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“Penso que o ódio é um sentimento que só pode existir na ausência da inteligência..”
Tennessee Williams

Venho com muita tristeza acompanhando o fim do futebol como esporte de arte e jogadas geniais, o fim dos craques e o fim dos torcedores verdadeiros, aqueles que realmente colocavam o seu clube acima de tudo, acima de qualquer pessoa, na sua defesa intransigente da sua paixão.

Hoje tudo é profissional, até as torcidas organizadas possuem CNPJ, possuem sites, vendem produtos com a marca do clube, se beneficiam dele.

Particularmente sobre a torcida do meu clube, estou muito decepcionado, confesso, até envergonhado.

Eu que rolei na porrada nas ladeiras da Quinta chegando a cair no Lago em defesa da minha tese que Roberto era melhor que Zico, que Fio era merda perto de Valfrido, que torcia por um clube que mal vencia campeonatos, mas que ainda assim o defendia e não ADMITIA QUE NINGUÉM o colocasse abaixo daquilo que eu imaginava.

Foram muitas suspensões no Gonçalves Dias e depois Gaspar Viana (Hoje Nilo Peçanha) por brigar pelo Vasco. Por que decepcionado e envergonhado?

Desde guri presenciei torcedores do Vasco sendo sacaneados… time de português, manchetes de jornais tiravam sarros (até hoje) de qualquer derrota e nunca, NUNCA ninguém a contestar.

Éramos alguns guris, alguns rapazes isoladamente a defender sua paixão.

Éramos orgulhosos da nossa instituição, afinal, mesmo que não divulgado pela mídia, sabíamos sermos Campeões Sul-americanos, e fomos o primeiro do Rio a conquistar o Brasil e, marcas que sempre alcançamos que registram definitivamente as glórias do Vasco, CAMPEÃO DE TERRA E MAR NO ANO DO TRI. Eu lia isso com orgulho num velho ônibus Mercedes que possuíamos.

E tínhamos ainda SJ, apesar de praticamente fechado à jogos, mas com histórias inenarráveis de glórias esportivas, políticas e sociais.

Nossa torcida era discernida, era informada por aqueles que viram a história ser escrita, era a torcida consciente da verdade, da sua grandeza, da sua história.

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No final dos anos 70, a balança começou a pender para um certo lado. Para um lado obscuro, um lado que até então nada de significativo havia ganho, salvo apenas uns “carioquinhas”, muitos com erros graves de arbitragens, outros com jogos em que sentavam em campo para minimizarem placares adversários.

Foi criada nessa época uma tal FAF, liderada por um expoente da comunicação televisiva (adivinhem?), um publicitário monopolizador das notícias e “reclames” divulgados antes das seções de cinema e de um gaiato, dono de cartório, que foi o marionete do Sistema que nos dias de hoje vão conseguindo seus intuitos, muito com a ajuda da NOSSA TORCIDA, isso mesmo, vascaínos, DA NOSSA PRÓPRIA TORCIDA.

Criada a FAF, em dois anos eles foram tri campeões ( 2= tri, assim como 5 = hexa ) e iniciou-se a maior série histórica de títulos que eles tanto se orgulham mas que, injustamente, negam reconhecimento ao principal artífice das vitórias nas quatro linhas, um jogador que sempre atuava de preto, as vezes de amarelo (que coincidência!) e carinhosamente chamado pela mídia de Zé, que mais tarde recebeu um emprego por serviços prestados ao Sistema e ao clube. Nascia a FAF, nascia o contra ponto, nascia o antídoto: EURICO MIRANDA.

Era apenas um assessor, mas o pé na porta da elitista FCF, já sendo transformada em FFERJ mostrou aos cartolas da zona sul que a brisa da beira mar se transformaria num furacão. A FAF conseguia seu projeto inicial, sua saída da administração do clube permitiu vitórias (?) a eles que não se repetiriam nos anos seguintes com a volta do antídoto, amargando dois tri vices campeonatos, e a mídia, o sistema e demais inimigos do Vasco viram uma LOCOMOTIVA invadir os ambientes outrora dominados por almofadinhas.

Foram mais de 20 anos de vitórias expressivas do Vasco, sem ajuda de árbitros, sem macetes em tabelas, apenas mostrando ao seu próprio torcedor que o clube não era o vasquinho, era VASCO DA GAMA (“-Não fiz o Vasco grande, apenas lembrei a ele o quanto era.”).

Um fantástico aporte financeiro, títulos e mais títulos.

Na mesma época, um movimento interno do clube, movidos pela inveja, articulava uma forma de evitar que um nome fosse definitivamente lapidado na história do clube, tal qual Ciro Aranha e José Prestes, homens que peitaram o sistema e em cujas épocas, somadas a de Eurico Miranda, somam os momentos de maiores glórias e conquistas esportivas, sociais e patrimoniais da Instituição Vasco da Gama. Era a inveja nascendo, que mais tarde se transformaria em ódio.

Ao mesmo tempo (coincidência?) o Sistema comprava todos os direitos televisivos de futebol do país e regionalmente fundava um jornal cuja capa já mostrava a cara rubro-negra, cujo editor chefe era um ex setorista do clube pego numa situação, digamos, constrangedora que o faz carregar a fama até os dias de hoje como o “Homem do Caramanchão”, isso dito pelos próprios colegas de imprensa.

Era um jornaleco de meia tigela, mas cujas manchetes enaltecendo as parcas vitórias e denegrindo as nossas, ganhava popularidade.

