Home João Carlos Nóbrega

 

Em tempos de estádios públicos e privados levantados sob as bênçãos de negociatas; em tempos em que estruturas tubulares que substituem a ausência de um estádio verdadeiro são montadas com pompa e divulgação excepcional da mídia parceira, enquanto no entorno aparecem crateras, buracos e valões; em tempos em que a vigarice suplanta a fraternidade em busca do bem estar comum; em tempos em que a fraude, que caminha de mãos dadas ao cinismo e à hipocrisia, prevalece; os 90 anos de São Januário soam como uma voz estranha às práticas hoje estabelecidas.

São Januário informa que um dia, neste país, foi possível construir algo do porte do maior estádio da América do Sul sem apoio do governo. São Januário informa que um dia foi possível, neste país, levantar algo do seu tamanho sem interferência de empresas bandidas. São Januário expõe que não necessitou da parceria corrupta entre governantes e construtores, desconheceu superfaturamento, abominou propina, repudiou contratos duvidosos. São Januário declara, com esperança quase juvenil, que um dia foi possível reunir gente em torno de um objetivo honesto, lição de solidariedade por um desejo comum.

Se São Januário falasse, talvez ele dissesse no seu discurso de 90 anos que é possível ser como ele é, que é possível nascer como ele nasceu, que sua origem humilde, em vez de envergonhá-lo, serve de exemplo oposto ao que surge milionário, bilionário, mas repleto de desvios e descalabros.

É este o ensinamento que nossa casa oferece nos tristes dias atuais desta nação. Se há algo a ser mudado neste país, que seja com base nesta filosofia. Desejo comum, objetivo único, esforço solidário, cada qual como parte do todo. Assim construímos nosso estádio. Assim se constrói uma comunidade. Assim se constrói um país.

Há Braços.

João Carlos Nóbrega

 

Baseado em contrato firmado com a Odebrecht, empresa gestora do Maracanã até segunda ordem, o Fluminense pretende exigir jogar contra o Vasco no estádio, no próximo sábado, mantendo sua torcida ao lado direito da Tribuna. Alega que o contrato define que assim deve ser.

O Vasco argumenta que o direito histórico de ocupar aquele lado é seu, uma vez que o título estadual de 1950, conquistado pelo clube, primeiro campeão na era Maracanã, lhe ofereceu esta escolha.

Há quem conteste este direito do Vasco. Baseiam-se no fato de que, quando o Maracanã foi entregue à iniciativa privada, contratos foram celebrados com Flamengo e Fluminense, tornando nulo tudo o que precedeu a administração Odebrecht. 

Pareceria uma questão de legalidade, a princípio. É que, recentemente, tomou-se conhecimento que a Odebrecht comprou o Brasil com propina. Lógico, comprou também o Maracanã, da licitação de suas obras ao direito de administrá-lo. Antes disso ser descoberto, portanto, pode-se pressupor que todos os contratos assinados por esta empresa possuíam validade. Incluindo o firmado com o Fluminense.

O problema é que, frente ao que temos almoçado e jantado nos últimos dias, querer fazer valer qualquer direito por algo assinado com a Odebrecht beira o ridículo. Seus executivos expõem ao respeitável público que a empresa opera há décadas na ilegalidade, corrupção e bandidagem. Ora, quem garante que os contratos assinados com Fluminense e Flamengo estão isentos, intocáveis, incólumes, imaculados, em meio a um mar de patifaria? Como acreditar que apenas a dupla fla-flu foi abençoada com contratos limpos? Como, portanto, apresentar cláusula de um contrato firmado com uma ré confessa para argumentar razão?

É óbvio que, neste cenário, os contratos assinados entre Fluminense e Flamengo com a Odebrecht estão sob intensa suspeita. É óbvio que não há neles nenhum valor ético. É óbvio que não podem prevalecer.

Dito isso, e por falta de algo honesto em contrário, o direito que deve prevalecer é o histórico. É o direito conquistado em campo. É, enfim, o direito, não a suspeita. Conceder ao Fluminense a possibilidade de garantir algo com base em um documento assinado por ele com uma empresa especialista em lafranhagem é um equívoco, se não jurídico, moral. É a garantia a quem desvia. É a vantagem aos que conspiram. É a sinalização de que a ladroagem ainda manda no pedaço.

Abraço
João Carlos Nóbrega

 

 

A empresa francesa Lagardère parece estar à frente para assumir a administração do Maracanã, após a passagem avassaladora da notável Odebrecht e de outras integrantes do consórcio, como a IMX de Eike Batista.

