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O dr. Alan Belaciano é vinculado a Júlio Brant, candidato-fantoche de Olavo Monteiro de Carvalho nas últimas eleições do Vasco. Foi representante da chapa amarela. Advoga para Brant pessoalmente.

 O dr. Alan Belaciano tem crédito naquilo que faz e fala. Certa vez, a imprensa noticiou que foi detido por se passar por juiz de direito. 

Com este currículo, explicou ao GloboEsporte.com a sua atuação ao mover ação que suspende o Vasco temporariamente do Ato Trabalhista, instrumento que permite ao clube parcelar os seus débitos trabalhistas. Disse ele: “optei em abrir mão da política do clube e me dedicar à justiça para estes trabalhadores.” 

Além deste arroubo de sensibilidade social, ele apresentou outros esclarecimentos. Referia-se, com toda fidedignidade que o caracteriza, a certa ação trabalhista na qual atua como patrono de cerca de 30 ex-funcionários do Vasco. Nesta ação, argumenta que o Vasco deve direitos a essa gente e, por isso, requereu a retirada do clube de tal Ato, a fim de acelerar o pagamento dos seus clientes.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Argumentos jurídicos são válidos, se forem verdadeiros. Repentina sensibilidade ainda mais. O problema é que consta que nenhum de seus clientes estava na fila do tal Ato Trabalhista. 

Assim, concluiu-se que, ou o dr. Belaciano, parceiro do Brant, que por sua vez é cria do Olavo, que tem como amigo o tricampeão de contas reprovadas Nelson Rocha, que se re-aliou com o Roberto Monteiro, se enganou; ou teve a mesma recaída que o fez se proclamar juiz em um batalhão da polícia militar, ato que o levou em cana. Ou cometeu um lapso, ou sua fala ao GE trata-se de mais uma balela para boi dormir. Pois não há outro motivo que não o político, no caso política de sabotagem, rasteiríssima, para se utilizar de argumento que não beneficia seus clientes, apenas prejudica o Vasco.

Tem-se convicção que haverá reversão neste caso, o que manterá o clube no caminho da recuperação financeira e equilíbrio. Mas fatos como este servem para mostrar e confirmar quem é essa gente da oposição, o que buscam, o que querem e até onde podem ir. 

Abraço

João Carlos Nóbrega

 

Em um dos últimos textos que publiquei aqui, apresentei alguns motivos para que os vascaínos pudessem confiar em um ano de 2017 melhor. Depois, houve a estreia do estadual, atuação abaixo da crítica contra o Fluminense, algumas demoras plenamente justificáveis quanto a contratações, um pontual atraso salarial e pronto: choveram críticas. As críticas que chovem são aceitáveis quando se imagina que provêm do torcedor comum, do cara justamente ansioso e preocupado com desempenhos recentes causados pela pré-falência à qual o Vasco foi submetido por Dinamite, sua trupe e seus apoiadores, muitos deles que foram residir na oposição ao Vasco. Mas o início ruim, preocupante para alguns, também foi utilizado pela vigaristagem de rapina. Os que ficam lá esperando para ações oportunistas.

Não à toa, o Vasco sofreu uma violência ontem. Recebeu, em sua sede, injustificável força policial motivada por uma ação movida por ditos opositores que pleiteavam a retirada de uma listagem de sócios aptos a votar somente no dia de ontem (grifo nosso) nas eleições que acontecerão em novembro próximo (meio distante, não?).

A utilização de força policial serviu para uma coisa: mostrar ao povo carioca que havia polícia disponível, em que pese os rumores de greve da PM na manhã da última sexta. Neste sentido, a pauta do Gilmar Ferreira no Extra mandou bem (tomara que ele seja re-contratado de onde foi demitido). Greve que não seria novidade, na medida em que a PM disse há dias que não poderia atender a um Vasco x Flamengo no basquete por falta de efetivo. Mas, que bom que a polícia pôde estar ontem em São Januário, comprovando que o que circulou nos últimos dias em redes sociais era boato.

Quanto à ação movida pelos opositores que foram situação na era Dinamite, eu nem sei exatamente por quem ainda, mas acho que por um anão amarelo, não houve problema algum em cumprí-la. Apenas gostaria de avisar que alguns sócios tiveram seus direitos estuprados.

Cito dois casos básicos. Você, que tinha até ontem para quitar sua mensalidade de fevereiro, o faça, para seguir ajudando o clube. Mas, nos termos da ação proposta, esqueça de exercer seus direitos a voto em novembro. Tudo indica que será proibido. Também você, que possui 17 anos, é sócio há mais de ano e completará 18 anos em breve, siga pagando suas mensalidades pelo bem do Vasco, mas esqueça de exercer o seu direito na eleição de novembro. Explico, se não ficou claro: é que a ação prevê que a lista tomada do clube ontem será a definitiva para o próximo pleito, após a análise não dos poderes do clube, mas de um perito fidedigno nomeado pela Justiça ilibada do Rio de Janeiro, espécie de intervenção que não se comete em lugar algum, só no Vasco. Confiemos no mundo.

Esta é uma vertente da ignorância: aquela motivada pelo oportunismo fora de hora, que prejudica sócios do clube. Pena.

A outra vertente da ignorância começa em uma imagem, a qual tive acesso, de um diálogo no canal Esporte Interativo e em uma inacreditável coluna teoricamente escrita pelo ex-atleta Neto, aquele gordinho do Corínthians, que passou a vida fora de forma e hoje é comentarista não sei de que canal.

A imagem a que me refiro e que foi proveniente de um programa do canal Esporte Interativo informa, em diálogo absolutamente tosco, porque é motivado por algum tipo de rancor, que o jogador Luis Fabiano, antes atleta vinculado a um time chinês, foi inscrito pelo Vasco na FFERJ sem documento algum. Um dos pastelões chega a dizer que o Madureira poderia ter inscrito o Luis Fabiano. É mesmo?