Mas era em vão. A Locomotiva não saía do trilho. Pouco antes um forra de gaiola, parceiro ferrenho do grupelho nascido pela inveja e transformado em ódio. Além deles vieram mais dois, cujos conteúdos pouco tinha para se ler. Eram mais imagens, pois sabemos que o grau de instrução de lá era bem próximo do zero, e desenhar era preciso.

Veio aquele fatídico jogo do São Caetano, uma luta titânica do clube (leia-se ELE) x sistema e nessa hora, os oportunistas se fizeram presentes. Se juntaram aos inimigos do clube, lutaram contra o mérito de um título cristalino conquistado em campo, deram apoio aqueles que sempre nos denegriram.

A decepção está aí.

A outrora discernida torcida do Vasco mostrou-se tão ignorante quanto a deles, acreditou no que ouviu, rejeitou o que viu, renegou o reconhecimento conquistado em campo e passaram juntos a compor um mosaico de horror, cujas vitórias são meras obrigações ou sem valor e que qualquer infortúnio é vergonha, humilhação.

Da mídia, nada a esperar, isso é antigo, lá no passado um certo radialista era obrigado a transmitir jogo sobre um telhado de galinheiro em dia de chuva, pois suas chacotas ao clube fizeram com que fosse IMPEDIDO de entrar em NOSSO ESTÁDIO.

Mas da nossa “TORCIDA”? Inadmissível ! Como pode um vascaíno torcer contra o seu clube? Como pode um vascaíno nos comparar a um time com conquistas holográficas, com torcida virtual, um clube que tem na sua história frases como ROUBADO É MAIS GOSTOSO ou como dito pelo tal radialista da década de 40, “GANHAR DO VASCO É ÓTIMO, MAS GANHAR ROUBADO É MELHOR AINDA”? Como pode, como eles foram levados a isso? Foi a mídia e sua massificação que fez nossa torcida ter síndrome de cachorro largado?

Não, amigos, quem fez isso foram os PRÓPRIOS VASCAÍNOS que em redes sociais, nas esquinas, nos bares e nos próprios jogos depreciam sua instituição, suas conquistas esportivas, seus ganhos patrimoniais.

Estão ajudando o clube? Estão a serviços de grupos políticos? Não, estão a favor do sistema. Esse ambiente criado por esse grupo de torcedores, que acredito serem profissionais políticos e de arquibancadas “apolíticas” traz ao clube médias de público inferiores a times de torcida e conquistas insignificantes, impedem e boicotam programas de sócios que visam capitalizar o clube, reclamam de qualquer aporte feito no clube, seja por patrocínios ou abnegados sócios ou diretores.

Virão alguns aqui falar que o grupo CASACA são euriquetes, que torcem por Eurico e não pelo Vasco. Evidentemente que não são, mas e daí que fossem? Estariam errados em defender quem defende o clube? Onde estavam esses que hoje odeiam o clube ao ponto de o boicotarem e persegui-lo quando o Vasco (leia-se ELE, quem o defendia) estava sendo atacados por todas as instituições investigativas do país, inclusive a mídia?

Estavam do lado de lá, do lado de quem queria um freio daquela instituição única capaz de parar o sistema. Levavam documentos do clube à PF, MP… mentindo, caluniando. No final a verdade prevaleceu, mas e o clube? Quem ganhou com o denegrimento de sua imagem?

O grupo Casaca! atacou veementemente a administração passada. Estavam errados? Mostravam erros, alguns por ignorâncias, outros visivelmente deliberados, que resultaram num aumento de 400 milhões em dívidas em seis anos, dívidas essas que inviabilizam a montagem de times competitivos que tanto cobram nos dias de hoje. Estavam errados em mostrar o que estava por vir?

ari-barroso

Fiz meus filhos vascaínos, fiz outras crianças amarem o Vasco e gostaria muito que meus netos fossem Vasco, mas esses tipo de torcedor está acabando com a base de todo clube, com o esquecimento e diminuição da sua história e a sua própria torcida, que é consequência dessas conquistas.

Uma vez esquecidas, depreciadas, não há do que se orgulhar, não há do que se lembrar, não haverá mais histórias para contar aos “corações infantis da nossa imortalidade”. A futura geração será abduzida pelos interesses financeiros, por conquistas efêmeras, a paixão verdadeira, incondicional, morrerá.

Queria ter sido menos longo… Impossível quando se fala de Vasco, a grandeza é natural.

Deixo aqui um apelo a toda essa raça, digo assim mesmo RAÇA, de raça rubro negra, que por ódio a uma pessoa que se estende agora a um grupo de abnegados que se expõem em defesa da instituição e do modo Vasco de pensar de Eurico Miranda, do Vasco forte, cimeiro, que por esse ódio vem a cada dia diminuindo o clube, suas vitórias, seus atletas e patrimônio: SEJAM VASCO PORRA!!!!! VOLTEM A DISCERNIR, PENSEM VASCO COMO NOSSOS ANTEPASSADOS PENSAVAM, LEMBREM-SE DE COMO SE TORNARAM VASCO!

Não quero mais ser obrigado a “dizer” que “Bovino é pior que molambo”, tenham certeza, dói mais em mim que naqueles que tento atingir numa forma de acordarem para a realidade.

O Vasco esteve em coma, hoje respira, a recuperação virá, se não querem ajudar, não atrapalhem!

A mídia que hoje orienta nossa torcida, é a mesma que inflama a mulambada a invadir um aeroporto.

