razões para a emoção: “A vitória afastou definitivamente a suspeita de que eu sentia o peso da camisa. Agora, estou de moral alta”.

Marquinho (E), um dos melhores, festeja mas um gol de Arthurzinho. (Jornal do Brasil – 20/02/1984)

QUATRO GOLS COM AS BENÇÃOS DO PADRE MAX

Sua alegria começou logo aos 5 minutos, quando completou com um chute rasteiro e indefensável o cruzamento do ponta-direita Jussiê: “Ali terminava o meu pesadelo. Só pensei em Deus, pois sou um cara que tem muita fé”. O pesadelo era a falta de gols nos primeiros cinco jogos do Vasco e a falta de uma grande exibição ante a torcida, pois ele só havia jogado bem fora do Rio. Na sexta-feira, 48 horas antes do massacre, Arthurzinho procurou o padre Max, da paróquia de Bangu: “Fui me benzer porque estava me faltando sorte. Sabe que joguei com o tornozelo inchado? Pois é, fui para o sacrifício porque pressentia uma grande exibição”.

A exibição foi facilitada pela volta do incansável ponta-esquerda Marquinho, que renovou seu contrato na semana passada e “garantiu melhor marcação no meio-campo, liberando o Arthurzinho para criar e marcar gols”, como explicava depois do jogo o técnico Edu. Aliás, Marquinho, 1,68 m, e Pires, 1,69 m, formaram, com o Rei Arthur, o irresistível trio de baixinhos que levou o Vasco à goleada, com que o time já havia se desacostumado desde os primeiros meses de 1982, quando vencera seguidamente o Moto Clube (7 x 0), o Internacional-SM (7 x 0) e o Operário (7 x 1) e que é a segunda maior de toda a história da Taça de Ouro, perdendo apenas para os 10 x 1 que o Corinthians aplicou no Tiradentes no ano passado.

DANIEL NÃO PAROU DE GRITAR. E PEDIA DEZ

O Vasco jogou bem desde o início e terminou o primeiro tempo vencendo por 4 x 0, com gols de Arthurzinho aos 5 e aos 40, Geovani aos 22, cobrando pênalti, e Aírton aos 29. Mas foi irresistível no segundo tempo, depois que Arthurzinho pôs definitivamente banca de Rei ao marcar seu terceiro gol logo aos 4. Com a disposição de quem não acredita em bola perdida, aproveitou-se de uma indecisão do zagueiro-central Bira, roubou-lhe a bola e achou o resto muito fácil: “Só precisei dar três passos e colocar a bola no cantinho”. A partir desse gol, a torcida entrou em delírio total, exigindo a ampliação da goleada. O Vasco embalou e colocou o time da Tuna Luso na roda, sempre em jogadas de velocidade que partiam dos pés de Arthurzinho, Marquinho e Pires. Assim, saíram os três gols de Marcelo, aos 8, aos 9 e aos 29.

Arturzinho passa por Bira, e na saída de Ocimar, toca a bola por cima, no quinto gol. (Jornal do Brasil – 20/02/1984)
Mas nem o time nem a torcida estavam satisfeitos. O capitão Daniel González continuava gritando. “Eu queria chegar a 10 x 0 e superar os 10 x 1 do Corinthians no ano passado”, justificava o alegre uruguaio depois, com a felicidade de quem participou das duas goleadas. Arthurzinho estava de acordo: “Entendi o que o Daniel queria e por isso, mesmo sentindo o tornozelo, continuei lutando e fechei a goleada”. Foi o gol mais bonito: ele entrou na área com a bola dominada, rolou-a por entre as pernas de Bira e colocou-a suavemente fora do alcance do desolado goleiro Ocimar.

O jogo terminou em seguida e dezenas de torcedores invadiram o campo, carregaram Arthurzinho nos ombros até o alambrado de São Januário, enquanto a torcida gritava em coro: “Ei, ei, ei, Arthurzinho é o nosso Rei”. O novo herói vascaíno estava feliz: “O que importa é que fiz as pazes com a artilharia e ganhei a credibilidade da torcida. A vitória nos deu moral para nos desforrarmos do São Paulo”. (O jogo está marcado para este sábado, no Morumbi.)