Talvez pela empáfia de acreditar que o Maracanã é seu, o Flamengo não chegou a um acordo a respeito da utilização do estádio com a possível nova administradora.

Desconheço os meandros da Lagardère e, assim, não tenho como assegurar sua lisura. A seu favor, porém, o fato de administrar com aparente competência estádios mundo afora e ter presumível sucesso em diversos campos de atuação.

Gostaria de destacar, entretanto, algo que você não verá na imprensa convencional. Pois a imprensa convencional te entregará posições como a adotada pelo jornalista Marcelo Barreto no SporTV:

“O Maracanã era um estádio do Governo do Estado do Rio, era barato utilizar. O clube queria usar o Maracanã, era toda hora. Agora, o Maracanã é um estádio reformado “138 vezes”, que está na mão de um consórcio que não quer mais. É uma fortuna usar o Maracanã, só para abrir o estádio são R$ 700 mil. O Flamengo hoje está fazendo um ato político. O Flamengo está abrindo mão do Maracanã no curto prazo, visando a ter o Maracanã no médio prazo. Está querendo vencer uma queda de braço. Já está deixando claro para a administradora que ganhou o consórcio que ela não vai poder impor qualquer condição, que o Flamengo não vai ter que aceitar por causa da identificação com o Maracanã. É o contrário, o Maracanã também tem que se sentir identificado com o Flamengo.”

Não me lembro do Barreto, ou qualquer um, ressaltando altas taxas e atos políticos quando a Odebrecht assumiu o estádio. Não me lembro deste ar de insatisfação quando a administração passou ao desastroso consórcio atual. Não me lembro de alguém ter dito que os preteridos pela Odebrecht não deveriam aceitar suas condições absurdas. Talvez porque, na ocasião, tenha sido conveniente para o Flamengo celebrar contrato com a empresa que, recentemente, se confessou inidônea. Enfim, mais do mesmo. A imprensa nossa parcial de cada dia.

Mas o viés que gostaria de abordar é outro. E começo pela fala do mais ilibado, competente e mágico dirigente do futebol mundial, o dr. Bandeira de Melo, presidente do Flamengo, a respeito da possível nova administradora:

O Flamengo, desde que assumimos, vem passando por um processo de reconstrução da sua imagem e da credibilidade. Não podemos sacrificar isso nos associando a empresas que não têm os mesmos princípios e valores que temos.”

Noves fora, presume-se que o dr. Bandeira quis dizer que exemplos que possuem os “mesmos princípios e valores” que o Flamengo detém são a Odebrecht e a IMX, empresas com as quais o Flamengo se associou recentemente. Uma atualmente sob acordo de leniência, no qual confessou sua vocação corrupta, outra então pertencente ao dr. Eike Batista, agora preso em Bangu.

Lembro, também, que esta cruzada pelo refino dos “princípios e valores” é fato marcante na própria administração do clube. No passado, foi vice-presidente do Flamengo o deputado Júlio Lopes, hoje investigado. No presente, bate ponto no clube o dr. Flavio Godinho, que foi braço direito de Eike Batista, visitou Bangu, foi solto pelo Ministro Gilmar Mendes e deve estar voltando ao gabinete da vice-presidência em breve, pois, ao contrário do que afirma a imprensa, ele jamais foi dispensado formalmente, ainda sendo dirigente do clube.

Para dar uma chance de defesa de sua teoria, seria o caso de se perguntar ao dr. Bandeira se na ocasião em que a Odebrecht lhe prometeu mundos e fundos não foi possível perceber que não se tratava de algo fora dos “princípios e valores”. Caso ele confirmasse a miopia de então, uma segunda pergunta poderia ser feita, questionando se um executivo do BNDES com tempo de casa, acostumado com empreiteira lhe batendo à porta, não deveria ser capaz de antecipar em 2013 que tipo de marmelada estava sendo engendrada contra o Maracanã.

Pega mal que, neste momento, em que a dor de cotovelo do Flamengo salta aos olhos, o dr. Bandeira desconfie da ilibação da Lagardère, dado o seu histórico de cegueira quando quem o procurou foi a Odebrecht. Ficaria mais decente uma saída pela direita. Sugestão de fala para o dr. Bandeira: “Olha, não houve acordo com a nova gestora, nós acabamos de investir um bom dinheiro num estádio tubular na Ilha que, pelo tamanho do buraco adjacente, terá até metrô na porta”. E esperava os acontecimentos.

Desonesto, por hora, é atribuir aos outros clubes do Rio veladamente a pecha de estarem se envolvendo com empresa inidônea. Não há condição moral para que um parceiro da Odebrecht desconfie da parceria alheia sem que, no mínimo, a Lagarderè promova 1% da bandalheira que a Odebrecht ofereceu ao respeitável público.