Discernimento

substantivo masculino

1. capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado.
2. capacidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza; juízo, tino.

Saudações Vascaínas, verdadeiramente Vascaínas!

O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento.
Yoda

José Paz Oliveira – Sócio Proprietário do Club de Regatas Vasco da Gama

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Por José Paz de Oliveira

Meu querido e amado Amigo, quem diria, 117 anos…

Hoje é mais um dia do seu aniversário. Ao contrário do ano passado, eu e seus verdadeiros amigos estaremos comemorando mais uma data da sua eternidade. Iremos comemorar com tudo que tens direito, pois o respeito voltou, és novamente o Almirante, o Desbravador.

Sabemos da gravidade do seu estado de saúde, mas a chama que mantivemos acesa no ano passado se propagou e queimou todos aqueles vírus que lhe causaram grave enfermidade. Os falsos amigos que lhe tiraram do rumo ainda não foram totalmente incinerados, mas continuamos atentos a lhe proteger. O leme da sua nau está novamente em mãos confiáveis, norteado pela luz que sempre lhe guiou aos portos seguros das vitórias e conquistas.

Ainda encontra-se na UTI, carece de cuidados, mas as notícias são alvissareiras. A sua “casaca” recebeu mais uma estrela, a 23ª, brilhante como poucas, pois foi conquistada com o mesmo descrédito daquela primeira, há 92 anos. Uma estrela que, como aquela, veio mostrar aos adversários e aqueles que atentaram contra a sua história, que basta um sopro de vida, um único pulsar, para que a sua força sobrepuja às demais.

Sua casa encontra-se novamente limpa, há obras, há projetos. A bandeira da sua Pátria tremula novamente, suas cores voltaram. Há alegria em sua casa, voltou o respeito aos seus colaboradores, voltou a credibilidade. Os corsários ainda rondam a baía, mas tendo seus potentes canhões apontados contra eles, não se atreverão novamente. Ainda encontramos vários dos seus adeptos hipnotizados pelo canto da sereia que seguiram, mas vão acordar gradativamente desse encanto.

Hoje a sua tripulação é composta pelos mesmos experientes marinheiros que um dia foram chamados de vagabundos. A eles, juntaram-se novos grumetes, futuros marinheiros, capitães da sua nau.

Nem tudo são flores, é verdade. Em seu nome, aqueles que o vilipendiaram assinaram documentos lesivos, confessaram valores indevidos. Seus seguidores fieis ajudam a honrar seus compromissos, buscam soluções, e elas virão. Mas você é forte, amigo, enverga mas não quebra. “O bambu que se curva é mais forte que o carvalho que resiste”.

Você hoje ainda se encontra debilitado, mas sua casa tem novamente a luz que sempre o guiou, a crença na sua eternidade. E como prometemos, não o deixamos só, nem deixaremos agora. Continuaremos a vigília na sua convalescença, o protegeremos. Nós sopramos suas velas na calmaria, remamos contra as más marés e já podemos dizer que vemos sinais de um porto seguro no horizonte.

Cumprimos o prometido, expulsamos quem o subjugou. Agora aguardamos que se recupere de vez, que “Venha à luta com essa juventude, que não foge da raia a troco de nada”, afinal, apesar deles, daquele passado iníquo hoje já é outro dia. Que o amanhã seja melhor e sempre.

Parabéns Almirante, força! Muitas gerações estão por vir para venerarem seu passado, suas glórias, histórias de lutas sociais contra preconceitos, suas conquistas… Serão essas gerações que escreverão em seu diário de bordo as mais lindas conquistas vindouras, conquistas e glórias que nutrirão a sua eternidade.

O ALMIRANTE VOLTOU, PONTO!

José Oliveira

*José Paz de Oliveira é Sócio Proprietário do Club de Regatas Vasco da Gama, com muito orgulho e respeito.

A Luta por um lado se baseia em uma conquista, num direito adquirido em 1950 quando conquistamos dentro de campo o primeiro campeonato carioca da era do Maracanã, e por mais de 60 anos era respeitado este acordo. Tradição é tradição e todos os clubes prezam e gostam de demonstrá-la para seus torcedores e simpatizantes, mas isto não pode ser feito somente quando a situação convém. Devemos honrá-la.

Mas neste momento vem sendo desrespeitado pelo Fluminense a tradição. O clube das Laranjeiras agarrou-se em uma oportunidade injusta e com a parceria do Consórcio Maracanã da construtora Odebrecht, muito conhecida hoje pela operação Lava Jato, assinou um contrato – que nunca foi mostrado – do nosso Maracanã, construído com o dinheiro de todos os torcedores e comparando-se os impostos recolhidos, no caso específico entre as torcidas de Vasco e Fluminense, com um valor muito maior nosso, devido à lógica da diferença do tamanho das torcidas em questão.

Então, peço para que todos os torcedores do Vasco se unam nesta questão, esquecendo qualquer conotação política, a fim de lutarmos por este direito adquirido, pois no final será a vitória do respeito, da palavra, da tradição, do VASCO.

Precisamos lutar contra o que entendo seja o maior inimigo do futebol carioca no momento, que é o preço aplicado pela administração do Consórcio Maracanã no aluguel do estádio, construído e reformado com dinheiro público, e sua interferência em assuntos do futebol nos quais não deveria adentrar.

O Fluminense, por outro lado, de forma oportunista, quer impor a nós torcedores do Vasco a perda do nosso direito.