Eufórica, a torcida não estava sequer ligando para as palavras do presidente Antônio Soares Calçada, que passou o fim de semana repetindo que admite vender para a Itália o passe do maior ídolo de São Januário, o centroavante Roberto Dinamite, por 1 milhão de dólares. Afinal, esta torcida já está acostumada com a alma de comerciante do seu principal cartola, mas há muito tempo não vivia um domingo tão feliz. Principalmente em São Januário.” (Revista Placar – 20/02/1984)

Jornal do Brasil (20/02/1984)
Jornal do Brasil (20/02/1984)
Jornal do Brasil (20/02/1984)
O Globo (20/02/1984)
O Globo (20/02/1984)

As atuações segundo o jornal “O Globo”:

ACÁCIO — Praticamente não foi exigido. Na única intervenção mais difícil, machucou-se quando saiu da área e se chocou com o ponta Luis Carlos. (Sem Nota). Foi substituído por Roberto Costa, que não teve trabalho. (Sem Nota).

EDEVALDO — Mostrou um vigor físico impressionante no apoio às jogadas de ataque. No entanto, complicou nas saídas de bola, Nota 7.

DANIEL GONZALEZ — Excepcional no combate, apoiou o ataque com categoria, indo à área do Tuna Luso várias vezes. Nota 9.

NENÊ — Mesmo com toda facilidade, confundiu-se em alguns momentos. De qualquer maneira mostrou espirito de luta. Nota 7.

AIRTON — Fez uma grande partida. Seu gol foi inesquecível e apoiou o time de forma incansável. Nota 10.

PIRES — Atravessa uma forma excepcional. Defende e ataca com facilidade, organizando o time. Nota 10.

GEOVANI — Um talento privilegiado, com jogadas de alta categoria. Prendeu a bola duas vezes, durante toda a partida, mas esforçou-se para compensar Isto. Nota 10.

ARTURZINHO — Quatro gols e uma exibição de gala. Nota 10.

JUSSIÊ — É um ponta veloz, que procura sempre a linha de fundo, embora muitas vezes não dê seqüência as jogadas. Nota 7.

MARCELO — Atacante habilidoso, sabe tocar bem a bola. Foi, acima de tudo, oportunista nos três gols que marcou. Nota 9.

MARQUINHO — Deu uma outra feição ao time do Vasco. Incansável no apoio, um dos destaques na ajuda à defesa. Nota 10. Foi substituído no final por Cláudio José, que manteve o ritmo do time. Nota 7.

Os gols da partida:

Ficha do Jogo:
VASCO DA GAMA 9 X 0 TUNA LUSO-PA 
Data: Domingo, 19 de fevereiro de 1984 
Estádio: São Januário, Rio de Janeiro (RJ) 
Árbitro: Roque José Gallas (RS) 
Público: 12.855 pagantes 
Renda: CR$ 21.007.000,00 
Cartão Vermelho: Ronaldo aos 18′ no 2º tempo. 
Gols: Arthurzinho aos 5′, Geovani aos 22′, Aírton aos 29′ e Arthurzinho aos 40′ no 1º tempo; Arthurzinho aos 4′, Marcelo aos 8′, 9′ e 29′ e Arthurzinho aos 48′ no 2º tempo.
 
VASCO DA GAMA: Acácio (Roberto Costa); Edevaldo, Daniel González, Nenê e Aírton; Pires, Geovani e Arthurzinho; Jussiê, Marcelo e Marquinho (Claúdio José). Técnico: Edu Coimbra.
 
TUNA LUSO-PA: Ocimar; Quaresma, Bira, Paulo Guilherme (Ronaldo), Mario; Samuel, Ondino, Jorginho; Tiago, Miltão e Luis Carlos. Técnico: Ari Grecco.
 