Abraço
João Carlos Nóbrega

 

Desde domingo, ninguém cala o chororô. Chora o presidente, chora o gerente, chora o time inteiro, chora a imprensa rubro-negra isenta, chora o torcedor. A insistência no tema tem uma intenção: criminalizar o Vasco até que, num possível encontro na fase final, estejam justificados possíveis erros contra o clube. Espécie de pressão preventiva.

O foco ficou restrito ao pênalti mal marcado a favor do Vasco. Não se falou no lance em que o atleta Everton, do Flamengo, deveria ter sido expulso. Não se falou que a falta cometida por Luis Fabiano, que originou o seu cartão amarelo, foi fruto de um tropeço do atacante, que derruba o volante Marcio Araujo quase sem querer. Pouco se discutiu a respeito da expulsão, absolutamente contestável.

No afã da criminalização do Vasco e de seus atletas, houve quem falasse, e foram alguns programas televisivos afora, em fair play. Sim, estes chegaram a defender que, houvesse honestidade, o Vasco sequer deveria aceitar bater o pênalti. Ora, ora. Justamente diante do time do “roubado é mais gostoso”.  Espécie de piada moralista executada por alguns puritanos da boca para fora. Os hipócritas de sempre.

Mas eles, os rubro-negros isentos da mídia, foram além. Após as manifestações de dirigentes do Flamengo, gente muito  leal, mas que esquece virtudes moralistóides sempre que é beneficiada fim de semana sim, outro também, houve jornalista apelando rasteiramente. Figuras que trouxeram à baila até a preferência religiosa de jogadores.

No UOL, um tal blog do Menon conseguiu a proeza de dizer, por exemplo, que Nenê planejou tudo: o toque a meia altura para dentro da área, a região do corpo do adversário na qual a bola deveria bater, o erguer imediato dos braços pedindo pênalti, todos os atos perfeitamente premeditados a fim de ludibriar a arbitragem. E que, ao final disso, após converter o pênalti, era de indignar que Nenê houvesse agradecido ao seu Deus. Como se o agradecimento não fosse pela cobrança perfeita, mas pelo sucesso do “teatro” que teria sido bolado pelo atleta no pré-pênalti.

O que eles não esperavam é que uma imagem surgisse do quase nada. Quase nada porque, por falta de fair play na transmissão, a emissora detentora dos direitos não reprisou o lance. O narrador, por falta de fair play, não tocou no assunto. O comentarista, por falta de fair play, nada mencionou. Os especialistas rubro-negros isentos, que comentaram a partida em várias bancadas no pós-jogo, por falta de fair play, nada disseram. Os jogadores do Flamengo, tão indignados no pênalti marcado, por falta de fair play, não acusaram o pênalti cometido por um companheiro. Rodrigo Caetano, por falta de fair play, fez vista grossa. Bandeira, o homem competente de bem, por falta de fair play, sequer analisou o lance.

Mas, em homenagem a você, vascaíno, fomos procurar o lance quase perdido. O lance que quiseram esconder como apenas mais um. Ele está aí abaixo. Ele mostra que o fair play exigido por essa gente é relativo. Fair play é aquilo que eles desejam que seja praticado quando o time que eles preferem que vença é teoricamente prejudicado. Mas, e se for o contrário? Bem, caso contrário, roubado é mais gostoso. A papeleta é amarela. E o Wright é nosso. Aha, Uhu.

CASACA!

 

O Presidente do Vasco, Eurico Miranda, esteve na ESPN para conceder uma entrevista. Não é novidade para ninguém que a ESPN se trata de um ambiente historicamente hostil a Eurico, povoado por jornalistas com intenções duvidosas. No caso do Vasco, pautados claramente por gente despreparada que pretende fazer política no clube. Ainda assim, Eurico compareceu, respondeu sobre o que lhe foi perguntado e, como recordação de sua presença, deixou com os entrevistadores um documento que pormenoriza dívidas herdadas da catástrofe anterior, quitadas e compostas em 2 anos de gestão. Um ato transparente daquele tido como opaco.

Um dos entrevistadores, a quem o documento foi entregue, chama-se Mauro Cezar. Mauro Cezar é Flamengo. Mauro Cezar odeia Eurico. Mauro Cezar é pautado pelo que há de pior em termos de informante. Portanto, qualquer fala de Mauro Cezar sobre o Vasco tem vício de origem. Não há como levar a sério.