Tomei minha decisão e lutarei pelo VASCO, pelo nosso lado direito das cabines de rádios do Maracanã e não posso ir ao Maracanã sem que o lado de nossa torcida seja respeitado e espero que nossa torcida faça com que Fluminense e o Consórcio Maracanã tenham prejuízo sem a nossa presença, enquanto perdurar este desrespeito.

Particularmente, em qualquer lugar que esteja ratifico a posição de que o lado direito é nosso! Nosso direito!

Saudações Vascaínas,

Roberto Rodrigues

*Roberto Rodrigues é Sócio Proprietário do Club de Regatas Vasco da Gama

Nenhum jornal noticiou, mas esse vascaíno aqui que vos fala que, nem precisava ser inteligente para saber que nosso presidente desistiu do projeto Ronaldinho por conta do leilão que já estava se desenvolvendo, saindo assim por cima de um negócio arriscado com o irmão do Assis. Contudo, a mídia, que até agora não havia encontrado motivos para criticar a excelente gestão de reerguimento do nosso Vasco tenta colocar isso como uma grande derrota.

Primeiro veio Juca Kfouri, e sua tropa ridícula da ESPN Brasil, da qual só se salva Mauro Cesar Pereira que, mesmo velado não segue a linha ostensiva contra o Vasco, afinal, o homem precisa receber no final do mês não é? Após vem o, ridículo a esta altura, Renato Mauricio Prado, que nem vale muito a pena citar, já que sabemos dos problemas ‘freaudianos’ que o mesmo tem contra Eurico. Conste que para atacar o Vasco, Kfouri ousou até mesmo ir contra o senador Romário.

Por isso não se engane! É necessário alguém de fora, como eu, falar. O Casaca! faz sua parte todos os dias, já que é nossa primeira linha de defesa mesmo, mas é necessário que vascaínos como eu usem as redes sociais para defender nossos interesses, pois só podemos contar conosco mesmo!

Acreditem no Eurico e somente no que ele diz, e se ele diz que não vamos cair, é verdade, se ele diz que o Ronaldinho que teria a honra de jogar com o André – por mais que nós saibamos que este profissional não liga para ninguém que não seja seu próprio ego, ou o comerciante que é seu irmão – acreditem!

A mídia queria, clamava, por momentos assim para nos atacar, nos separar e nos fazer desacreditar. O momento do Vasco é de reconstrução e o engenheiro certo está à frente das obras. O resto é só calunia da oposição, que nada representa. Mas era preciso dizer.

Alexsandro Fleury, Manaus.

Muito se fala da presença do Club de Regatas Vasco da Gama na região nordeste, muito se exalta a paixão dos Vascaínos da região, mas pouco se questiona e se explica os motivos e as razões pelo qual o Vasco é tão forte no nordeste. Tão forte a ponto de ser maior que a maioria dos clubes locais em seus estados. Este texto é uma pequeno recorte do significado do Club de Regatas Vasco da Gama para o torcedor brasileiro do nordeste para que possamos compreender os motivos e debater em qualquer circunstância essa realidade que não é um simples fenômeno.

As demonstrações de força podem se dar de variadas formas e intensidades, desde carreatas nas cidades ou ‘pressão visual’ como ocorreu na última segunda-feira, dia 04, no Aeroporto do Galeão. Ali, um dia após a conquista do título, os terminais estavam “coalhados” de camisas do Vasco usadas por passageiros que retornavam para seus estados após assistir no Maracanã a conquista do Campeonato Carioca. Uma delegação sub alguma coisa do Flamengo que ia jogar contra o Vitória em Salvador se acoelhou diante da quantidade de Vascaínos e foi entocada num canto da uma sala de embarque.

O Vasco e o Nordeste

Os primeiros contatos ostensivos entre o Club de Regatas Vasco da Gama e o nordeste se deram a partir da década de 1930. Com o advento do rádio as emissoras Nacional e Globo atingiam a população da região, sobretudo do interior dos estados. O futebol se consolidava no país e os times do Rio chegavam à região pelas ondas do rádio. Os títulos da década de 30 e principalmente da década de 1940 com o Expresso da Vitória colocaram o Vasco como o time preferido dos torcedores. As rádios locais estavam situadas nas capitais dos estados e praticamente só viriam a ser inauguradas na década de 1950, ainda assim tendo muito pouca penetração no interior, com isso os times dos estados praticamente limitavam sua torcida à população das capitais.

Os ídolos Vascaínos e o Nordeste

Os elencos Vascaínos sempre contaram com jogadores nordestinos e por sorte de São Januário vários desses jogadores foram fundamentais em conquistas de títulos, se tornando ídolos da torcida. A presença de jogadores nordestinos ‘aproximava’ os torcedores da região do clube, fazendo-os se identificar ainda mais com o Vasco. Apenas para citar alguns jogadores de épocas diferentes: Maneca (Bahia), Ademir (Pernambuco), Vavá (Pernambuco), Jorge (Pernambuco), Ipojucan (Alagoas), Almir (Pernambuco), Ramon (Pernambuco), Mazinho (Paraíba), Zé do Carmo (Pernambuco), Bebeto (Bahia), Jardel (Ceará), Ricardo Rocha (Pernambuco), Juninho (Pernambuco), Nasa (Pernambuco), Zezinho (Bahia), Clébson (Bahia), Junior Baiano, Morais (Alagoas), Anderson Martins (Ceará).