Fonte: Almanaque do Vasco da Gama, Youtube, O Globo e Jornal dos Sports.

 

No dia 11 de fevereiro de 1960, o Vasco disputava contra o Atlético Nacional o primeiro de uma série de amistosos em território colombiano. E já na primeira partida, apresentou todo seu arsenal de gols, massacrando a equipe local por 7 a 0. Marcaram Roberto Peniche (3), Roberto Pinto (2), Teotônio e Waldemar.

Os jornalistas da Colômbia ficaram maravilhados com o futebol apresentando pela equipe cruzmaltina:

“Em virtude de termos saído de Medelin às pressas, não podemos mandar os jornais nem mesmo transcrever os hinos que estão tecendo por aqui ao Vasco da Gama. Voltamos hoje ao assunto, iniciando esta reportagem retrospectiva com uma manchete em oito colunas de “El Colombiano”, que diz o seguinte: “Vasco da Gama: La perfection en futebol bailó ‘La Carioca’ y doblegó al Nacional per siete a cero”.

E, depois, em subtítulo: “Los Criollos (apelido da equipe do Atlético Nacional) foram humildes novamente frente à potencialidade dos visitantes”.

Diz o articulista do El Colombiano que “o Vasco da Gama só precisou de um primeiro tempo para assegurar uma vitória contundente sobre o Atlético Nacional , ao qual derrotou finalmente pelo marcador de sete a zero, o que por si só indica a potencialidade do quadro, o vigor de todas as suas linhas, com onze homens que sabem seu oficio: marcar gols e dar espetáculo.”

Quadro Perfeito

“Não se imaginava – diz o critico – ao começar o cotejo aquilo que iria ocorrer na cancha, onde se tinha urna remota esperança de que os ‘crioulos’ pelo menos oferecessem alguma resistência. Porém, aos três minutos já dois violentos tiros da linha atacante se haviam chocado contra os paus, culminando assim entradas espetaculares sobre o arco defendido por Lopera”.

Perfeição em Football

Depois de dar a seqüência dos gols, o articulista empolga-se e exalta a exibição dos brasileiros, dizendo assim: “Não havia necessidade de mais para justificar a presença do Vasco da Gama na cancha. Porém, pondo de lado os gols, temos de dizer que o quadro brasileiro é a perfeição do futebol. Ofereceu classe aos montões e um espetáculo que muito poucas vezes temos tido no Estádio Atanásio Girardot. Vale dizer, talvez sem nos equivocarmos, que este é o melhor conjunto que vimos nos últimos anos.”

“La Carioca en acion”
 
“Para o segundo tempo, já sem afanar-se, Vasco da Gama entrou a jogar como equipe. Foi quando entrou em ação ‘La Carioca’ por todos os cantos da cancha do Atanásio Girardot, para rematar seu bom desempenho com o último gol por intermédio de Peniche.

Podemos assegurar que o Vasco da Gama não perderá uma só partida na Colômbia, não obstante ter jogado praticamente sozinho. Porém, vendo-o em ação, entregando de primeira, tomando todas as bolas pelo alto e por baixo; ostentando um estado físico invejável e com um movimento como se os homens fossem de borracha, num espetáculo que merece ser presenciado em qualquer cancha do mundo. Sinceramente, todo o elogio para dizer o que é o Vasco da Gama resulta muito curto.

‘Maracanazzo del Vasco’

Referindo-se à mesma exibição e não encontrando uma expressão suficientemente forte para comunicar a sua admiração, “El Correo” deu a seguinte manchete, também em oito co-lunas: “Maracanazo” del Vasco: 7×0!”. Resta saber se o neologismo vai fazer carreira em Medelin.

Triunfo Límpido

Depois de fazer o retrospecto da contagem, o cronista entra no mérito da atuação vascaína dizendo: “O triunfo conquistado sobre o Atlético Nacional, pelo Vasco da Gama foi límpido e os torcedores tiveram ocasião de admirar a grande qualidade de seu jogo e o virtuosismo de todos os seus elementos especialmente do mundialmente famoso “marcador de punta” (!) Bellini que controlou eficientemente os dianteiros contrários. Pode-se notar que o citado elemento foi incomparável na extrema defesa, pois não deixou um só claro em sua zona, pela qual se poderiam “colar los contrários”.

