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No dia 30/8/2014, jogando pela segunda divisão e sob a administração dos que hoje querem voltar ao poder a qualquer preço, o Vasco tomou de 5×0 do Avaí em São Januário.

Os “entusiasmados” de ocasião com a política do clube mantiveram-se em silêncio. Aceitaram a derrota acachapante com reação pusilânime.

No dia 17/06/2017, ontem, o Vasco venceu o mesmo Avaí por 1×0, em São Januário, e entrou na zona de classificação para a Taça Libertadores.

Desta vez, os “entusiasmados” de ocasião com a política do Vasco apareceram, xingando a diretoria do clube e pedindo a substituição do atual presidente não se sabe exatamente por quem. Talvez por uma marionete qualquer daquelas que servem aos cupinchas do encarcerado de Benfica.

O silêncio na vergonha e o barulho em tempos de alguma esperança parecem significar que os “entusiasmados” de ocasião estão em franca campanha para o retorno daqueles dias de 2014.

É evidente, portanto, que precisarão de muito mais do que histeria coordenada e apoio da imprensa. Se eles são adeptos do Vasco curvo e fraco, nós insistimos no Vasco forte e reencaminhado no sentido de sua grandeza. Insistimos em um Vasco que se recupera a olhos vistos em comparação com o vendaval de incompetência e subtração a que foi submetido na pior gestão de sua História, ocorrida entre 2008 e 2014.

Assim, sugiro aos coordenadores do vigarismo histérico semi-coletivo um pouco mais de empenho. Está longe de colar a estratégia da vitimização, aquela em que eu xingo e exijo que ninguém me interpele, pois caso contrário a “ditadura” está caracterizada.

Enquanto isso, apesar de vocês, vamos somando uns pontinhos e calando boquinhas famintas. O time mostra que até poderá vir a disputar algo na competição, mas isso dependerá do quanto se conseguirá neutralizar os sabotadores de plantão. 

Abraço

João Carlos Nóbrega

 

Aqueles que se colocam como integrantes de grupos de oposição no Vasco são vazios de argumentos. Via de regra, estão vinculados de alguma forma aos seis anos de bandalheira proporcionados pela República das Bananeiras. Se não houvesse mais uma centena de trapalhadas praticadas por eles, bastaria citar que aquela foi a época em que o clube viu suas dívidas alcançarem a estratosférica cifra de 688 milhões de reais. No discurso, nas ideias, nas críticas e até no oportunismo eleitoreiro, portanto, compõem o museu de grandes novidades. São parte daquilo. Parte de um período sombrio. Fatias de uma fraude que subtraiu da Instituição como nunca visto em 120 anos de História.

No jogo da Copa do Brasil diante do Vitória, em São Januário, foi feito o ensaio dos medíocres. Pênalti a favor do Vasco, empate à vista no final do jogo. Tais organizações compostas por oportunistas natos vaiaram e xingaram de forma orquestrada. Mostraram, então, quem realmente são e o que realmente desejam: a derrota com fins políticos.

Os dois jogos iniciais do campeonato brasileiro em casa tiveram grande presença de público. Mas o Vasco venceu. Era certo que no revés eles voltariam a manifestar o que querem e o que são. Mais uma vez estádio repleto, uma derrota de tamanho que não traduz o que foi o jogo e pronto: lá estavam os plantonistas da sabotagem.

A título de ilustração, gostaria de exemplificar utilizando a fala de um sujeito ligado a esta gente, trecho extraído de uma postagem do mesmo em sua página no Facebook. Disse ele, literalmente, no único contexto possível, o da sede de violência: “Tem que juntar geral que quer xingar o Eurico pra ficar na social, junta o bonde de 50, 70 pessoas. Deixa a guerra rolar, idoso levando tapa na cara, criança correndo de spray e a porrada comendo. Queria ver a repercussão dessa porra.”

Se tal tática pregada por este simpatizante/integrante da oposição não é incitação à violência, gosto pelo terrorismo politico, desejo pelo fracasso do clube, vocação pela sabotagem, nada mais será.