O Vasco e o ‘Bye Bye Brasil’

O futebol brasileiro até a segunda metade da década de 1990 possuía um calendário bem diferente do atual, as datas eram flexíveis e os campeonatos estaduais não eram ‘engessados’ como hoje, por ordem da CBF sob orientação da TV Globo. Na década de 80 a flexibilidade era ainda maior. Via de regra os estaduais terminavam no mês de junho, coincidindo as finais com a festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, 13, 24 e 29 respectivamente. Por conta disso era comum que os títulos fossem comemorados em meio à fogueiras, forró e muito licor. As pequenas cidades ferviam. O campeonato brasileiro só começava a partir dos meses de agosto e setembro ficando o intervalo livre para os clubes fazerem excursões à Europa e também para o nordeste. Era comum o Vasco conquistar o carioca, viajar para a Espanha e ganhar o Torneio Teresa Herrera ou Trófeu Ramon de Carranza, ou ambos, e desembarcar no nordeste para amistosos com os trófeus “na bagagem”. Eram verdadeiros acontecimentos pelas cidades e estados que passava. Essas excursões eram chamadas de ‘Bye Bye Brasil’ numa referência ao filme do diretor Cacá Diegues. Exemplificando apenas uma rota, o Vasco descia em Ilhéus e jogava contra o Colo Colo, pegava um ônibus seguia para Itabuna e enfrentava o Itabuna. Ia para Vitória da Conquista jogar contra o Serrano, no caminho parava em Itapetinga e enfrentava a seleção local. Seguia para Cruz das Almas para inaugurar o estádio e depois enfrentava o Fluminense de Feira de Santana, jogava em Alagionhas contra Atlético ou Catuense, depois seguia para Sergipe e fazia todo o restante do nordeste. Em cada uma dessas cidades os estádios ficavam apinhados de torcedores. Era a única chance que eles tinham de ver seus ídolos de perto, sem contar com a vivência dos atletas no dia a dia das cidades. Era única chance que aquelas pessoas tinham de ver times campeões brasileiros, cariocas e vitoriosos em gramados europeus. Essa presença do Vasco no nordeste fortalecia por demais sua imagem na região criando gerações de torcedores, e que se renovava com as presenças já consolidadas da televisão e revista Placar. Portanto, não é de hoje que essa força foi consolidada, foi resultado de um trabalho desprentensioso mas feito com sentimento verdadeiro, e tudo que é feito com sentimento verdadeiro se torna muito mais forte.

O respeito voltou.

Saudações Vascaínas!

Juca Nunes Neto
Itiruçu – Bahia

Ah, como é gostoso vê-los morrendo de raiva! Como é bom vê-los tentando morder os próprios cotovelos! Eles estão desesperados! É um prazer inigualável vê-los tentando a todo custo minimizar o desastre que significa perder jogos decisivos para o Vasco, seu único real arquirrival no mundo inteiro! Tentam a todo custo – mas não conseguem! – disfarçar a imensa frustração que isso sempre lhes causa!

Não se enganem: a única coisa que interessa aos simpatizantes da praga – sejam eles seus dirigentes, jogadores, torcedores e a parte rubro-negra podre da mídia – é ver o Vasco por baixo, especialmente quando são eles que nos jogam para baixo. Formaram a “Fla-Madri”, a “Fla-Manchester” (sifu!), formaram a mal aventurada “Fla-Fiel” certa vez (sifu novamente, no famoso chocolate de 5×2, em 1980) e novamente juntaram-se à torcida do Corinthians na final do Mundial de Clubes contra nós, no Maracanã, etc. Aí, comemoraram juntos na Praça Varnhagen, beberam com os corinthianos como se a vitória deles fosse.

Eles estão desesperados! Não tenham a menor dúvida quanto a isso, prezados amigos vascaínos. Com sua já tradicional e incurável soberba de garotos mimados que são, acostumados a sempre conseguir tudo o que querem, eles não tinham a menor dúvida: contavam totalmente que passariam pelo Gigante, especialmente jogando por um empate – achavam que tudo seria como no tempo do grupelho MUV, do fraquíssimo Roberto Dinamite e seus asseclas não menos fracos – e já estavam de olho na grande final, contra o Botafogo.

Meus caros vascaínos de verdade, eles estão babando que nem cachorro com hidrofobia! Estão mastigando caco de vidro pela cidade afora e cuspindo bolas de gude! Estão passando arame farpado entre os dentes! Não conseguem até agora entender o que lhes aconteceu! Estão atordoados que nem cachorro em festa de São João! Bem, para eles, uma palavra de consolo: FODAM-SE! O que lhes resta agora é chorar, e chorar muito, e depois partir para o outrora tão criticado por eles “chororô”. Vão chorar na caminha, que é lugar quente!

Bola que entra mais de meio metro não tem importância para eles! Gol em impedimento no último minuto da prorrogação de uma DECISÃO não tem importância para eles! Voadora no pescoço e rosto do Gilberto não tem importância para eles! Travas da chuteira na canela do Guiñazu, numa entrada criminosa do Cirino, não tem importância para eles! Nada disso foi “erro covarde” do juiz na opinião deles! Pimenta no clube dos outros é refresco!