“Não somente pelo resultado mas também, pela apresentação cumprida por seus integrantes, pode-se considerar o Vasco da Gama como um dos maiores conjuntos do Brasil, embora isso não queira dizer que seja imbatível.” (Jornal dos Sports – 18/02/1960)

 

O Globo (12/02/1960)
O Globo (15/02/1960)

PS: O jornal “O Globo” fez confusão com o nome da equipe colombiana, chamando o Atlético Nacional de “Independiente Nacional”. Na verdade são duas equipes diferentes: o Club Atlético Nacional de Meddellin e o Deportivo Independiente Medellín, adversário seguinte com o qual o Vasco empatou em 1 a 1, três dias após a goleada histórica relembrada nesta matéria.

Fonte: História Cruzmaltina

Em um avanço do Estudiantes, Panello intervém, auxiliado por Zarzur que afasta o perigo. (A Noite – 10/02/1936)

O dia 9 de fevereiro registra duas vitórias do Vasco em amistosos contra dois Estudiantes de países diferentes: o de La Plata e o de Mérida.

O primeiro, em 1936, foi contra a equipe argentina, com vitória por 2 a 0 para os camisas negras, com dois gols de Orlando:

Jornal do Brasil (11/02/1936)

“Durante todo o primeiro half-time houve equilíbrio de forças, embora se registrasem mais ataques do Estudiantes.

Nessa fase do jogo, o Vasco marcou um ponto, feito por Orlando, tendo marcado dois outros acertadamente anulados pelo árbitro, pois os jogadores vascaínos que os conquistaram estavam, de fato, em off-side.

A equipe argentina muito se esforçou mas nada conseguiu de prático.

O primeiro half-time terminou assim com a vantagem de 1 x 0 para o C. R. Vasco da Gama. Recomeçada a peleja após o descanso regulamentar, o jogo prosseguiu com a mesma característica, até que Orlando apanha uma escapada e vai sózinho para o goal argentino, o keeper abandona o posto, mas Orlando desvia a pelota que vai ás redes, não obstante os esforços empregados pelo back contrário que correu afim de evitar o ponto.

Poucos minutos faltavam para  o fim da partida e o escore não mais foi alterado, vencendo o Vasco da Gama pela contagem de 2×0.” (Jornal do Brasil – 11/02/1936)

O Globo (10/02/1936)
Nena ao lado de Orlando (Jornal dos Sports 10/02/1936)
Estudiantes-ARG entrando no gramado de São Januário (O Globo – 10/02/1936)
O goleiro argentino defende um ataque vascaíno, observado pelos seus zagueiros. (O Globo – 10/02/1936)

As equipes que atuaram neste jogo:

Vasco da Gama: Panello, Osvaldo e Itália; Oscarino, Zarzur e Gringo; Orlando, Kuko, Luiz de Carvalho, Nena e Luna.

Estudiantes: Fazzioli, Rodriguez e Baradiram; Bloto, Roberto e Raul (Luscitti);Lauri, Sandi, Zozaya, Sabio (Telechéa) e Dela Villa.

A outra vitória num 9 de fevereiro contra um Estudiantes, foi em 1983, dessa vez contra o da Venezuela, na estréia do Torneio Feira do Sol, comemorativo do bicentenário de Simon Bolívar :

“Jogando fácil, sem precisar forçar o ritmo, o Vasco estreou ontem no Torneio Feira do Sol, derrotando por 3 x 0, o Estudiantes de Mérida. Roberto, com dois gols, foi o artilheiro do jogo e mostrou um bom futebol. Scarpezzio, contra, completou o marcador. No outro jogo, em San Cristobal, o Peñarol derrotou por 1 x 0 o Milionários de Bogotá. O Vasco volta a jogar amanhã, contra o Boca Juniors, na cidade de Barquisimeto.