Já o ex-jogador Neto, que de profissional teve apenas os contratos, porque sempre se manteve no limiar entre o sobrepeso e a necessidade de cirurgia bariátrica, clamou por profissionalismo, vociferou contra o amadorismo e endossou o discurso, afirmando em um blog intitulado netocraque (ah ah ah) a mesma pantomima.

Eu sei que dói em gente tendente à vigarice o fato de haver coerência numa administração Eurico. Sei também que salários em dia e cumprimentos de promessa como qualificar enormemente o elenco de futebol causam urticária. Sem falar em muitas outras coisas ou há muito, ou recentemente em andamento. Mas essa gente precisa ter a mínima noção do ridículo.

Passar ações contra os sócios do Vasco na Justiça, como esta impetrada pelos oportunistas eternos da oposição, que apostam no resultado ruim, no sempre “vai dar merda” e até na demora de determinadas contratações complexas é agir não contra a diretoria atual, mas contra o clube. A influência nefasta é tanta que ontem, em dia esquisitaço no Rio de Janeiro, a respeitável jovem togada, responsável pela concessão do pleito jurídico, passou seu tempo em contato direto online com o que havia em São Januário. Parêntese: muito bacana quando alguém é tão dileto ao cumprir suas atribuições.

Moral das histórias acima contadas:

1) Fabiano está inscrito, obrigado, sem condição de que o Madureira o fizesse. Só toscos, como o Neto, ex-atleta amador, e o EI, o Estado Islâmico esportivo, acreditam nisso. Corram atrás para saber o porquê.

2) A ação que deu origem àquela pantomima em São Januário ontem ofereceu ao respeitável público algo além de um picadeiro: sim, a força policial só faz greve se for justa. Tanto que ela estava lá, de prontidão, em que pese a recusa de se fazer presente em jogo de basquete no qual o Vasco foi mandante contra o Flamengo.

3) Aos prejudicados nítidos pela ação movida pela “oposição” sem cara, mas anã, financiada pelos filhotes do MUV de sempre, sugiro que movam ações na Justiça para a garantia de direitos e, caso sem efeito, que acionem os responsáveis pelo que lhes roubará o que é previsto em estatuto do Vasco.

4) Parabéns ao ghost writter do Neto, que o faz escrever um “O” mais ou menos com se estivesse reproduzindo a boca de um copo. Pena que o conteúdo é uma merda como se fosse um chute de direita do ex “craque”.

5) Principal: os juvenis, financiados pelos toscos de sempre, precisam se esmerar.

Abraços

João Carlos Nóbrega

 

Nas antigas brincadeiras de pique, havia uma preliminar entre a turma que participaria da farra. Dentre os participantes, o último que falasse “comigo não tá” seria o responsável pelas tarefas das quais todos queriam se esquivar: no pique-esconde, o sujeito que teria que achar esconderijos. No pique-pega, o camarada que tinha que correr atrás dos outros. Algo como o bobo na rodinha de futebol.

Eu não pretendia falar sobre isso porque nada tem a ver com o Vasco. Mas depois de constatar uma matéria no The Globe com o sugestivo título “Flavio Godinho, um negociador hábil que caiu pela eficiência” e ter acesso ao comentário do rubro-preto Mauro Cezar, da ESPN, que disse taxativamente que nada do que ocorreu no âmbito da Lava-Jato respinga no Flamengo, saquei que o “comigo não tá” flamengueiro entrou em ação com toda força nesta ensolarada manhã de quinta-feira.

Godinho, vice de futebol do Flamengo, foi preso porque era braço direito de Eike Batista, empresário também com prisão decretada. A mídia parece querer encerrar o assunto aí. Para não respingar no “mais querido”.

Mas, espera lá. O doutor Eike tinha participação no consórcio Maracanã, liderado pela Odebrecht e que teve como parceiros e beneficiários diretos Flamengo e Fluminense. Maracanã que nesta quinta teve a luz cortada.

O Flamengo arrendou a Eike o seu prédio no Morro da Viúva, para a construção de um hotel. Com a falência de X dizem que o prédio foi devolvido ao Flamengo. Hoje está lá, abandonado.

O doutor Eike foi profundamente financiado pelo BNDES, banco público que agora empresta ao Flamengo distintos executivos.

Apuração quanto a isso provavelmente não levará a nada, dada a retidão dos envolvidos. Porém, dizer que o Flamengo está imune aos efeitos das prisões preventivas de hoje paridas pelas artimanhas do doutor Eike vai distância maior.

Assim, sem juízos de valor em relação a qualquer um dos envolvidos ou citados, o que fica ridículo na mídia esportiva, fã do “mais querido”, é esta ansiedade antes do pique começar. Este afã de gritar “comigo não tá”. Muita calma nesta hora. Porque, ainda que não existam fatos, existe uma ducha que atinge o Flamengo, lamento informar. É da vida.

Quando o senador Álvaro Dias mandou a PF a São Januário, o Vasco foi criminalizado pela mídia imediatamente. Nada se provou, mas o clube foi rabiscado. Seria de bom tom que a imprensa mantivesse seus procedimentos. Mas, como isso não é possível, fica o alerta aqui do meu canto.