Mas é bom que se diga: o raciocínio limitado não se encerra em tal sumidade. Ele se expande pelas cabecinhas das viúvas da República das Bananeiras e mesmo do agathyrnismo de pijama, que teve na era Dinamite uma espécie de revival. Gente que fala em resolver a questão à bala. Gente que quedou silente quando o Vasco tomou de 5 do Avaí em São Januário na áurea época do bananismo. Onde estavam então estes bravos heróis da burrice, estrategistas da provocação barata e cúmplices da subtração à qual o Vasco foi submetido?

Pobre da instituição que possui em seu quadro social e em seu grupo de torcedores gente viciada no caos. Gente que só progride na derrota. Gente que só é notada em função dos possíveis reveses. Infelizmente, é uma realidade do Vasco, que precisa vencer, além de seus adversários e de uma mídia complacente e pautada por quem faz oposição AO Vasco, também as viúvas da bananagem.

Como único clube que desperta interesse em seu processo eleitoral mais de ano antes do pleito, simplesmente pelo objetivo de limar do poder quem promoveu o reencontro com sua grandeza, o Vasco precisa se blindar dos rasteiros que o atacam.

Incapazes na retórica, tentarão através de atos que prejudiquem o clube, como são as artimanhas que criam o clima tenso premeditadamente; como seriam os gestos que possam causar a supressão de mandos de campo ou ausência de torcida. Se essa gente, blefando ou não, propõe o uso de bala e a exploração do vitimismo através de “tapa na cara de velhos e crianças em fuga de spray de pimenta”, não estranhem que enxovalhem um jogo de propósito para provocar que o time seja afastado das vantagens do seu mando de campo. Tudo é possível vindo de quem vem. Tudo é possível quando as viúvas das trevas se unem em torno do desejo de reencontro com as tenebrosas transações de outrora.

Aguenta, Almirante!

Abraço

João Carlos Nóbrega

 

 

“A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos”

Tive acesso a algumas fotos do lançamento da candidatura do doutor Alexandre Campello que circularam virtualmente. Diante delas, me perguntei quais planetas o doutor Campello visitou entre 2008 e 2014.

Não sei se resolveu viajar nesta época aproveitando a relevante indenização trabalhista que recebeu do Vasco. Não sei se naquele período preferiu acompanhar outro clube de sua simpatia em tempos juvenis. Mas uma coisa é certa: o Vasco daqueles dias ele não acompanhou.

Não fosse essa desconexão entre o doutor Campello e o Vasco imagino que ele não estaria apto a reconduzir ao clube personagens que triplicaram suas dúvidas, que foram tricampeões invictos de contas reprovadas pelo Conselho Fiscal, que deixaram de apreciar contas e não elaboraram propostas orçamentárias, que abandonaram o patrimônio a ponto de legar uma dívida de 10 milhões de reais com a CEDAE, que além desta dívida fizeram outra de tantos milhões com empresas de carros pipa, mas o clube sem gota d’água.

Gente que se beneficiou do colégio para tocar esquemas com ONGs, que largou divisões de base ao relento, que fez churrasco entre amigos com a carne cedida pelo Mundial, enquanto os atletas e funcionários comiam salsicha com arroz ou se socorriam nos restaurantes da Barreira.

Gente que resistiu na hora de sair para dar tempo que confissões de dívidas fossem assinadas em seus nomes, que deixou toneladas de lixo por serem recolhidas e que usou a água da piscina para regar o gramado do estádio porque, calote dado na CEDAE e nos pipeiros, não tinha de onde tirar água. Gente que largou na mão da administração subsequente uma dívida fiscal gigantesca, pois não recolheu um centavo de impostos, três para quatro meses de salários atrasados e 2 times a serem pagos – o corrente, e o de 2011/2012. Gente que rebaixou o Vasco nas cotas de TV e duas vezes no campo. Gente que prometeu fila de investidores e estádio reformado e entregou falência e infiltrações.

“Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades”.

O doutor Campello, talvez por inocência útil, mesmo crime cometido pelo tonto que lhes serviu de escada naqueles anos, decidiu se misturar com os companheiros vascaínos do ex governador de Paris, Sérgio Cabral Filho, símbolo da corrupção, detento de Bangu e que é o ícone daquela era: mandatário de um estado corrupto e falido, chefe de um governo fraudulento, gastador irresponsável, que teve abrigo naquele Vasco lesado, suprimido, subtraído pela incompetência escandalosa e o desleixo profundo e declarou, mais de uma vez, que quando sua farra terminasse na política convencional, seria presidente do clube. Os deuses da lafranhagem nos livraram disso, mas os apoiadores da pior administração da História do Vasco esfregaram as patinhas, animados. Assim como fazem agora.

“Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo
Sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta”

Frente às composições oferecidas pelo doutor Campello no lançamento de sua candidatura, fico tranquilo quanto ao futuro do Vasco porque sei que seu quadro social vai, assim como em 2014, repudiar aquilo por larga margem. Pois é: o “Vasco livre” do doutor Campello (mas acorrentado aos piores gestores de todos os tempos), bem como outros movimentos políticos paralelos no mínimo pitorescos, são a “caridade de quem me detesta”. A incompetência tácita e a irresponsabilidade explícita esparramadas naquelas fotografias farão com que o clube siga seu destino de recuperação, “sobrevivendo sem um arranhão”. Parece que estão se esforçando para tomar um novo capote em novembro.

É certo, portanto, que o “museu de grandes novidades” foi apresentado. Mais do mesmo. Um ex-funcionário no papel de bucha e um rol de incompetentes por trás. Reprise de filme de terror. Vergonha alheia. Acho que o doutor Campello, principalmente depois que se tornou simpatizante do Vasco, merecia coisa melhor.

“A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára”

Abraço
João Carlos Nóbrega de Almeida

(Versos incidentais: O Tempo Não Pára – Cazuza)

 

Um blogueiro, ex-jornalista, assina texto reproduzido pelo GloboEsporte.com ontem em sua página dedicada ao Vasco com o título “Coleção de Fracassos”.

Trata-se de mais do mesmo. Um campeonato brasileiro por começar, apostas ansiosas no fracasso do time de futebol e a volúpia em desqualificar a trajetória do atual Presidente do clube. A fórmula é surrada: as dívidas são culpa d’Ôrico, as glórias pertencem a outros. 

O que impressiona é como esta gente não consegue se reinventar. Se não, vejamos.

O sujeito que assina o texto, ex-jornalista, atual blogueiro, é o mesmo cidadão que tentou fraudar as eleições do Vasco em 2006, em parceria com a então oposição e o seu empregador, através de um voto irregular. Usou das prerrogativas de jornalista de um diário esportivo que cobria o processo eleitoral no clube para driblar as barreiras de verificação de cadastro e, com carteira vencida, votar. O que para ele, para o seu empregador da época, para a então oposição, composta pelos parceiros de Sérgio Cabral, e para o promotor Rodrigo Terra, configurava fraude passível de anulação do pleito. Pode ser. Fraude cometida pelo jornalista, seu diário e demais participantes da farra.

Entende-se, portanto, que o autor escreve com apetite político e pessoal. Político porque o passado o condena. Foi instrumento, ferramenta, de gente disposta a tudo para assumir o Vasco, os amigos do Cabral. Sendo instrumento, sendo ferramenta, cometeu um grave desvio ao tentar corromper intencionalmente um processo eleitoral valendo-se das facilidades que então dispunha. 

Pessoal porque, para a imprensa esportiva, especialmente na figura de alguns medíocres representantes, eles sim fracassados, bater no Eurico é escada. 

Pois é: dizem que Eurico é arcaico, não evoluiu, parou no tempo. Mas os que assim bradam com maior entusiasmo estão longe de terem progredido. Adotam velhas fórmulas, recorrem a antigas retóricas, tentam escalar as paredes do limbo  com a criatividade de um ramster que corre na sua rodinha gigante na gaiola de qualquer redação. Triste.

Resta lamentar que o GloboEsporte.com se preste a ceder espaço a isso. Porque não se trata de opinião. É panfleto. Faz parte de um antigo jogo de poder. Que utiliza gente do tamanho do blogueiro para prosperar. Isso, exatamente isso: alguém que se permite usar para participar de uma irregularidade sob a visão de que os fins justificam os meios.