De posse do documento, Mauro Cezar fez uma primeira consulta a um luminar. O primeiro luminar disse a ele que, sim, tudo indicava que, de fato, o Vasco estava seguindo um caminho interessante em busca do saneamento, embora ainda faltasse muito.

O empregado da ESPN não gostou. Fez a segunda consulta. Talvez faça a terceira. Quem sabe, a décima. Até que surja alguém que diga o que ele e seus pares querem escutar.

Na segunda consulta, o sábio consultado se aproximou dos anseios de Mauro e disse o seguinte, dentre outras baboseiras:

Num dos quadros, comparando novembro de 2014 com julho de 2016, aponta que houve redução de R$ 172 milhões nas dívidas. Mas é preciso considerar que em 2015, por conta da adesão ao Profut, o clube teve perdão de multas e juros da ordem de R$ 114 milhões, que foram abatidos diretamente das dívidas fiscais e tributárias que constavam no balanço. Conta simples: dos R$ 172 milhões, se deduzirmos os R$ 114 milhões de Profut – que vem sem esforço de caixa, apenas baixa automática – a redução potencial de Dívida cai para R$ 58 milhões.”

Primeiro, é interessante verificar a discrepância de tratamento concedido ao Vasco e a outros clubes. Escuta-se e lê-se nos programas e páginas esportivas que o senhor Bandeira de Mello realiza no Flamengo uma gestão espetacular, com drástica redução de dívidas do clube. Curioso: ninguém coloca entre vírgulas os valores abatidos por benefícios governamentais. Pode-se entender, pela análise do gênio acima, que o que foi abatido via Profut da dívida do Flamengo está fora da contabilidade que tenta tornar Bandeira um fenômeno, correto?

A seguir, vale destacar, pois parece que essa gente não sabe, que o Profut não se trata de presente concedido a qualquer um. Manter-se regular, o que a indigestão de Dinamite ignorou durante 6 anos, apoiada pela imprensa, é item básico. Portanto, a possibilidade do Vasco ser contemplado pelo Profut só ocorre em função de um enorme esforço de gestão, que limpa a barra fiscal do Vasco de Dinamite diariamente. Ora, se 114 milhões foram abatidos pela adesão ao Profut e o Vasco só pode ser contemplado por conta do esforço da gestão corrente, méritos da gestão corrente que torna possível a adesão do clube, evidentemente. Tentar desvincular uma coisa da outra é obra de quem, ou desconhece, ou recebeu uma encomenda para desconstruir um documento que não deixa dúvidas.

O luminar número 2 prosseguiu:

No material está descrito que houve, entre 2008 e 2014, aumentos recorrentes de Dívida, que teria saltado de R$ 192 milhões para R$ 690 milhões. Primeiramente, esta informação de dívida é questionável, porque considera uma série de itens que não são exigíveis, como a contrapartida de contrato de TV e patrocínios.”

Ressalte-se que estes valores são apurados em Balanços Patrimoniais do clube elaborados na indigestão de Dinamite. A sequência correta é a seguinte: em 2008, entra a indigestão Dinamite e ajusta o valor da dívida geral do clube de 192 milhões para cerca de 330 milhões, fazendo malabarismos com questões judiciais ainda em discussão na ocasião. Ao final de 2014, esta dívida tinha mais do que dobrado, beirando 700 milhões. Se esta informação é questionável, o flamenguista Mauro Cezar deveria escutar um terceiro luminar, quem sabe o doutor Nelson Monteiro da Rocha, tricampeão de contas reprovadas na era Dinamite, para dele obter algo que explique este incremento. Aliás, poderá aproveitar o ensejo e realizar um programa bacana de autocrítica jornalística intitulado “Por que a ESPN não tomou conhecimento de 3 anos de contas reprovadas e 2 anos de ausência de previsão orçamentária na era Dinamite?”. Belo tema.

Há uma tentativa de cordialidade no trato da cúpula de dirigentes atuais do Vasco com a imprensa. Esta tentativa tem seus problemas e travas, baseados na própria resistência que a mídia oferece para o diálogo. Não o contrário, conforme se tenta transparecer. A forma como se toma partido é escandalosa – seja partido contra o Vasco que tem Eurico à frente, seja partido político no Vasco, por conta de um pleito que ocorrerá apenas em novembro (caso único de interesse tão precoce em eleições de um clube).