E para aqueles que ainda duvidam da relação, desejo uma boa leitura:

https://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2012/01/27/eike-batista-entra-oficialmente-na-briga-para-comprar-maracana-na-terca-feira.htm

Abraços

João Carlos Nóbrega

O ano de 2017 inicia aparentemente sem muitas novidades no Vasco, especialmente para aqueles que acham que uma instituição deste porte começa e termina no seu departamento de futebol. Mas, talvez, um olhar mais cuidadoso enxergue progressos que prometem integrar as engrenagens do modelo de um clube que se pretende sólido, capaz de transitar entre o caos absoluto legado da era Dinamite para algo sustentável, permanente, robusto. Novas práticas que sinalizam um norte, a retomada de rumo e o banimento definitivo dos desmandos e suas consequências, originados no golpe de 2008 e, espera-se, encerrados para sempre com a segunda divisão de 2016.

Uma das iniciativas, apresentada ainda no mês de dezembro de 2016, foi a exposição da situação financeira do clube, de que forma o Vasco se tornou pagador após seis anos de uma administração caloteira, recuperando credibilidade no mercado, da compra de copos d’água ao contrato de patrocínio master. O exemplo de transparência vem na hora certa, quando há como mostrar o que precisou ser feito em 2 anos para que o Vasco não fechasse as portas. Com suas dívidas reorganizadas, recompostas, quitadas em boa parte, com a retomada fiscal, o clube sinaliza ao mercado o que pretende ser. Ou voltar a ser.

Outro ponto marcante, decisão acertada, foi acabar com o meio termo no departamento de futebol. O filho do presidente é o homem de confiança do presidente no futebol do clube. Ponto. Como o Vasco não é terreno público, não há porque se falar em nepotismo. Como o cargo não é remunerado, não há porque se falar em nepotismo. Como não há ninguém no Vasco com competência similar, contatos, conhecimento do mercado, com exceção do próprio Presidente, não há porque ser contestado. Lembro que passamos por Necas, Mandarinos e outros bichos. Eurico Brandão, o Eurico filho, é jovem e concedeu uma entrevista equilibrada e sensata em sua primeira aparição pública diante da imprensa. Merece fichas apostadas nele e aqui ofereço as minhas.

O último destaque que gostaria de fazer, por hora, é quanto à reformulação que se pretende iniciar no departamento de marketing. Saiu o gerente profissional Marcus Duarte, contestado por diversos setores do clube. E chegam dois novos diretores para auxiliar o Vice-Presidente Marco Antônio Monteiro: os companheiros Henrique Serra e Flávio Carvalho, conselheiros do clube. Parece haver muito a ser explorado no setor, o campo não ocupado pelo Vasco é vasto e precisa ser preenchido. Renovo as expectativas porque acredito na competência do trio e percebo apoio do Presidente para ações ousadas, das quais, francamente, sentia falta.

Portanto, a mensagem é de otimismo. Mesmo a você, que quer saber é de nomes contratados para o time de futebol, a mensagem é de otimismo. Creio que o Vasco se reforçará para fazer um bom ano, início da reconsolidação do seu futebol entre as principais forças do país.

Mas, vou além: como tenho insistido aqui, não há possibilidade de se manter um time competitivo sem um clube organizado. O segundo semestre de 2011 e primeiro de 2012 formam um período de tempo que serve como exemplo. O Vasco teve um time competente, mas este time não se sustentou porque a administração inexistia, subtraía o Vasco na medida em que o tornava menor fora de campo, com calotes distribuídos a esmo e apequenamento singular nos contratos de TV e seus efeitos secundários, refletidos nas receitas menores advindas de sua exposição menor.

Assim, o trabalho agora realizado inverte a lógica: em vez de um time que sustente a farsa de uma diretoria, busca-se uma direção real e equilibrada que sustente um time. A fórmula é correta. Sim, é verdade, nos trouxe a dor evitável da segunda divisão em 2016. Mas, quem sabe, o remédio amargo tenha aberto portas para um futuro promissor.

Abraço

João Carlos Nóbrega

 

Este texto não é direcionado evidentemente aos oportunistas de sempre. Aqueles que foram ao Maracanã no sábado tirar proveito de um momento tenso para fazer política rasteira. Os autores de notinhas cínicas antes e após a partida do Vasco diante do Ceará. Como se não tivessem feito parte, todos eles, dos seis anos de catástrofe protagonizados por Dinamite e sua laia. Como se não tivessem desfrutado de altos cargos diretivos entre julho de 2008 e dezembro de 2014. Como se não tivessem tramado, todos eles, a prorrogação irregular de um mandato, período no qual o Vasco não percebeu que era subtraído em tenebrosas transações.

Também não pode ser direcionado à imprensa esportiva, pois a imprensa esportiva tem um viés de parcialidade incorrigível. A queda de 2008 foi tratada com glamour; a queda de 2013 com desdém; a atual, embora derivada dos mesmos motivos que levaram às duas primeiras, como catástrofe. A mídia atua de acordo com suas preferências em termos políticos.

Este texto é direcionado a quem acompanha o Casaca desde sempre. E já se vão quase 17 anos de História. Também é direcionado ao torcedor comum, caso se interesse pelo que será escrito.

Sem maiores novidades, não há nada a comemorar após o resultado de sábado. Também não haveria se o Vasco fosse campeão deste arremedo de competição. Disputá-la é uma distorção para um clube como o nosso. Um castigo suficiente. Passar por isso 3 vezes em tão pouco tempo, porém, dimensiona a gravidade da situação institucional. Entendê-la é uma necessidade. Até para que se possa evoluir. Até para que o clube possa, enfim, se re-nortear. É preciso virar esta página, mas de forma sustentável, para que nunca mais aconteça.

Há uma série de ações a serem tomadas e é certo que, ou já estão sendo apontadas, ou já foram, ou serão em breve para o Presidente do clube. Trato de duas delas abaixo. Tratarei de outras no futuro.