Abraço

João Carlos Nóbrega de Almeida

 

Em tempos de estádios públicos e privados levantados sob as bênçãos de negociatas; em tempos em que estruturas tubulares que substituem a ausência de um estádio verdadeiro são montadas com pompa e divulgação excepcional da mídia parceira, enquanto no entorno aparecem crateras, buracos e valões; em tempos em que a vigarice suplanta a fraternidade em busca do bem estar comum; em tempos em que a fraude, que caminha de mãos dadas ao cinismo e à hipocrisia, prevalece; os 90 anos de São Januário soam como uma voz estranha às práticas hoje estabelecidas.

São Januário informa que um dia, neste país, foi possível construir algo do porte do maior estádio da América do Sul sem apoio do governo. São Januário informa que um dia foi possível, neste país, levantar algo do seu tamanho sem interferência de empresas bandidas. São Januário expõe que não necessitou da parceria corrupta entre governantes e construtores, desconheceu superfaturamento, abominou propina, repudiou contratos duvidosos. São Januário declara, com esperança quase juvenil, que um dia foi possível reunir gente em torno de um objetivo honesto, lição de solidariedade por um desejo comum.

Se São Januário falasse, talvez ele dissesse no seu discurso de 90 anos que é possível ser como ele é, que é possível nascer como ele nasceu, que sua origem humilde, em vez de envergonhá-lo, serve de exemplo oposto ao que surge milionário, bilionário, mas repleto de desvios e descalabros.

É este o ensinamento que nossa casa oferece nos tristes dias atuais desta nação. Se há algo a ser mudado neste país, que seja com base nesta filosofia. Desejo comum, objetivo único, esforço solidário, cada qual como parte do todo. Assim construímos nosso estádio. Assim se constrói uma comunidade. Assim se constrói um país.

Há Braços.

João Carlos Nóbrega

 

Baseado em contrato firmado com a Odebrecht, empresa gestora do Maracanã até segunda ordem, o Fluminense pretende exigir jogar contra o Vasco no estádio, no próximo sábado, mantendo sua torcida ao lado direito da Tribuna. Alega que o contrato define que assim deve ser.

O Vasco argumenta que o direito histórico de ocupar aquele lado é seu, uma vez que o título estadual de 1950, conquistado pelo clube, primeiro campeão na era Maracanã, lhe ofereceu esta escolha.

Há quem conteste este direito do Vasco. Baseiam-se no fato de que, quando o Maracanã foi entregue à iniciativa privada, contratos foram celebrados com Flamengo e Fluminense, tornando nulo tudo o que precedeu a administração Odebrecht. 

Pareceria uma questão de legalidade, a princípio. É que, recentemente, tomou-se conhecimento que a Odebrecht comprou o Brasil com propina. Lógico, comprou também o Maracanã, da licitação de suas obras ao direito de administrá-lo. Antes disso ser descoberto, portanto, pode-se pressupor que todos os contratos assinados por esta empresa possuíam validade. Incluindo o firmado com o Fluminense.

O problema é que, frente ao que temos almoçado e jantado nos últimos dias, querer fazer valer qualquer direito por algo assinado com a Odebrecht beira o ridículo. Seus executivos expõem ao respeitável público que a empresa opera há décadas na ilegalidade, corrupção e bandidagem. Ora, quem garante que os contratos assinados com Fluminense e Flamengo estão isentos, intocáveis, incólumes, imaculados, em meio a um mar de patifaria? Como acreditar que apenas a dupla fla-flu foi abençoada com contratos limpos? Como, portanto, apresentar cláusula de um contrato firmado com uma ré confessa para argumentar razão?

É óbvio que, neste cenário, os contratos assinados entre Fluminense e Flamengo com a Odebrecht estão sob intensa suspeita. É óbvio que não há neles nenhum valor ético. É óbvio que não podem prevalecer.

Dito isso, e por falta de algo honesto em contrário, o direito que deve prevalecer é o histórico. É o direito conquistado em campo. É, enfim, o direito, não a suspeita. Conceder ao Fluminense a possibilidade de garantir algo com base em um documento assinado por ele com uma empresa especialista em lafranhagem é um equívoco, se não jurídico, moral. É a garantia a quem desvia. É a vantagem aos que conspiram. É a sinalização de que a ladroagem ainda manda no pedaço.

Abraço
João Carlos Nóbrega

 

 

A empresa francesa Lagardère parece estar à frente para assumir a administração do Maracanã, após a passagem avassaladora da notável Odebrecht e de outras integrantes do consórcio, como a IMX de Eike Batista.