Só nesta semana, além desta tentativa de desmoralizar o esforço financeiro do Vasco, teve matéria dizendo que o treinador contratado pertence a determinado empresário e, por isso, irá escalar os jogadores que virtualmente pertencem ao empresário; teve matéria dizendo que o novo treinador tem perfil militar; teve matéria dizendo que o novo treinador “reduziu os poderes do CAPRRES”, como se isso pudesse ser feito na marra, sem conversas adequadas. O viés é claramente na intenção de que nada dê certo. O objetivo é um só: desestabilizar e criar um clima de guerra para novembro.

Lamenta-se, mas, se é assim, assim será. Chegou a hora de endurecer.

Abraço

João Carlos Nóbrega

______________________________________________

A título de ilustração, CND renovada hoje pelo Vasco. Regularidade permite manutenção no PROFUT

Certidao Negativa Vasco da Gama – 22-03-2017

Eu havia lido reportagem expondo o teor das ideias do doutor Rodrigo Terra, promotor para assuntos de futebol, mas não tinha acreditado que aquilo pudesse ser verdadeiro. 

Há pouco, fui brindado com as imagens da fala do doutor em programa noturno. Consegui segurar o queixo, mas fiquei estarrecido. 

É verdade. O doutor Terra propõe um Termo de Ajustamento de Conduta para que se possa permitir clássicos com torcida dupla. Neste termo, se as torcidas de dois destes clubes brigarem no Leblon, na Central, na Penha ou em Marte, os clubes pagam multa de 3 milhões de reais. Além disso, não só quem brigou, mas o resto do mundo, ficam impedidos de comparecer ao estádio pelos próximos três clássicos. 

Eu não sei exatamente de onde pode surgir algo tão luminar. Não sei de onde pode surgir algo que ignora direitos básicos. Tampouco desconfio a quem seria paga a tal multa e de que forma o valor seria utilizado. Também não sei se as atribuições desta Promotoria se resumem ao futebol, mas, convenhamos, o futebol é uma bela vitrine. Imagina se o distinto setor se envolvesse também com o carnaval das viradas de mesa. 

Fato é que a proposta é tão descabida que nasce morta. Assinar um termo como o proposto é uma irresponsabilidade. Aliás, convenhamos, a própria proposta é irresponsável, na medida em que tem por intenção culpar os clubes por algo que eles não são culpados. 

Dito isso, fica a sugestão à notável Promotoria: com este rabisco, não dá nem para começar. Entendam primeiro o que há por trás das brigas de torcedores; entendam que não há cabimento em punir os produtores de um espetáculo, seja ele qual for, pela confusão entre possíveis espectadores na praça da frente; entendam que bem mais do que um problema do futebol, bem mais do que um problema de segurança pública, se está diante de uma questão social. 

Neste sentido, a proposta de TAC do MP sequer enxuga gelo. É simplista e conveniente. Não ataca as questões centrais. Ignora o bom senso. Não detecta que o problema não reside, há muito, no futebol, tendo se tornado acerto de contas pelos mais diversos motivos. Serve, apenas, para as luzes da ribalta. Como tal, deve ser prontamente descartada. 

Abraço

João Carlos Nóbrega 

 

 

O dr. Alan Belaciano é vinculado a Júlio Brant, candidato-fantoche de Olavo Monteiro de Carvalho nas últimas eleições do Vasco. Foi representante da chapa amarela. Advoga para Brant pessoalmente.

 O dr. Alan Belaciano tem crédito naquilo que faz e fala. Certa vez, a imprensa noticiou que foi detido por se passar por juiz de direito. 

Com este currículo, explicou ao GloboEsporte.com a sua atuação ao mover ação que suspende o Vasco temporariamente do Ato Trabalhista, instrumento que permite ao clube parcelar os seus débitos trabalhistas. Disse ele: “optei em abrir mão da política do clube e me dedicar à justiça para estes trabalhadores.” 

Além deste arroubo de sensibilidade social, ele apresentou outros esclarecimentos. Referia-se, com toda fidedignidade que o caracteriza, a certa ação trabalhista na qual atua como patrono de cerca de 30 ex-funcionários do Vasco. Nesta ação, argumenta que o Vasco deve direitos a essa gente e, por isso, requereu a retirada do clube de tal Ato, a fim de acelerar o pagamento dos seus clientes.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Argumentos jurídicos são válidos, se forem verdadeiros. Repentina sensibilidade ainda mais. O problema é que consta que nenhum de seus clientes estava na fila do tal Ato Trabalhista. 