O Vasco foi subtraído pela gestão anterior. Ela o fez conhecer o caminho da segunda divisão, reduziu suas cotas de TV pela metade daqueles que mais recebem e sucateou as instalações do clube. Isso todo mundo com princípios honestos reconhece. Mas o pior foi descoberto depois: brotaram confissões de dívidas, obrigações caloteadas, impostos com pagamento suspenso. As tais tenebrosas transações possuem dimensão suficiente para quase inviabilizar o clube. Então, elas precisam ser expostas. Não adianta o Presidente do Vasco convocar uma entrevista coletiva, duas, três e dizer que o clube está, ou esteve, em terra arrasada. É preciso mostrar.

Assim a primeira ação concreta sugerida é esta: cria-se no site oficial e nas mídias sociais um espaço para acompanhamento das ações e acordos que o clube precisou fazer para não fechar as portas. Cita-se o nome do pleiteante, ou executor. Pode ser que apareçam até autores de notinhas recentes. Cita-se o nome do advogado da parte. Pode ser até que apareça o nome de integrantes de grupos políticos que passaram os últimos dias aos faniquitos. E então será compreensível para todos a realidade a ser enfrentada. Há o argumento de que tal exposição poderá prejudicar celebração de novos contratos e parcerias. É o preço a se pagar. Por outro lado, colhe-se o que advém da transparência.

Mas a irresponsabilidade do tempo da república das bananeiras, embora justifique todas as dificuldades hoje enfrentadas pelo Vasco, não deve servir de desculpa para os erros cometidos agora. Se foi possível mapear o descalabro deixado, deveria ser possível prever cenários de amortecimento para as consequências do que foi recebido no final de 2014. Dividir tarefas ajudaria bastante, neste sentido.

Logo, uma necessidade imediata do clube tem sido repetida para o Presidente desde, pelo menos, o jogo do turno com o Fluminense na série A de 2015. Portanto, antes da décima-terceira rodada daquela competição. Não há mais como ele assumir a responsabilidade de tudo sozinho. Todas as responsabilidades, seus bônus, seus ônus, devem ser pulverizadas pela diretoria. Todos precisam mostrar seus rostos. A simples ação de pulverizar responsabilidades já fará com que as engrenagens do Vasco se movimentem de outra forma, novas ideias surjam, novas perspectivas, novos planos, novos diagnósticos, novas pessoas se aproximem e outro modelo de gestão surja, talvez eficiente e certamente menos dependente do super-homem que é sempre responsabilizado por tudo.

Neste sentido, valer-se deste grupo, o Casaca, bem mais do que se valeu até aqui é uma oferta renovada. Aqui há coesão de filosofia, não se pleiteia o lugar de ninguém, pensa-se apenas em ajudar. De frente. Dividindo responsabilidades. Aceitando a boa luta porque fomos formados nela, muito mais do que qualquer grupo que há ou já houve no Vasco. Cargos de nada valem se com eles não vêm as responsabilidades. Ideias e potenciais parceiros apresentados de nada valem se houver quem se ocupe de engavetá-los. Ações efetivas de nada servem se forem vistas como movimentação política e, por isso, despertarem a inveja e a vaidade dos que deveriam comemorar sangue novo.

O Vasco precisa se modernizar sem perder o fio de seu trajeto de existência. Eurico teve a oportunidade de fazê-lo. A boa notícia: ainda tem. Que se saiba transitar entre os tempos que o tornaram o maior dirigente da História do clube e a absoluta necessidade de distribuição de responsabilidades, planejamento real, visão de futuro, estratégia. É bom ter no horizonte que o clube precisa desenvolver tudo isso enquanto resolve o caos financeiro estabelecido desde 2008. Caos que, com a habilidade de sempre, Eurico vai contornando com dose cavalar de sacrifício. Mas ele não pode mais cuidar disso, e do futebol, e das comunicações, e de falar com a imprensa, e de frequantar as entidades, e de ver se a impermeabilização da marquise segue de acordo, e de……..Sua presença nos mais diversos departamentos é saudável em patamar superior, quando houver algo delicado a ser resolvido.

Mais uma vez, portanto, as mãos estão estendidas. Desta vez, publicamente porque o Vasco tem pressa. Pressa de rumar para o futuro, sem perder os vínculos com seu glorioso passado. Pressa de voltar a ser um clube com a solidez necessária para que, em primeiro lugar, volte ao patamar de 2008, quando não entrava em campeonatos com risco de queda; posteriormente, para que brigue por frequência em competições internacionais e títulos nacionais e internacionais. Pressa em enviar para o limbo os anos que fizeram o seu torcedor sofrer como fruto do desleixo de uma aventura de seis anos. Pressa em se planejar, até para compensar determinados equívocos e tropeços que se reflitam em períodos como este segundo semestre de 2016, a ser esquecido o quanto antes.

Abraço
João Carlos Nóbrega

Li, durante a semana, uma reportagem exposta, salvo engano, na página da ESPN Brasil. Nela se falava sobre uma pretensa crise que estaria assolando o Vasco. Crise não restrita ao campo de jogo, mas que atingiria também vestiário e as esferas política e administrativa. Curiosamente chega-se a falar em “nau a deriva” e “eleitorado restrito”, pois os sócios torcedores não têm direito a voto.

Em 2014 o Vasco voltou à primeira divisão por uma bola. Empatava com o Icasa no Maracanã, equipe então rebaixada à terceira divisão, quando quase sofreu o gol de desempate no último minuto, fato que impediria o seu acesso à elite de 2015. O elenco e os funcionários do clube estavam com 3 meses de salários atrasados. Em São Januário, o lixo se acumulava pelos cantos literalmente, enquanto confissões de dívidas suspeitas eram tramadas a cortinas fechadas. Não há registro que a ESPN Brasil tenha usado a expressão “nau à deriva” em alguma de suas reportagens na ocasião. O que me leva a crer que a matéria da semana que passou tem viés político.