Mas não tem problema, não, mulambada: ainda nesta semana vocês jogarão contra o Salgueiro… Quem sabe depois não joguem contra a Portela, Beija-Flor, Imperatriz… E terminam vendo a Mangueira entrar. Segundo eles dizem, agora é que vão jogar os torneios importantes… Como são maus perdedores esses pulhas, meu Deus! Repito o que eu disse num texto anterior: se eles ganhassem, seria “contra tudo e contra todos”; como não ganharam, dizem que o campeonato terá a final que a “Ferj merece”. Observaram como foram “proféticas” as minhas palavras? A verdade mesmo é que o Vasco salvou desde já este campeonato carioca, não importa qual seja o resultado da final. Se o Vasco não eliminasse a praga, não tenho dúvidas de que o Botafogo não teria forças para segurá-los, e o mal teria triunfado de novo! A vergonha teria prevalecido mais uma vez.

Portanto, essa histórica vitória do Vasco foi, como em tantas outras vezes, a vitória do bem sobre o mal.
Mas vamos aos fatos:

– Segundo Alexandre Wrobel, vice de futebol da praga rubro-negra, a eliminação no Carioca não muda em nada o planejamento que havia sido traçado para o restante da temporada. Ele disse (após a derrota, é lógico): “O Carioca não diz muita coisa. Mesmo se nós tivéssemos ganhado o Carioca, não nos deixaríamos iludir por isso. Então, permanece como estava”.

Viram, amigos vascaínos? O Carioca não diz muita coisa! Por que diabos choram tanto e se mordem por terem sido eliminados por nós? Por que já chegaram ao cúmulo de afirmar que “roubado é mais gostoso”? Bem, se é “mais gostoso”, é porque é gostoso, certo? Se “não diz muita coisa”, por que insistem em dizer que são tricampeões cariocas nos anos 78/79? (Vai explicar isso a um marciano doido e perdido que venha parar nesta terra maluca! Só mesmo nas cabeças doentes deles e da imprensa podre isso pode ser admitido! Gente, qualquer mamífero sabe que nesses DOIS anos eles só podem ter vencido DOIS campeonatos cariocas, além de um chamado torneio especial, feito para “encher linguiça”, sendo, portanto, apenas bicampeões cariocas, não tendo, por via de consequência, o número de títulos cariocas que se arvoram em proclamar aos quatro ventos). Mas por que perdermos tempo explicando isso a eles ou aos seus torcedores, quando isso não lhes diz “muita coisa”? Tá, me engana, que eu gosto!

– O treinador Vanderlei Luxemburgo disse que houve “erro covarde” da arbitragem ao não expulsar Gilberto na comemoração do gol, restando 30 minutos de jogo, e o presidente Eduardo Bandeira de Mello afirmou que o estadual terá a “final que estava prevista, a final que a Ferj merece”, entre o Cruzmaltino e o Botafogo.

Quem merece essa final é o torcedor carioca, senhor Bandeira de Mello! Aprenda a reconhecer a vitória dos outros, pois isso é elegante. Aliás, quando será que um rubro-negro aprenderá a reconhecer qualquer superioridade alheia? Como garotos mimados que são, com um imenso complexo de inferioridade, eles estão acostumados a sempre serem tratados como “os melhores e maiores em tudo” – por isso a dor é tão intensa quando descobrem a verdade, que o mundo real não é tão colorido quanto pensam.

Quem falou bem foi o Carlos Alberto Torres, o Capita, que disse que marcaria o pênalti para o Vasco, mas não marcaria o pênalti para a praga, porque os jogadores da praga são useiros e vezeiros em simular faltas, bastando para isso um sopro… (O problema, Capita, é que na maioria das vezes esse “sopro” vem justamente do apito do juiz).

Quanto ao dito pelo Vanderlei – que, quando decide trabalhar, quando resolve se dedicar exclusivamente a treinar um time de futebol, deixando de lado os tais “projetos”, é um técnico excepcional -, só quero fazer um comentário: é tudo, como você mesmo gosta de frisar, uma questão de “boa malandragem” por parte do árbitro de futebol; pois não se dá cartão amarelo a um jogador que comemora com a torcida quando este já tem um cartão amarelo no jogo! Isso é uma coisa mais que consagrada entre os árbitros que primam pela razoabilidade. Porque todos consideram isso (a comemoração com a torcida, especialmente nas novas arenas) parte da beleza que ainda resta no futebol. No caso, segundo “recomendação” da FIFA, o cartão amarelo deve ser dado, mas os árbitros sabem que isso (dar, como no caso do Gilberto, um segundo cartão amarelo) vai estragar o jogo, por isso normalmente só o dão se o jogador (ao comemorar com a torcida) não tiver ainda recebido o primeiro amarelo. Isso sim é bom senso. Vanderlei, o Vasco ganhou na bola, e você sabe disso melhor do que ninguém, pois você entende de futebol como poucos.

Restando trinta minutos, Luxemburgo? E se o árbitro da partida anterior tivesse expulsado o Jonas e o Cirino, por quanto tempo o Vasco jogaria com onze contra nove? Não teria o Vasco goleado facilmente vocês e entrado no jogo seguinte com muito mais tranquilidade? Mas o que é isso, meus chapas! Acabou a chupetinha no mel! Acabaram as vitórias antecipadas nos bastidores, na pressão, no apito, no grito! Acabou a história que se repete como farsa! Acabou o deleite da mídia podre antivascaína. Vascaínos, na era do MUV, de Dinamite e outros tão pouco valorosos quanto, o Vasco perdia para a praga antes mesmo de entrar em campo! Basta ver o histórico dos confrontos nesse período, que foi o pior na história do Vasco. Mas isso acabou! Sim, o respeito voltou! Voltaram o respeito e a grandeza do Vasco! Voltou o medo! Voltou o olhar apreensivo dos adversários diante do único manto sagrado que há! O respeito voltou porque o verdadeiro Vasco voltou! Que os nossos jogadores tenham sempre isso em mente. Se assim o fizerem, terão o apoio e a admiração de toda a gigantesca nação cruzmaltina espalhada por todo o Brasil e pelo mundo. Que a torcida do Vasco faça a sua parte e os impulsione para mais uma conquista.