Assim, concluiu-se que, ou o dr. Belaciano, parceiro do Brant, que por sua vez é cria do Olavo, que tem como amigo o tricampeão de contas reprovadas Nelson Rocha, que se re-aliou com o Roberto Monteiro, se enganou; ou teve a mesma recaída que o fez se proclamar juiz em um batalhão da polícia militar, ato que o levou em cana. Ou cometeu um lapso, ou sua fala ao GE trata-se de mais uma balela para boi dormir. Pois não há outro motivo que não o político, no caso política de sabotagem, rasteiríssima, para se utilizar de argumento que não beneficia seus clientes, apenas prejudica o Vasco.

Tem-se convicção que haverá reversão neste caso, o que manterá o clube no caminho da recuperação financeira e equilíbrio. Mas fatos como este servem para mostrar e confirmar quem é essa gente da oposição, o que buscam, o que querem e até onde podem ir. 

Abraço

João Carlos Nóbrega

 

Em um dos últimos textos que publiquei aqui, apresentei alguns motivos para que os vascaínos pudessem confiar em um ano de 2017 melhor. Depois, houve a estreia do estadual, atuação abaixo da crítica contra o Fluminense, algumas demoras plenamente justificáveis quanto a contratações, um pontual atraso salarial e pronto: choveram críticas. As críticas que chovem são aceitáveis quando se imagina que provêm do torcedor comum, do cara justamente ansioso e preocupado com desempenhos recentes causados pela pré-falência à qual o Vasco foi submetido por Dinamite, sua trupe e seus apoiadores, muitos deles que foram residir na oposição ao Vasco. Mas o início ruim, preocupante para alguns, também foi utilizado pela vigaristagem de rapina. Os que ficam lá esperando para ações oportunistas.

Não à toa, o Vasco sofreu uma violência ontem. Recebeu, em sua sede, injustificável força policial motivada por uma ação movida por ditos opositores que pleiteavam a retirada de uma listagem de sócios aptos a votar somente no dia de ontem (grifo nosso) nas eleições que acontecerão em novembro próximo (meio distante, não?).

A utilização de força policial serviu para uma coisa: mostrar ao povo carioca que havia polícia disponível, em que pese os rumores de greve da PM na manhã da última sexta. Neste sentido, a pauta do Gilmar Ferreira no Extra mandou bem (tomara que ele seja re-contratado de onde foi demitido). Greve que não seria novidade, na medida em que a PM disse há dias que não poderia atender a um Vasco x Flamengo no basquete por falta de efetivo. Mas, que bom que a polícia pôde estar ontem em São Januário, comprovando que o que circulou nos últimos dias em redes sociais era boato.

Quanto à ação movida pelos opositores que foram situação na era Dinamite, eu nem sei exatamente por quem ainda, mas acho que por um anão amarelo, não houve problema algum em cumprí-la. Apenas gostaria de avisar que alguns sócios tiveram seus direitos estuprados.

Cito dois casos básicos. Você, que tinha até ontem para quitar sua mensalidade de fevereiro, o faça, para seguir ajudando o clube. Mas, nos termos da ação proposta, esqueça de exercer seus direitos a voto em novembro. Tudo indica que será proibido. Também você, que possui 17 anos, é sócio há mais de ano e completará 18 anos em breve, siga pagando suas mensalidades pelo bem do Vasco, mas esqueça de exercer o seu direito na eleição de novembro. Explico, se não ficou claro: é que a ação prevê que a lista tomada do clube ontem será a definitiva para o próximo pleito, após a análise não dos poderes do clube, mas de um perito fidedigno nomeado pela Justiça ilibada do Rio de Janeiro, espécie de intervenção que não se comete em lugar algum, só no Vasco. Confiemos no mundo.

Esta é uma vertente da ignorância: aquela motivada pelo oportunismo fora de hora, que prejudica sócios do clube. Pena.

A outra vertente da ignorância começa em uma imagem, a qual tive acesso, de um diálogo no canal Esporte Interativo e em uma inacreditável coluna teoricamente escrita pelo ex-atleta Neto, aquele gordinho do Corínthians, que passou a vida fora de forma e hoje é comentarista não sei de que canal.

A imagem a que me refiro e que foi proveniente de um programa do canal Esporte Interativo informa, em diálogo absolutamente tosco, porque é motivado por algum tipo de rancor, que o jogador Luis Fabiano, antes atleta vinculado a um time chinês, foi inscrito pelo Vasco na FFERJ sem documento algum. Um dos pastelões chega a dizer que o Madureira poderia ter inscrito o Luis Fabiano. É mesmo?

Já o ex-jogador Neto, que de profissional teve apenas os contratos, porque sempre se manteve no limiar entre o sobrepeso e a necessidade de cirurgia bariátrica, clamou por profissionalismo, vociferou contra o amadorismo e endossou o discurso, afirmando em um blog intitulado netocraque (ah ah ah) a mesma pantomima.