Este viés político se confirma quando o mesmo texto fala em “eleitorado restrito” no momento em que tenta prever um ano de 2017 turbulento em função de eleições. O eleitorado é assim considerado pelo autor da reportagem porque os sócios torcedores não votam. Seria honesto que a ESPN Brasil informasse ao respeitável público em quais clubes do país o sócio torcedor tem direito a voto. Se conseguir encher uma das mãos, que também preste informação sobre restrições previstas – ou seja, nos casos em que este direito existe, somente o possuem as categorias em que o sócio paga mais. Uma espécie de elitização do quadro social, não? Razoavelmente diferente daquilo que justificaria a tese de democracia ampla e irrestrita. Não se tem notícia de que a ESPN Brasil se incomode com processos eleitorais em outras instituições esportivas – nem com a ausência de voto dos seus sócios torcedores.

Ainda sobre o aparente real interesse da matéria da ESPN, ou seja, embaralhamento político, foi mencionado que há conflito entre correntes: a de oposição versus o grupo mais sólido que apoia a atual administração, o CASACA. Lamento, mas só pode haver conflito quando existem 2 correntes ou mais. O problema é que só há uma corrente. Não se pode considerar corrente grupo que não se posiciona ou grupo que se posiciona contra o Vasco e a favor de campanhas toscas criadas por flamengueiros da mídia, como a dos 100 jogos na segunda divisão. Como se estes vascaínos de meia pataca não fossem direta ou indiretamente co-responsáveis pela marca.

Quanto aos problemas do time, não se nega que seus principais jogadores vivam um compreensível mau momento técnico, que determinadas experiências táticas soem estranhas e que, por isso, tenham sido colhidos resultados ruins, inclusive na série B, espécie de laboratório a céu aberto, onde a motivação deve sofrer reveses graves. Parêntese óbvio: laboratório porque não é lugar para o Vasco.

Mas daí a se enxergar uma “nau à deriva” vai grande distância. O Vasco disputou 26 rodadas neste arremedo de campeonato em 2016. Foi líder em todas. Mantém salários em dia. Cumpre com seus acordos com grande esforço, aparentemente. Seu presidente está constantemente próximo ao Departamento de Futebol, desde quando o vice-presidente da área se licenciou, pelo noticiário. Não parece o caso de falta de comando, incentivo, obrigações mantidas em dia.

Na quarta-feira o Vasco enfrenta o Santos, jogo de volta pelas oitavas da Copa do Brasil. Este sim um adversário que possui nível. Esta sim uma competição com a sua dimensão. Infelizmente, no jogo de ida, o time já passava pelos mencionados problemas de ordem técnica e tática. Ficou devendo 2 gols que precisará tirar em São Januário. O jogo é bastante difícil, a torcida vai comparecer com reservas e a cornetagem de plantão esfrega as mãos redações afora. Classificando, o fio vira. Caindo fora, os arautos do caos vão soltar rojões e proclamar crises.

Mas, em um caso ou noutro, aqui do meu canto fico achando que já é hora de pensar em 2017. Antecipar previsões quanto à volta para a primeira divisão para varrer de vez da História do clube os 3 rebaixamentos causados pela administração Dinamite e sua patota, com auxílio decisivo de um esquema indiscreto de arbitragem para prejudicar o clube durante a sua reação em 2015. E, vindo o trofeu da segunda divisão, que se dê a ele o destino merecido – um canto de armário fechado, na melhor das hipóteses.

Abraço
João Carlos Nóbrega de Almeida

O hilário humorista Porchat, um vascaíno de mentira, um tricolor de aparência, passou recibo quanto à insatisfação dos verdadeiros vascaínos, a quem remete tal recibo, a respeito das declarações públicas que concedeu sobre São Januário. Mas a emenda saiu pior do que o soneto.

Em sua patética resposta, lá pelas tantas, Porchat diz que a diretoria atual (velha) nada fez pela reforma do estádio. Falso. Ao sair, em 2008, deixou pré-contrato assinado com a Lusoarenas para ampliação e reforma de casa dos verdadeiros vascaínos. Mas a diretoria seguinte, apoiada entusiasticamente pelo falso vascaíno Porchat, tricolor de aparência, cuidou de rasgar o documento. Genial.

Não pensem que a diretoria apoiada pelo vascaíno de mentira, tricolor de aparência, se resumiu a isso. Posteriormente, inventou o factóide rugbi olímpico. Garantiu que São Januário seria reformado para a disputa deste esporte nas Olimpíadas que começam em menos de 40 dias. Deu no de sempre: água. Aliás, parêntese: sorte nossa. Não consigo imaginar o Vasco imune ao propinódromo que se estabeleceu no Rio de Janeiro desde os tempos do Odebrechtão, ex-Maracanã, capitaneado por outro vascainíssimo com cara de tricolor.

Nem nestas ocasiões, nem no momento em que o estádio foi deixado literalmente em escombros, ao final daquela catastrófica república das bananeiras, Porchat teceu qualquer comentário. Bem se vê a sua isenção, não somente na foto acima, em que aparece do lado de um candidato-fantoche fabricado pelo dr. Olavo Monteiro de Carvalho, o dono do rugbi de 7 que do papel não saiu, o detentor da tesoura que picotou o documento da Lusoarenas.