O jogo foi sempre muito fácil. A equipe do Estudiantes é limitada, e aparecia apenas nas jogadas violentas. O jogo viril ficou tão evidente que até os próprios organizadores do torneio pediram calma aos jogadores venezuelanos. O Vasco inaugurou o marcador aos 14 minutos do primeiro tempo, numa falta muito bem batida por Roberto.

Como o técnico Antônio Lopes havia adiantado, e Vasco jogou com dois pontas bem abertos — Jussié e Almir — e Elói acabou mesmo tendo que se contentar com a reserva. Poucas, no entanto, foram as jogadas pelas extremas. Jussiê foi pouco acionado e Almir continua a prati-car um futebol muito limitado.

O tempo final começou com um Vasco bem mais veloz e Elói no lugar de Ernâni. O Estudiantes passou a jogar apenas futebol, sem a violência de antes, e as jogadas da equipe brasileira passaram a aparecer com mais constância. O segundo gol, curiosamente, foi feito pelo atacante do Estudiantes, mas contra seu próprio gol. Almir cobrou córner e Scarpezzio cabeceou fortemente,sem defesa para o goleiro Rodrigues, aos 22 minutos.

Com o domínio total da partida o Vasco ainda fez mais um gol, o terceiro, e novamente através de Roberto. O atacante recebeu excelente lançamento de Dudu, invadiu a área pela esquerda e chutou forte, aos 32 minutos, num bonito gol. Logo após o gol, Roberto deixou o campo aplaudido substituído por Paulo César. O Vasco jogou com Acácio; Galvão, Fumaça, Celso e Pedrinho; Oliveira, Dudu e Ernâni (Elói); Jussiê, Roberto (Paulo César) e Almir.” (Última Hora – 10/02/1983)

Última Hora (10/02/1983)
O Globo (10/02/1983)

O jornal “O Fluminense” narrava a boa atuação do Vasco e a insatisfação dos seus atletas pela mudança de data da grande final. Motivo: a partida cairia numa terça de Carnaval, e grande parte dos jogadores iriam desfilar pela Beija-Flor de Nilópolis.

“Esta final gerou muita insatisfação entre os vascaínos. Isso porque o empresário Fernando Torcal deu para o Vasco assinar um contrato segundo o qual a final seria dia 13, e ontem foi sabido que esta foi marcada para o dia 15, terça de Carnaval. Amadeu Pinto da Rocha reuniu-se no Hotel Terrasa com os jogadores para lhes explicar que o clube fora ludibriado e estes aceitaram jogar em nome do profissionalismo, embora muitos já estejam com suas fantasias prontas para desfilar na Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, o que se tornará impossível se vencer amanhã” (O Fluminense – 10/02/1983)

O Fluminense (10/02/1983)
Jornal do Brasil (10/02/1983)

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No dia 05 de fevereiro de 1950, o Vasco derrotava o Botafogo de virada em São Januário, em partida válida pelo Torneio Rio-SP daquele ano, com gols de Ipojucan, Chico e Maneca.

“Impondo-se ontem ao Botafogo por 3×2, enquanto a Portuguesa perdera para o Corinthians, na véspera, o Vasco garantiu o segundo lugar no torneio Rio-São Paulo, e as suas aspirações ainda ao titulo máximo do certame. A vitória cruzmaltina teve características dramáticas, pois o team campeão da cidade ficou reduzido a dez homens quando perdia por 2×1, com a expulsão de Ademir, e perdeu a seguir um penalti, batido por Tesourinha, quando o placar era de 2×2. Mas aos 28 minutos da segunda fase, Maneca, numa arrancada sensacional, após passar por quatro adversários, marcou o tento da vitória.”(Jornal dos Sports – 06/02/1950)

“Um match empolgante realizaram Vasco e Botafogo, pelo Rio-São Paulo. Houve bom football em São Januário„ em que pese o desfalque sofrido pela equipe campeã nos últimos minutos da primeira fase. Mesmo com dez jogadores. os cruzmaltinos lutaram com entusiasmo no segundo período, conseguindo, inclusive, dominar na maior parte do tempo. A dança do placar, os gols sensacionais, as decisões do juiz que provocaram discussão, enfim não houve minuto na peleja que deixasse de interessar a assistência.