Talvez pela empáfia de acreditar que o Maracanã é seu, o Flamengo não chegou a um acordo a respeito da utilização do estádio com a possível nova administradora.

Desconheço os meandros da Lagardère e, assim, não tenho como assegurar sua lisura. A seu favor, porém, o fato de administrar com aparente competência estádios mundo afora e ter presumível sucesso em diversos campos de atuação.

Gostaria de destacar, entretanto, algo que você não verá na imprensa convencional. Pois a imprensa convencional te entregará posições como a adotada pelo jornalista Marcelo Barreto no SporTV:

“O Maracanã era um estádio do Governo do Estado do Rio, era barato utilizar. O clube queria usar o Maracanã, era toda hora. Agora, o Maracanã é um estádio reformado “138 vezes”, que está na mão de um consórcio que não quer mais. É uma fortuna usar o Maracanã, só para abrir o estádio são R$ 700 mil. O Flamengo hoje está fazendo um ato político. O Flamengo está abrindo mão do Maracanã no curto prazo, visando a ter o Maracanã no médio prazo. Está querendo vencer uma queda de braço. Já está deixando claro para a administradora que ganhou o consórcio que ela não vai poder impor qualquer condição, que o Flamengo não vai ter que aceitar por causa da identificação com o Maracanã. É o contrário, o Maracanã também tem que se sentir identificado com o Flamengo.”

Não me lembro do Barreto, ou qualquer um, ressaltando altas taxas e atos políticos quando a Odebrecht assumiu o estádio. Não me lembro deste ar de insatisfação quando a administração passou ao desastroso consórcio atual. Não me lembro de alguém ter dito que os preteridos pela Odebrecht não deveriam aceitar suas condições absurdas. Talvez porque, na ocasião, tenha sido conveniente para o Flamengo celebrar contrato com a empresa que, recentemente, se confessou inidônea. Enfim, mais do mesmo. A imprensa nossa parcial de cada dia.

Mas o viés que gostaria de abordar é outro. E começo pela fala do mais ilibado, competente e mágico dirigente do futebol mundial, o dr. Bandeira de Melo, presidente do Flamengo, a respeito da possível nova administradora:

O Flamengo, desde que assumimos, vem passando por um processo de reconstrução da sua imagem e da credibilidade. Não podemos sacrificar isso nos associando a empresas que não têm os mesmos princípios e valores que temos.”

Noves fora, presume-se que o dr. Bandeira quis dizer que exemplos que possuem os “mesmos princípios e valores” que o Flamengo detém são a Odebrecht e a IMX, empresas com as quais o Flamengo se associou recentemente. Uma atualmente sob acordo de leniência, no qual confessou sua vocação corrupta, outra então pertencente ao dr. Eike Batista, agora preso em Bangu.

Lembro, também, que esta cruzada pelo refino dos “princípios e valores” é fato marcante na própria administração do clube. No passado, foi vice-presidente do Flamengo o deputado Júlio Lopes, hoje investigado. No presente, bate ponto no clube o dr. Flavio Godinho, que foi braço direito de Eike Batista, visitou Bangu, foi solto pelo Ministro Gilmar Mendes e deve estar voltando ao gabinete da vice-presidência em breve, pois, ao contrário do que afirma a imprensa, ele jamais foi dispensado formalmente, ainda sendo dirigente do clube.

Para dar uma chance de defesa de sua teoria, seria o caso de se perguntar ao dr. Bandeira se na ocasião em que a Odebrecht lhe prometeu mundos e fundos não foi possível perceber que não se tratava de algo fora dos “princípios e valores”. Caso ele confirmasse a miopia de então, uma segunda pergunta poderia ser feita, questionando se um executivo do BNDES com tempo de casa, acostumado com empreiteira lhe batendo à porta, não deveria ser capaz de antecipar em 2013 que tipo de marmelada estava sendo engendrada contra o Maracanã.

Pega mal que, neste momento, em que a dor de cotovelo do Flamengo salta aos olhos, o dr. Bandeira desconfie da ilibação da Lagardère, dado o seu histórico de cegueira quando quem o procurou foi a Odebrecht. Ficaria mais decente uma saída pela direita. Sugestão de fala para o dr. Bandeira: “Olha, não houve acordo com a nova gestora, nós acabamos de investir um bom dinheiro num estádio tubular na Ilha que, pelo tamanho do buraco adjacente, terá até metrô na porta”. E esperava os acontecimentos.