Mas Porchat consegue piorar sua fala. Em defesa de modernidade, cita que o Vasco deveria se espelhar no Morumbi, do São Paulo e no Itaquerão, do Corínthians. Se não sabe, deveria saber: estes estádios foram levantados por dinheiro público, ao contrário do Estádio Vasco da Gama. Se não sabe, deveria saber: pelo menos um deles está sob investigação por suposta farta distribuição de propina em função de sua construção para a Copa de 2014, suposições envolvendo empreiteiras, governo federal e a própria diretoria do clube. Isso sim, uma vergonha que parece não envergonhar Porchat (imagina-se o motivo). É que o Dr. Rouanet ensinou alguns integrantes da turma da arte a praticar indignação seletiva.

Em suma, o não vascaíno, vascaíno de mentira, falso vascaíno, com seu semblante tricolor, que havia perdido uma baita oportunidade de ficar calado na lamentável fala original, conseguiu a proeza de tornar ainda pior seu argumento. Inegavelmente, como vascaíno Porchat é um divertido humorista, além de tricolor de aparência. Humor demonstrado quando ele cita como exemplo de melhoria a loja do clube. Por este ângulo, se houvesse alguma isenção, por que não citar o Caprres? Ou o campo anexo? Ou o ginásio?

O que essa gente que se diz vascaína para fazer política rasteira precisa aprender é que conversa fiada, discurso comprado em lojinha de 1,99, construção retórica sem base não vão passar. É preciso muito mais. O Vasco precisa, sim, investir, inclusive em seu estádio histórico. Mas somente quando recuperar a sua capacidade de investimento. Algo que só poderá ser retomado quando for limpa a gigantesca cagada deixada por Dinamite, sua trupe e os falsos vascaínos que a eles deram cobertura, inclusive aqueles tricolores de aparência.

João Carlos Nóbrega de Almeida


“Eurico Miranda é um ser da pior espécie possível. Um câncer para o Vasco e o futebol. Não há qualidades nesse ser humano. Ele fez as pessoas odiarem o Vasco. Éramos um time querido, o primeiro a lutar para ter negros jogando e todo mundo gostava de nós. Criou-se uma raiva contra o Vasco que não existia”,.

“…o Vasco é o único carioca com estádio particular e o local é uma vergonha.”

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Li ontem uma inserção de humor no site Netvasco. Nela, se pronunciava o divertido Fábio Porchat, que se diz vascaíno. Salvo engano, o pronunciamento se deu em um negócio chamado “Papo com o Benja”, ou algo similar. Confesso minha ignorância, mas a justifico. Imagino que Benja seja um diminutivo para Benjamim. Vamos e venhamos que o sujeito que se vale de diminutivos deste tipo nos roga para ser levado bem menos a sério.

Voltando à fala do hilário Porchat, vou começar pelo fim, quando ele diz que “ é o Vasco único carioca com estádio particular e o local é uma vergonha”. Há duas hipóteses para a fala:

Hipótese 1: Pochat se incomoda com favelas muito próximas.

Neste caso, acabou por se contradizer. Explico. Em fala anterior, disse o seguinte: “Éramos um time querido, o primeiro a lutar para ter negros jogando e todo mundo gostava de nós.” Claro está que nosso sábio humorista tropeçou. Pois não é lógico que se enalteça o caráter social de um clube para, posteriormente, se criticar o ambiente que cerca a instituição, popular e com comunidades/favelas próximas (Tuiuti, Barreira…).

Se esta hipótese prevalece, entendo que o divertido Pochat pode pensar em aproveitar o vídeo do sensacional Porta dos Fundos, do qual é renomado integrante, intitulado “Pobre”:

Desconfio que da próxima vez que for ao Vasco poderá chegar mais cedo para usufruir da excursão proposta no vídeo anexo. Deverá se esforçar para não ser confundido com forasteiro: loiro, branco demais e avesso ao ambiente “hostil”, convém disfarçar.

Hipótese 2: Porchat se incomoda com o interior de São Januário.

Sem prejuízo do que será dito a seguir, Porchat poderia começar cobrando dos seus parceiros de filosofia elitista. Foram 6 anos de Dinamite e sua trupe, a quem Porchat sempre fez questão de defender, sem uma ação a favor de tornar o ambiente, digamos, mais favorável a gente como ele. Se não, vejamos: na estreia em 2008, Dinamite, Olavo e sua turma rasgaram um pré-contrato assinado com a empresa Lusoarenas para modernizar São Januário, assinado pela diretoria retrógrada de Eurico Miranda; no meio da administração, Dinamite, Olavo e sua turma entregaram à torcida do Vasco a fanfarronice do Rugbi de 7 que seria disputado nas Olimpíadas que começam em 40 dias. A presepada dizia que São Januário seria reformado para esta maravilha (felizes somos nós que hoje não nos vemos mergulhados em falcatruas de empreiteiras/governo). Não foi. Sequer saiu do papel; e no fim daquela aberração administrativa, o que se viu foram dezenas de caminhões de lixo sendo retirados do estádio pelo descaso da administração que o loiro, rico e famoso apoiava.

Não obstante, se a hipótese correta é esta, parece que Porchat não conhece do estádio que, de fato, é antigo. Dos anos 20. Mas como seu discurso oscila entre o popular/social do politicamente correto e tropeços elitistas que sequer percebe, indico que ele busque na História do Vasco o que ensejou a construção de São Januário. E, depois disso, tudo o que se trabalhou contra a sua existência, travando, por certo, a sua modernização ao longo do tempo, em paralelo à própria desconstrução de São Cristóvão, bairro relegado a segundo plano apesar de seu papel na História do país pré-Vasco.

Em relação ao resto de sua fala hilária, não devo me ater a opiniões pessoais. Porchat acha Eurico Miranda um ser da pior espécie possível. É uma questão de opinião. Assim como há quem sequer reconheça a espécie de Porchat. Ou quem repudie suas vocações políticas. Ou quem odeie suas preferências sexuais. Realmente, não vem, ou não deveria vir ao caso. A não ser que incentivado por Benja e respondido por Porchat. Que dupla!