A performance de Tesourinha, por exemplo, constituiu um espetáculo à parte, embora tivesse mandado fora um pênalti. Também a entrada de Chico, revolucionando a defesa do Botafogo, foi outra expressiva contribuição para tornar a disputa emocionante. Num encontro que teve as mais variadas fases, é natural que as paixões tenham transbordado, chegando por vezes ao excesso, sempre visando a figura do juiz, que existe para ser o alvo de todas as mágoas.

No primeiro tempo os quadros trabalhavam dentro de excelente padrão técnico, com vantagem territorial para os cruzmaltinos. Na fase final, os vascaínos conseguiram manter a supremacia nas jogadas, agindo com entusiasmo incomum, indo ate a vitória graças ao espírito de luta demonstrado. O Botafogo, surpreendido pelo desejo de vitória dos adversários deixou escapar a vitória, que com a expulsão de Ademir parecia quase certa.

Dos dois a um da primeira fase os alvinegros cederam terreno, talvez ainda felizes por ter a contagem parado em 3 a 2 a favor do Vasco. E os, torcedores vascaínos, que tantos aborrecimentos tiveram durante os primeiros quarenta e cinco minutos, puderam vibrar desde o tento de empate, logo no inicio do período decisivo. Vibração que atingiu ao auge com o sensacional gol da vitória, feito por Maneca, depois de driblar quatro adversários.”

O Globo (06/02/1950)

O Globo (06/02/1950)

Ficha do jogo:

Torneio Rio-SP 1950
05/02/1950 – Vasco 3×2 Botafogo
Estádio de São Januário
Juiz: Gama Malcher
Público: 9.204
Renda: Cr$ 117.769,00

Vasco da Gama: Barbosa, Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Maneca (Álvaro), Ademir, Ipojucan (Lima) e Mario (Chico).

Botafogo: Oswaldo, Marinho e Santos; Rubinho, Ávila (Souza) e Juvenal; Paraguaio (Hamilton e depois Baiano), geninho, Zezinho, Otávio (Ávila) e Jayme.

Gols: Ipojucan (Vasco) , Hamilton e Zezinho (Botafogo), Chico e Maneca (Vasco)

Fonte: História Cruzmaltina

 

No dia 27 de janeiro de 1935, Vasco e Boca Jrs se enfrentaram em partida amistosa em São Januário, registrando o primeiro confronto da história entre as duas equipes.

Em tarde chuvosa, os argentinos chegaram a estar vencendo por 3 a 1, mas graças a grande atuação de Hugo Lamanna (autor dos 3 tentos cruzmaltinos), o Vasco conseguiu uma grande reação, empatando a peleja. Foi o confronto entre o bi-campeão argentino e o campeão carioca. 

Itália e Suarez trocam saudações antes do jogo (A Noite – 28/01/1935)

O jornal “A Noite” do seguinte dizia que: “a temporada do Boca Jrs ao Brasil está revivendo a época de ouro do futebol brasileiro. O match de ontem do campeão argentino com o Vasco, presenciado por uma das maiores assistências de football que temos visto, como soccer, pode ser classificado de primeira ordem.”

O “Jornal dos Sports” também exaltava o grande espetáculo futebolístico ocorrido naquela tarde no estádio do Vasco:

“O prélio que reuniu os quadros do Vasco e do Boca Juniors no Stadium São Januário constituiu , inegavelmente, um espetáculo soberbo que o numeroso público que lá esteve soube devidamente apreciar. Efetivamente, a competição foi fértil de atrativos magníficos e aspectos sugestivos que o nosso público de raro em raro tem a oportunidade de assistir”.