Desonesto, por hora, é atribuir aos outros clubes do Rio veladamente a pecha de estarem se envolvendo com empresa inidônea. Não há condição moral para que um parceiro da Odebrecht desconfie da parceria alheia sem que, no mínimo, a Lagarderè promova 1% da bandalheira que a Odebrecht ofereceu ao respeitável público.

Abraço
João Carlos Nóbrega

 

Desde domingo, ninguém cala o chororô. Chora o presidente, chora o gerente, chora o time inteiro, chora a imprensa rubro-negra isenta, chora o torcedor. A insistência no tema tem uma intenção: criminalizar o Vasco até que, num possível encontro na fase final, estejam justificados possíveis erros contra o clube. Espécie de pressão preventiva.

O foco ficou restrito ao pênalti mal marcado a favor do Vasco. Não se falou no lance em que o atleta Everton, do Flamengo, deveria ter sido expulso. Não se falou que a falta cometida por Luis Fabiano, que originou o seu cartão amarelo, foi fruto de um tropeço do atacante, que derruba o volante Marcio Araujo quase sem querer. Pouco se discutiu a respeito da expulsão, absolutamente contestável.

No afã da criminalização do Vasco e de seus atletas, houve quem falasse, e foram alguns programas televisivos afora, em fair play. Sim, estes chegaram a defender que, houvesse honestidade, o Vasco sequer deveria aceitar bater o pênalti. Ora, ora. Justamente diante do time do “roubado é mais gostoso”.  Espécie de piada moralista executada por alguns puritanos da boca para fora. Os hipócritas de sempre.

Mas eles, os rubro-negros isentos da mídia, foram além. Após as manifestações de dirigentes do Flamengo, gente muito  leal, mas que esquece virtudes moralistóides sempre que é beneficiada fim de semana sim, outro também, houve jornalista apelando rasteiramente. Figuras que trouxeram à baila até a preferência religiosa de jogadores.

No UOL, um tal blog do Menon conseguiu a proeza de dizer, por exemplo, que Nenê planejou tudo: o toque a meia altura para dentro da área, a região do corpo do adversário na qual a bola deveria bater, o erguer imediato dos braços pedindo pênalti, todos os atos perfeitamente premeditados a fim de ludibriar a arbitragem. E que, ao final disso, após converter o pênalti, era de indignar que Nenê houvesse agradecido ao seu Deus. Como se o agradecimento não fosse pela cobrança perfeita, mas pelo sucesso do “teatro” que teria sido bolado pelo atleta no pré-pênalti.

O que eles não esperavam é que uma imagem surgisse do quase nada. Quase nada porque, por falta de fair play na transmissão, a emissora detentora dos direitos não reprisou o lance. O narrador, por falta de fair play, não tocou no assunto. O comentarista, por falta de fair play, nada mencionou. Os especialistas rubro-negros isentos, que comentaram a partida em várias bancadas no pós-jogo, por falta de fair play, nada disseram. Os jogadores do Flamengo, tão indignados no pênalti marcado, por falta de fair play, não acusaram o pênalti cometido por um companheiro. Rodrigo Caetano, por falta de fair play, fez vista grossa. Bandeira, o homem competente de bem, por falta de fair play, sequer analisou o lance.

Mas, em homenagem a você, vascaíno, fomos procurar o lance quase perdido. O lance que quiseram esconder como apenas mais um. Ele está aí abaixo. Ele mostra que o fair play exigido por essa gente é relativo. Fair play é aquilo que eles desejam que seja praticado quando o time que eles preferem que vença é teoricamente prejudicado. Mas, e se for o contrário? Bem, caso contrário, roubado é mais gostoso. A papeleta é amarela. E o Wright é nosso. Aha, Uhu.

CASACA!