Ademais, Porchat diz que o Vasco era amado nacionalmente antes de Eurico. Bem se vê que nível histórico possui em termos de Vasco: rasteiro. Bem rasteiro. Ao dizer que o clube foi “o primeiro a lutar para ter negros jogando” não deveria concluir que por isso “todo mundo gostava de nós”. Ora, ora. Ele e sua gente são tão críticos contra o preconceito ainda reinante no país que deveriam saber que, exatamente por isso, o Vasco nunca deixou de ser odiado.

O que Porchat deveria argumentar é que, em dado momento, o Vasco foi aparentemente menos odiado. Como ele é quase um menino, deve ter poucas lembranças disso. Mas o Vasco foi menos odiado justamente no período em que não conquistou nada. O ódio ressurge justamente na hora que volta a conquistar. E como este ódio, até então (hoje não é mais assim!), podia ser canalizado para uma só pessoa, assim o foi. E o ingênuo Porchat (logo quem, tão malandro e inteligente!) caiu na esparrela.

Sim, caro Porchat: Eurico centralizou o ódio reprimido contra o Vasco. Faça suas contas: ele se intensifica no final dos anos 80, no tri do início dos anos noventa e no final da década. O ódio contra Eurico não fez o Vasco ser mais odiado. Apenas reacendeu na elite o ódio histórico contra o Vasco. Elite da qual esperamos que você, com esta sua cara de tricolor, não faça parte ao se misturar com a torcida mais popular do Rio, no Estádio mais popular do Rio, na área mais popular do Rio.

Abraço

João Carlos Nóbrega de Almeida

 

Não é de hoje que o doutor Gilmar Ferreira insiste em praticar um jornalismo torto, especialmente quando o assunto é Vasco, especificamente quando dirigido por seus atuais dirigentes. Melhor dizendo: o que o senhor Gilmar Ferreira desenvolve neste caso não é jornalismo. O jornalista apura. O doutor Gilmar prefere versões. O jornalista tem por obrigação buscar a verdade. O doutor Gilmar usa a caneta para tentar criar intrigas. O jornalista procura fatos que sustentem uma tese. O doutor Gilmar prefere os factóides.

Por duas vezes ao longo da semana que passou, o doutor Gilmar, aparentemente pautado pelo empresário Reinaldo Pitta, presumível representante do zagueiro Rafael Vaz, tentou dar ao impasse quanto à renovação de contrato do zagueiro um tom de mistério, com suas usuais ilações sem nexo, suspeitas que carecem de visão básica dos fatos, teorias pouco inteligentes e enorme dose de veneno, mal que o atrapalha profundamente quando se arvora em falar do Vasco com Eurico à frente. Uma lástima, mas não é a primeira e não será a última. Neste aspecto, o doutor Gilmar, pupilo de RMP, tem professor. E que professor.

O assunto Rafael Vaz poderia ser encerrado com o seguinte desenrolar banal: o jogador teve 3 anos de contrato, ficou na cerca a maior parte do tempo, foi resgatado no segundo semestre do ano passado, fez alguns gols importantes, atuou de forma relativamente segura em algumas partidas e voltou a ser um jogador com assento no elenco, embora reserva. Contudo, não se pode negar, um jogador de risco.

Valorizando o atleta o quanto possível, reconhecendo sua tentativa de recuperação, o Vasco ofereceu a ele um reajuste de 30% sobre um salário de 80 mil reais. O jogador passaria a receber 104 mil reais. Mais o Vasco não poderia oferecer. Primeiro porque não tem de onde tirar. Depois que não se pode pagar a um reserva mais do que a qualquer titular, sob pena de se criar um flanco no elenco.

O empresário Reinaldo Pitta, que diz gerenciar a carreira do atleta, magoou-se. No seu entender, qualquer proposta deveria ser submetida primeiramente a ele. Não se sabe onde isso está escrito, para começo de conversa. Fato é que o Vasco deu um prazo para que Vaz respondesse. Vaz não respondeu, certamente orientado por Pitta, que neste meio tempo espalhou o interesse do Flamengo no jogador, provavelmente por rancor. Achava que assim poderia criar algum tipo de incômodo contra a diretoria do clube.

Resumo inicial: queira o empresário Pitta ou não, queira o doutor Gilmar ou não, o Vasco tem o direito de negociar com seus jogadores diretamente. Mas o problema de Pitta vai além.

Se o doutor Gilmar apurasse como faz um jornalista, descobriria que o empresário move uma ação contra o Vasco em que se diz credor de 80 mil reais por suposta intermediação na negociação de um jogador chamado Fabricio Sousa. Isso seria normal, afinal a gestão anterior, parceira do doutor Gilmar, não pagava a ninguém. Mas sua atuação no caso é contestável. O problema é que Pitta é empresário de Fabrício. Ao representar uma parte no negócio, o senhor Pitta estaria impedido de intermediá-lo. Outro ponto é que a atividade de agente de jogador só poderia ser desenvolvida por pessoa física, mas o contrato foi feito com pessoa jurídica. Eis alguns desvios que podem ter ajudado o Vasco a desacreditar o senhor Pitta.

Mas há mais. Ao pretensamente adquirir 25% dos direitos econômicos do zagueiro Dedé junto ao Volta Redonda, nem Dedé, nem o Villa Rio, detentor dos outros 75% dos direitos econômicos, nem o Vasco, naquele momento detentor dos direitos federativos, foram parte de contrato. Consta que sequer tomaram ciência do negócio. O que veio a seguir eu deixo para um jornalista apurar, mas tem que ser jornalista. A questão é que, na ocasião, Pitta cedeu o percentual que alega ter direito a um clube de empresários chamado Coimbra, dizendo ter anuência de Vasco, Volta Redonda e Villa Rio. Não tinha. O Coimbra cobra o prejuízo. E Pitta quer repassá-lo ao Volta Redonda, ao Villa Rio e…..ao Vasco.