Eu sei que dói em gente tendente à vigarice o fato de haver coerência numa administração Eurico. Sei também que salários em dia e cumprimentos de promessa como qualificar enormemente o elenco de futebol causam urticária. Sem falar em muitas outras coisas ou há muito, ou recentemente em andamento. Mas essa gente precisa ter a mínima noção do ridículo.

Passar ações contra os sócios do Vasco na Justiça, como esta impetrada pelos oportunistas eternos da oposição, que apostam no resultado ruim, no sempre “vai dar merda” e até na demora de determinadas contratações complexas é agir não contra a diretoria atual, mas contra o clube. A influência nefasta é tanta que ontem, em dia esquisitaço no Rio de Janeiro, a respeitável jovem togada, responsável pela concessão do pleito jurídico, passou seu tempo em contato direto online com o que havia em São Januário. Parêntese: muito bacana quando alguém é tão dileto ao cumprir suas atribuições.

Moral das histórias acima contadas:

1) Fabiano está inscrito, obrigado, sem condição de que o Madureira o fizesse. Só toscos, como o Neto, ex-atleta amador, e o EI, o Estado Islâmico esportivo, acreditam nisso. Corram atrás para saber o porquê.

2) A ação que deu origem àquela pantomima em São Januário ontem ofereceu ao respeitável público algo além de um picadeiro: sim, a força policial só faz greve se for justa. Tanto que ela estava lá, de prontidão, em que pese a recusa de se fazer presente em jogo de basquete no qual o Vasco foi mandante contra o Flamengo.

3) Aos prejudicados nítidos pela ação movida pela “oposição” sem cara, mas anã, financiada pelos filhotes do MUV de sempre, sugiro que movam ações na Justiça para a garantia de direitos e, caso sem efeito, que acionem os responsáveis pelo que lhes roubará o que é previsto em estatuto do Vasco.

4) Parabéns ao ghost writter do Neto, que o faz escrever um “O” mais ou menos com se estivesse reproduzindo a boca de um copo. Pena que o conteúdo é uma merda como se fosse um chute de direita do ex “craque”.

5) Principal: os juvenis, financiados pelos toscos de sempre, precisam se esmerar.

Abraços

João Carlos Nóbrega

 

Nas antigas brincadeiras de pique, havia uma preliminar entre a turma que participaria da farra. Dentre os participantes, o último que falasse “comigo não tá” seria o responsável pelas tarefas das quais todos queriam se esquivar: no pique-esconde, o sujeito que teria que achar esconderijos. No pique-pega, o camarada que tinha que correr atrás dos outros. Algo como o bobo na rodinha de futebol.

Eu não pretendia falar sobre isso porque nada tem a ver com o Vasco. Mas depois de constatar uma matéria no The Globe com o sugestivo título “Flavio Godinho, um negociador hábil que caiu pela eficiência” e ter acesso ao comentário do rubro-preto Mauro Cezar, da ESPN, que disse taxativamente que nada do que ocorreu no âmbito da Lava-Jato respinga no Flamengo, saquei que o “comigo não tá” flamengueiro entrou em ação com toda força nesta ensolarada manhã de quinta-feira.

Godinho, vice de futebol do Flamengo, foi preso porque era braço direito de Eike Batista, empresário também com prisão decretada. A mídia parece querer encerrar o assunto aí. Para não respingar no “mais querido”.

Mas, espera lá. O doutor Eike tinha participação no consórcio Maracanã, liderado pela Odebrecht e que teve como parceiros e beneficiários diretos Flamengo e Fluminense. Maracanã que nesta quinta teve a luz cortada.

O Flamengo arrendou a Eike o seu prédio no Morro da Viúva, para a construção de um hotel. Com a falência de X dizem que o prédio foi devolvido ao Flamengo. Hoje está lá, abandonado.

O doutor Eike foi profundamente financiado pelo BNDES, banco público que agora empresta ao Flamengo distintos executivos.

Apuração quanto a isso provavelmente não levará a nada, dada a retidão dos envolvidos. Porém, dizer que o Flamengo está imune aos efeitos das prisões preventivas de hoje paridas pelas artimanhas do doutor Eike vai distância maior.

Assim, sem juízos de valor em relação a qualquer um dos envolvidos ou citados, o que fica ridículo na mídia esportiva, fã do “mais querido”, é esta ansiedade antes do pique começar. Este afã de gritar “comigo não tá”. Muita calma nesta hora. Porque, ainda que não existam fatos, existe uma ducha que atinge o Flamengo, lamento informar. É da vida.