 

O Presidente do Vasco, Eurico Miranda, esteve na ESPN para conceder uma entrevista. Não é novidade para ninguém que a ESPN se trata de um ambiente historicamente hostil a Eurico, povoado por jornalistas com intenções duvidosas. No caso do Vasco, pautados claramente por gente despreparada que pretende fazer política no clube. Ainda assim, Eurico compareceu, respondeu sobre o que lhe foi perguntado e, como recordação de sua presença, deixou com os entrevistadores um documento que pormenoriza dívidas herdadas da catástrofe anterior, quitadas e compostas em 2 anos de gestão. Um ato transparente daquele tido como opaco.

Um dos entrevistadores, a quem o documento foi entregue, chama-se Mauro Cezar. Mauro Cezar é Flamengo. Mauro Cezar odeia Eurico. Mauro Cezar é pautado pelo que há de pior em termos de informante. Portanto, qualquer fala de Mauro Cezar sobre o Vasco tem vício de origem. Não há como levar a sério.

De posse do documento, Mauro Cezar fez uma primeira consulta a um luminar. O primeiro luminar disse a ele que, sim, tudo indicava que, de fato, o Vasco estava seguindo um caminho interessante em busca do saneamento, embora ainda faltasse muito.

O empregado da ESPN não gostou. Fez a segunda consulta. Talvez faça a terceira. Quem sabe, a décima. Até que surja alguém que diga o que ele e seus pares querem escutar.

Na segunda consulta, o sábio consultado se aproximou dos anseios de Mauro e disse o seguinte, dentre outras baboseiras:

Num dos quadros, comparando novembro de 2014 com julho de 2016, aponta que houve redução de R$ 172 milhões nas dívidas. Mas é preciso considerar que em 2015, por conta da adesão ao Profut, o clube teve perdão de multas e juros da ordem de R$ 114 milhões, que foram abatidos diretamente das dívidas fiscais e tributárias que constavam no balanço. Conta simples: dos R$ 172 milhões, se deduzirmos os R$ 114 milhões de Profut – que vem sem esforço de caixa, apenas baixa automática – a redução potencial de Dívida cai para R$ 58 milhões.”

Primeiro, é interessante verificar a discrepância de tratamento concedido ao Vasco e a outros clubes. Escuta-se e lê-se nos programas e páginas esportivas que o senhor Bandeira de Mello realiza no Flamengo uma gestão espetacular, com drástica redução de dívidas do clube. Curioso: ninguém coloca entre vírgulas os valores abatidos por benefícios governamentais. Pode-se entender, pela análise do gênio acima, que o que foi abatido via Profut da dívida do Flamengo está fora da contabilidade que tenta tornar Bandeira um fenômeno, correto?

A seguir, vale destacar, pois parece que essa gente não sabe, que o Profut não se trata de presente concedido a qualquer um. Manter-se regular, o que a indigestão de Dinamite ignorou durante 6 anos, apoiada pela imprensa, é item básico. Portanto, a possibilidade do Vasco ser contemplado pelo Profut só ocorre em função de um enorme esforço de gestão, que limpa a barra fiscal do Vasco de Dinamite diariamente. Ora, se 114 milhões foram abatidos pela adesão ao Profut e o Vasco só pode ser contemplado por conta do esforço da gestão corrente, méritos da gestão corrente que torna possível a adesão do clube, evidentemente. Tentar desvincular uma coisa da outra é obra de quem, ou desconhece, ou recebeu uma encomenda para desconstruir um documento que não deixa dúvidas.

O luminar número 2 prosseguiu:

No material está descrito que houve, entre 2008 e 2014, aumentos recorrentes de Dívida, que teria saltado de R$ 192 milhões para R$ 690 milhões. Primeiramente, esta informação de dívida é questionável, porque considera uma série de itens que não são exigíveis, como a contrapartida de contrato de TV e patrocínios.”

Ressalte-se que estes valores são apurados em Balanços Patrimoniais do clube elaborados na indigestão de Dinamite. A sequência correta é a seguinte: em 2008, entra a indigestão Dinamite e ajusta o valor da dívida geral do clube de 192 milhões para cerca de 330 milhões, fazendo malabarismos com questões judiciais ainda em discussão na ocasião. Ao final de 2014, esta dívida tinha mais do que dobrado, beirando 700 milhões. Se esta informação é questionável, o flamenguista Mauro Cezar deveria escutar um terceiro luminar, quem sabe o doutor Nelson Monteiro da Rocha, tricampeão de contas reprovadas na era Dinamite, para dele obter algo que explique este incremento. Aliás, poderá aproveitar o ensejo e realizar um programa bacana de autocrítica jornalística intitulado “Por que a ESPN não tomou conhecimento de 3 anos de contas reprovadas e 2 anos de ausência de previsão orçamentária na era Dinamite?”. Belo tema.