Gostei muito das últimas palavras do emotivo Bernardo, ao final da vitoriosa partida deste domingo: “Repeito, que isso aqui é Vasco!”. Grande, garoto! É isso aí!

Para aqueles que se emocionaram com o meu último texto, cujas histórias de alguma forma se identificaram com a minha, e que deixaram belos e comoventes comentários, meus sinceros agradecimentos, pois acabaram, com suas histórias pessoais, me emocionando ainda mais. Reafirmo o que deixei registrado ali: o espírito sagrado contido nas palavras de meu pai está de volta! O Vasco venceu porque é o maior! E assim será daqui para frente!
Ser Vasco é isso, meus amigos. Uma imensa família, um nobre sentimento. Como é bom saber que todos nós passaremos, mas que o Vasco será sempre imortal. O Vasco é como um ser divino. Nosso amor permanecerá eternamente guardado na Cruz de Malta, no manto sagrado. Este é e será o Vasco de nossos filhos, netos, bisnetos, e assim por diante, para todo o sempre. Será doravante o nosso Vasco. Por isso, hoje, coloquem o verdadeiro manto sagrado e saiam para as ruas, dançando sorridentes, puxando o famoso “Casaca, casaca, casa-casa-casaca, a turma é boa, é mesmo da fuzarca, Vasco, Vasco, Vasco!” e cantando “Vamos todos cantar de coração, a Cruz de Malta é o meu pendão!”.

Com Eurico e Casaca! Sempre! Porque estes amam verdadeiramente o Vasco! Por um Vasco sempre vencedor e gigante!
Saudações Cruzmaltinas!!!

Dudi Carvalho

Eu ainda era um garoto. Meu pai, português, me levou ao Maracanã pela primeira vez. Morávamos longe do estádio; meu pai era comerciante – após “apanhar” muito e passar por muitos apertos por aqui, conseguira um pequenino açougue – no subúrbio do Rio; por isso ir ao Maracanã não era tarefa das mais simples, já que o comércio exigia dele muito esforço e tempo. Ele, que abria o açougue às sete da manha todos os dias, trabalhava, também aos sábados, até oito da noite, e domingo até as duas e meia da tarde, era então um vascaíno fanático e chegara ao Brasil no início da década de 50, já tinha ido várias vezes ver o Vasco, tanto no Maracanã quanto em São Januário. Ele assistira inclusive à final de 58, contra o Rubro-negro, que deu o título de supersuper campeão ao Vasco – título que, aliás, nenhum outro clube tem.

Mas eu nunca tinha assistido ao Vasco ao vivo. Não tinha como. Via, quando não era muito tarde – pois minha mãe pegava no meu pé por eu ter aula cedo -, alguns jogos pela televisão (que, por sinal, era uma lástima na época, com suas imagens distorcidas e cheias de “chuvisco”, com a “tela maluca” que subia e descia – o famoso “vertical”; só rindo, mas era assim mesmo – e que se transformava por vezes numa espécie de “listras de zebra horizontais”, possuindo dois botõezinhos atrás, os quais nós tínhamos que girar para consertar a toda hora os problemas). Não havia controle remoto ou televisão em cores. Era preto e branco mesmo. Se alguém quisesse mudar de canal (talvez três ou quatro canais, no máximo), não tinha jeito: teria mesmo de levantar a bunda da poltrona, ir até o aparelho e girar um enorme botão que tinha uns treze números e fazia um barulhinho ao ser girado. Os pais brigavam quando os garotos faziam isso, pois estes giravam o botão com muita velocidade, ao que sempre se ouvia “ei, isso aí não é metralhadora, não! Vai estragar esse troço!”.

Nas casas, quando havia, normalmente só havia um único aparelho de TV, geralmente localizado na sala. Vizinhos iam assistir aos jogos e às novelas nas casas dos que possuíssem televisão. Quando alguém comprava uma nova, era normal que vários vizinhos fossem lá para ver o aparelho. Era uma festa! Uma espécie de celebração pela conquista. Talvez fosse mais importante do que comprar um carro hoje em dia. A programação era muito primária e escassa. Assistir à TV era também um exercício de democracia, pois, ao que se iria assistir, tinha anteriormente de ser democraticamente decidido, e aí entrava a opinião de todos: pais, tios, mães, avós (estas duas últimas tinham normalmente, digamos, um “poder maior” na decisão final) e, por último, a garotada. Bem, se houvesse novela passando em um canal, e jogo de futebol, em outro, quase nunca vencíamos a discussão e, putos da vida, não assistíamos ao jogo, mas apenas a um pouco da novela – inclusive os pais e tios, que, por não serem bobos, preferiam não entrar em maiores contendas com as mulheres.