Quando o senador Álvaro Dias mandou a PF a São Januário, o Vasco foi criminalizado pela mídia imediatamente. Nada se provou, mas o clube foi rabiscado. Seria de bom tom que a imprensa mantivesse seus procedimentos. Mas, como isso não é possível, fica o alerta aqui do meu canto.

E para aqueles que ainda duvidam da relação, desejo uma boa leitura:

https://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2012/01/27/eike-batista-entra-oficialmente-na-briga-para-comprar-maracana-na-terca-feira.htm

Abraços

João Carlos Nóbrega

O ano de 2017 inicia aparentemente sem muitas novidades no Vasco, especialmente para aqueles que acham que uma instituição deste porte começa e termina no seu departamento de futebol. Mas, talvez, um olhar mais cuidadoso enxergue progressos que prometem integrar as engrenagens do modelo de um clube que se pretende sólido, capaz de transitar entre o caos absoluto legado da era Dinamite para algo sustentável, permanente, robusto. Novas práticas que sinalizam um norte, a retomada de rumo e o banimento definitivo dos desmandos e suas consequências, originados no golpe de 2008 e, espera-se, encerrados para sempre com a segunda divisão de 2016.

Uma das iniciativas, apresentada ainda no mês de dezembro de 2016, foi a exposição da situação financeira do clube, de que forma o Vasco se tornou pagador após seis anos de uma administração caloteira, recuperando credibilidade no mercado, da compra de copos d’água ao contrato de patrocínio master. O exemplo de transparência vem na hora certa, quando há como mostrar o que precisou ser feito em 2 anos para que o Vasco não fechasse as portas. Com suas dívidas reorganizadas, recompostas, quitadas em boa parte, com a retomada fiscal, o clube sinaliza ao mercado o que pretende ser. Ou voltar a ser.

Outro ponto marcante, decisão acertada, foi acabar com o meio termo no departamento de futebol. O filho do presidente é o homem de confiança do presidente no futebol do clube. Ponto. Como o Vasco não é terreno público, não há porque se falar em nepotismo. Como o cargo não é remunerado, não há porque se falar em nepotismo. Como não há ninguém no Vasco com competência similar, contatos, conhecimento do mercado, com exceção do próprio Presidente, não há porque ser contestado. Lembro que passamos por Necas, Mandarinos e outros bichos. Eurico Brandão, o Eurico filho, é jovem e concedeu uma entrevista equilibrada e sensata em sua primeira aparição pública diante da imprensa. Merece fichas apostadas nele e aqui ofereço as minhas.

O último destaque que gostaria de fazer, por hora, é quanto à reformulação que se pretende iniciar no departamento de marketing. Saiu o gerente profissional Marcus Duarte, contestado por diversos setores do clube. E chegam dois novos diretores para auxiliar o Vice-Presidente Marco Antônio Monteiro: os companheiros Henrique Serra e Flávio Carvalho, conselheiros do clube. Parece haver muito a ser explorado no setor, o campo não ocupado pelo Vasco é vasto e precisa ser preenchido. Renovo as expectativas porque acredito na competência do trio e percebo apoio do Presidente para ações ousadas, das quais, francamente, sentia falta.

Portanto, a mensagem é de otimismo. Mesmo a você, que quer saber é de nomes contratados para o time de futebol, a mensagem é de otimismo. Creio que o Vasco se reforçará para fazer um bom ano, início da reconsolidação do seu futebol entre as principais forças do país.

Mas, vou além: como tenho insistido aqui, não há possibilidade de se manter um time competitivo sem um clube organizado. O segundo semestre de 2011 e primeiro de 2012 formam um período de tempo que serve como exemplo. O Vasco teve um time competente, mas este time não se sustentou porque a administração inexistia, subtraía o Vasco na medida em que o tornava menor fora de campo, com calotes distribuídos a esmo e apequenamento singular nos contratos de TV e seus efeitos secundários, refletidos nas receitas menores advindas de sua exposição menor.

Assim, o trabalho agora realizado inverte a lógica: em vez de um time que sustente a farsa de uma diretoria, busca-se uma direção real e equilibrada que sustente um time. A fórmula é correta. Sim, é verdade, nos trouxe a dor evitável da segunda divisão em 2016. Mas, quem sabe, o remédio amargo tenha aberto portas para um futuro promissor.

Abraço

João Carlos Nóbrega

CASACA! NO RÁDIO

0
Ouça a íntegra do programa CASACA! no Rádio de 24/04/2017 com participação de Sérgio Frias, Iury Gaspar e Rodrigo Alonso.