Há uma tentativa de cordialidade no trato da cúpula de dirigentes atuais do Vasco com a imprensa. Esta tentativa tem seus problemas e travas, baseados na própria resistência que a mídia oferece para o diálogo. Não o contrário, conforme se tenta transparecer. A forma como se toma partido é escandalosa – seja partido contra o Vasco que tem Eurico à frente, seja partido político no Vasco, por conta de um pleito que ocorrerá apenas em novembro (caso único de interesse tão precoce em eleições de um clube).

Só nesta semana, além desta tentativa de desmoralizar o esforço financeiro do Vasco, teve matéria dizendo que o treinador contratado pertence a determinado empresário e, por isso, irá escalar os jogadores que virtualmente pertencem ao empresário; teve matéria dizendo que o novo treinador tem perfil militar; teve matéria dizendo que o novo treinador “reduziu os poderes do CAPRRES”, como se isso pudesse ser feito na marra, sem conversas adequadas. O viés é claramente na intenção de que nada dê certo. O objetivo é um só: desestabilizar e criar um clima de guerra para novembro.

Lamenta-se, mas, se é assim, assim será. Chegou a hora de endurecer.

Abraço

João Carlos Nóbrega

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A título de ilustração, CND renovada hoje pelo Vasco. Regularidade permite manutenção no PROFUT

Certidao Negativa Vasco da Gama – 22-03-2017

Eu havia lido reportagem expondo o teor das ideias do doutor Rodrigo Terra, promotor para assuntos de futebol, mas não tinha acreditado que aquilo pudesse ser verdadeiro. 

Há pouco, fui brindado com as imagens da fala do doutor em programa noturno. Consegui segurar o queixo, mas fiquei estarrecido. 

É verdade. O doutor Terra propõe um Termo de Ajustamento de Conduta para que se possa permitir clássicos com torcida dupla. Neste termo, se as torcidas de dois destes clubes brigarem no Leblon, na Central, na Penha ou em Marte, os clubes pagam multa de 3 milhões de reais. Além disso, não só quem brigou, mas o resto do mundo, ficam impedidos de comparecer ao estádio pelos próximos três clássicos. 

Eu não sei exatamente de onde pode surgir algo tão luminar. Não sei de onde pode surgir algo que ignora direitos básicos. Tampouco desconfio a quem seria paga a tal multa e de que forma o valor seria utilizado. Também não sei se as atribuições desta Promotoria se resumem ao futebol, mas, convenhamos, o futebol é uma bela vitrine. Imagina se o distinto setor se envolvesse também com o carnaval das viradas de mesa. 

Fato é que a proposta é tão descabida que nasce morta. Assinar um termo como o proposto é uma irresponsabilidade. Aliás, convenhamos, a própria proposta é irresponsável, na medida em que tem por intenção culpar os clubes por algo que eles não são culpados. 

Dito isso, fica a sugestão à notável Promotoria: com este rabisco, não dá nem para começar. Entendam primeiro o que há por trás das brigas de torcedores; entendam que não há cabimento em punir os produtores de um espetáculo, seja ele qual for, pela confusão entre possíveis espectadores na praça da frente; entendam que bem mais do que um problema do futebol, bem mais do que um problema de segurança pública, se está diante de uma questão social. 

Neste sentido, a proposta de TAC do MP sequer enxuga gelo. É simplista e conveniente. Não ataca as questões centrais. Ignora o bom senso. Não detecta que o problema não reside, há muito, no futebol, tendo se tornado acerto de contas pelos mais diversos motivos. Serve, apenas, para as luzes da ribalta. Como tal, deve ser prontamente descartada. 

Abraço

João Carlos Nóbrega 

 

CASACA! NO RÁDIO

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Ouça a íntegra do programa CASACA! no Rádio de 26/06/2017 com participação de Sérgio Frias, Rodrigo Alonso, Iury Gaspar e Luiz Cosenza.