Neste cenário, se meramente não fosse direito do Vasco oferecer propostas diretamente aos atletas que lá atuam, seria plenamente justificável o clube não manter relações com o renomado empresário. Pois este o aciona em pelo menos duas frentes, ambas amplamente contestadas pelo atual departamento jurídico. Sim, é pertinente que o senhor Pitta busque o que acredita serem seus direitos, mas no litígio, claro está que há impedimento para que qualquer negociação seja mantida pelo clube com ele.

Para dar um tom republicano às suas teorias capengas, disfarçando quem lhe oferece a pauta, o doutor Gilmar cita mais 3 atletas e consegue piorar o que já era ruim em sua matéria. Fala estranhar que o clube tenha aberto mão de Gilberto, Rafael Silva e Riascos. Gilberto pediu para sair e não era do Vasco, Rafael Silva recebeu proposta superior e não era do Vasco.

Quanto a Riascos, eis um belo exemplo da dubiedade praticada pela imprensa esportiva. Enquanto pregam responsabilidade por um lado, estimulam o chute no balde por outro. O doutor Gilmar diz que a diretoria “não se programou” para manter o jogador. Solicitado, o Cruzeiro avisou quanto custaria a “programação”: 2 milhões de dólares, 7 milhões de reais, além de salários de 260 mil reais mensais. Não é uma beleza para uma instituição em plena tentativa de readequação financeira?

O Vasco trabalha absolutamente com pés no chão. Talvez não por desejo, mas porque não existe alternativa. Sua recuperação a olhos vistos incomoda sensivelmente a determinados personagens.

O primeiro passo foi desinfetar as barbaridades que jornalistas e anti-jornalistas ajudaram a impor ao clube durante 6 anos. Depois disso, com custo e corte na carne, transita-se pelo saneamento. Quem sabe, em um futuro sonhado, se consiga voltar a investir. Há plano, há meta, há comando, há responsabilidade e  havendo tudo isso e muito mais, ignorar a plantação de intrigas, desconhecer delírios e dar de ombros para factóides é a parte mais simples do caminho.

Abraço

João Carlos Nóbrega

 

Depois da conquista do bicampeonato Estadual invicto de forma espetacular, o futebol do Vasco tem alguns desafios para o resto da temporada. Um deles é manter a motivação de um elenco de série A, com desempenho de série A, com resultados de série A, na série B. A chave para o sucesso no resto da temporada, não só na segunda divisão como também na Copa do Brasil, depende de como esta motivação será trabalhada no grupo.

Há quem acredite ser suficiente salários em dia para segurar a motivação no nível mais alto. E os salários no Vasco seguem em dia desde dezembro de 2014, sabe-se lá com que dedicação da diretoria. Porém, pode ser que, no íntimo dos jogadores, enfrentar adversários de segundo escalão dê certa preguiça, além de um sentimento não revelado de ser possível vencer quando quiser e bem entender. E isso explicará possíveis atuações abaixo do nível do time ao longo desta série B, ainda que a vitória venha. Como ocorreu ontem, frente ao Tupi-MG.

Mas há fatores capazes de servir como antídoto contra este provável e natural sentimento, este natural viés de acomodação. O primeiro deles é a invencibilidade de 29 jogos. Não é uma mera invencibilidade. É uma resposta, por exemplo, ao esquema deslavado de arbitragens que arremessou este elenco na segunda divisão durante uma recuperação fabulosa na série A de 2015, após um primeiro turno, é verdade, abaixo da crítica. Manter-se invicto prova que o lugar do Vasco deveria ser outro. É uma resposta à omissão da CBF em aplicar a legislação já vigente que obriga clubes com pendências fiscais e salariais a caírem de divisão, o que poderia fazer justiça com quem se sacrifica para se manter regular, como o Vasco. É até uma resposta à risível intenção ventilada pelos jornais de ontem de se ocupar a secretaria de futebol do Ministério dos Esportes com o sobrenome proprietário do helicóptero que pousou no Espírito Santo recheado de ilicitudes. A invencibilidade é, portanto, bem mais do que a sequência invicta. É o demonstrar de que é possível sucesso andando na linha e  apesar de assaltado por esquemas mal disfarçados.

Outro fator de motivação é de ordem técnica. Um bom desempenho no turno da série B dará tranquilidade para que se enfrente as fases decisivas da Copa do Brasil que ocorrem no segundo semestre, principal competição do ano, no ápice físico e técnico do elenco. Uma arrancada no turno da segunda poderá balancear escalações futuras, poupando jogadores muito exigidos no início da temporada.

Cabe ao torcedor também abraçar esta causa. A invencibilidade de quase sete meses já é notável, mas carece de um movimento da torcida do Vasco em reconhecê-la, divulgá-la, alardeá-la e dela participar a cada jogo. A presença da torcida, que também precisa se motivar, contribui para o desempenho dos jogadores. Com torcida presente, o desempenho em campo tende a ser melhor em termos motivacionais. Com desempenho melhor, a tendência é a manutenção da invencibilidade, ou de resultados acima da média. E o desempenho acima da média deveria levar torcida aos estádios. Há um ciclo de sucesso proposto, mas ele depende da presença da torcida, uma das engrenagens. Não é o que se vê no pós estadual.

Abraço

João Carlos Nóbrega de Almeida

CASACA! NO RÁDIO

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Ouça a íntegra do programa CASACA! no Rádio de 13/02/2017 com participação de Sérgio Frias, Iury Gaspar e Rodrigo Alonso.