Os argentinos, que tinham o goleiraço Yustrich defendendo sua meta, abriram o placar logo aos 5 minutos de jogo, com Cherro. O Vasco empatou aos 27 com Lamanna, atacante argentino contratado em 1934 junto ao Racing Club. O Boca Jrs passou novamente a frente no placar aos 38 e aos 41 minutos com Varallo. E assim, terminou o 1º tempo: Boca 3 a 1.

Porém, na segunda etapa, o Vasco partiu com tudo para cima dos argentinos em busca da reação. O “Jornal dos Sports” descreveu assim os últimos 45 minutos de jogo:

 “O público estava vivamente impressionado com a excelente técnica dos argentinos e previa uma grande derrota para o Vasco. Ninguém poderia supor outra coisa diante da superioridade manifesta dos boquenses sobre os cruzmaltinos. Entretanto, as impressões do público foram rapidamente dissipadas no segundo tempo da sensacional partida.”

Logo aos 10 minutos da etapa final, Lamanna fez o 2º gol vascaíno, após belo passe de Orlando. Mas ainda era pouco, e o Vasco continuava pressionando. O tento de empate era questão de tempo. E veio faltando 5 minutos para o fim:

“A torcida delirava com os lances empolgantes oferecidos pelo sensacional prelo. Quando veio o terceiro gol de Lamanna, a gritaria recrusdeceu, infernal. Kuko, de posse da pelota, abriu o jogo estendendo um passe a Novamuel. O ponta vascaíno escapa, perseguido por Munt e consegue, oportunamente centrar alto. Lamanna corre, pula na frente de Moysés e alcança de cabeça a bola, desviando a sua trajetória para o fundo das redes. Foi um tento recebido com aplausos demorados. Garantido o empate!”

Lamanna foi o goleador da partida, garantindo o empate

Após o jogo, o treinador do Boca Mario Fortunato se derreteu em elogios a equipe vascaína, em especial ao zagueiro Domingos:

“Reconheço no Vasco um grande team. O quadro carioca faria sucesso em Buenos Aires como conjunto. O que tem de notável, porém, é a classe de certos valores individuais. Domingos é um zagueiro excepcional, completo em recursos, comparável aos backs mais notáveis que já vi jogar. Desconcerta uma defesa com a sua calma, a precisão de suas entradas. É um zagueiro que nunca se precipita. Com uma condição admirável, apanha a chave dos lances com uma facilidade desconcertante. Para mim, Domingos é na atualidade o melhor back sul-americano.”

Até o árbitro da partida, o argentino D´Esposito, tinha elogios a equipe vascaína, dando destaque ao atacante Fausto:

“De todos os jogadores, guardo impressão raras vezes sentida sobre Fausto! Seria ídolo em Buenos Aires. É verdadeiramente maravilhoso!”

O jornal “A noite” também discorreu sobre a atuação do artilheiro vascaíno:

A Noite (28/01/1935)

“Figura sobre a qual quaisquer dúvidas não podiam surgir, pelas qualidades de sua classe, um dos quatro maiores center-halves de mundo, Fausto dos Santos, na peleja continental de ontem, surgiu confirmando nossas previsões, exibindo-se como craque, incapaz de paralelos.”

 

O estádio de São Januário lotou para assistir ao grande jogo entre vascaínos e boquenses (A Noite – 28/01/1935)

Os times atuaram sob a seguinte organização:

Vasco: Rey, Domingos e Itália; Gringo, Fausto e Calocero; Novamuel, Kuko, Lamana, Nena e Orlando.

Boca Jrs: Yustrich, Moysés e Bibi (Valussi); Varnieres, Luzzati e Suarez (Munt); Zatelli, Benavides (Caceres), Varallo, Cherro e Cussati.

Fonte: História Cruzmaltina

CASACA! NO RÁDIO

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Ouça a íntegra do programa CASACA! no Rádio de 26/06/2017 com participação de Sérgio Frias, Rodrigo Alonso, Iury Gaspar e Luiz Cosenza.