Nós garotos ainda insistíamos um pouco, exagerávamos nossa mágoa, ficávamos com os olhos chorosos, esperneávamos calculadamente (qualquer exagero nesse sentido, sabíamos muito bem disso, poderia nos render rapidamente uns puxões na orelha, uns bofetes ou umas boas chineladas), mas não tinha jeito: à noite, com o infalível argumento “amanhã cedo vocês têm aula, vão dormir!”, mães e avós tinham praticamente a palavra final sobre ao que se assistir na TV, em qualquer lar de então. O mesmo acontecia, para ser verdadeiro, em qualquer horário do dia, exceto quando elas estavam ocupadas com suas tarefas do lar. Naquela época, adulto mandava, criança obedecia, e ponto final.

A vida era assim. A vida, apesar de muito simples, era boa. Éramos felizes. Hoje percebo claramente o quanto éramos felizes. Quanta saudade.

Para os mais jovens, peço humildemente licença, quero deixar aqui uma singela lição: o preço da felicidade de hoje é a infelicidade de amanhã; não tem jeito, é a lei da vida. Portanto, aproveitem ao máximo a convivência com seus amigos e entes queridos. Nunca deixem para amanhã o abraço ou o beijo que podem dar neles hoje, pois, embora não seja fácil de perceber enquanto a “fita do filme” rola, tudo e todos se vão de suas vidas. A vida acontece em “real time”. Um dia, você simplesmente irá acordar, olhar para o teto do seu quarto e descobrir que tudo o que você viveu, passou; apenas passou, como um raio, à sua frente. Descobrirá que muitos dos seus sonhos de infância — talvez os mais fervorosamente acalentados em seu pequeno e inocente coração — simplesmente não se realizaram, e que já não há mais tempo para colocar a roda encantada deles em movimento. Descobrirá que lembranças, fotos e, principalmente, saudade são tudo o que lhe resta. Você mal poderá acreditar nisso. Descobrirá que todas as pessoas passaram; que passaram também os lugares e os momentos felizes; que passaram as canções, os risos, as lágrimas… Que tudo, enfim, passou… Tudo, como num filme em que não se pode rebobinar a fita.

Contar a história é fácil, pois sempre é feito de trás para frente. Difícil é seguir na linha do tempo, lutando, vivendo um dia após o outro.

Minha relação de imensa paixão pelo Vasco iniciou-se como a de todos os outros garotos suburbanos pelos seus times: além de ouvir os jogos pelo rádio (se o jogo fosse à noite, com o som bem baixinho, com o radinho de pilha escondido embaixo do travesseiro, pois, se algum adulto descobrisse, lá vinha bronca), através de algumas poucas revistas, e especialmente dos jornais – também em preto e branco, ou, como era o caso do “Jornal dos Sports”, em preto e rosa – que “filávamos” dos pais ou algum outro adulto. Só conhecíamos os rostos dos jogadores por meio de álbuns de figurinhas ou times de botões. Camisa do Vasco? Nem pensar. Quem possuía uma camisa, certamente a conseguira diretamente com algum jogador, o que era muito raro para alguém do subúrbio.

Assim que o vi pela primeira vez, apaixonei-me instantaneamente pelo escudo do Vasco. Ah, como eu amo esse escudo! Vivia a desenhá-lo, inclusive na sala de aula, onde vários garotos me pediam um exemplar. Quando a professora me pegava, era rolo na certa. Chamada na escola por ela, minha mãe dizia: “não tem jeito, professora, esse garoto é um fanático pelo Vasco!”. No fim, privadamente, ambas riam da coisa. Mas isso não me livrava do castigo de ficar sem brincar na rua por pelo menos uma semana. As coisas eram assim, meus amigos. Os mais velhos sabem disso.

Mas, voltando, meu pai me levou pela primeira vez ao Maracanã. O jogo era contra o Rubro-negro da Gávea. Caminho longo, sonhando com o que eu iria ver. Depois de alguma “muvuca” normal e fila no guichê, compramos na hora os ingressos. Ainda me lembro de, como se fosse hoje, extasiado, seguir pela grande rampa e, depois, na direção do acesso de entrada para a arquibancada, subindo-o, sempre levado pela mão de meu pai, ver as luzes dos refletores e, em seguida, o gramado verde. Amigos, que emoção para um garoto suburbano. Eu fiquei bastante assustado quando entrei na arquibancada, o coração ficou disparado, fiquei nervoso vendo aquela massa de gente que dividia a arquibancada ao meio. Achei lindas as bandeiras do Vasco. A torcida do Vasco estava linda, vibrante. Por muito tempo me disseram que sonhei com esse jogo, que minha cabeça infantil o inventara, pois eu sempre sustentei que tal partida ocorreu num sábado, não num domingo, e que o Vasco jogou de camisas pretas e shorts brancos. Lógico que eu sabia de tudo.

Sabia que ocorrera num sábado porque, ao sair de casa com meu pai, lembro-me muito bem da remanescente limpeza da rua e das calçadas feita pelos garis, pois havia sido dia de feira. E o dia da feira era sábado. Ponto final.

Quanto às camisas pretas, não tenho a menor dúvida, por um único motivo: eu me sentei com meu pai bem na direção do túnel de saída do time do Vasco (naquela época, a arquibancada de cimento ia até ali praticamente); e eu perfeitamente me lembro de que, ao ver o time do Vasco (amigos vascaínos, lembrem-se, eu nunca tinha visto o Vasco com os meus olhos) entrando em campo pela escada de acesso do túnel, ao ver aquele manto sagrado, extraordinário e único, preto com a listra diagonal branca e números vermelhos surgir, meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. Não consegui ver mais nada. Tudo ficou embaçado para mim por vários minutos.

Meu pai, percebendo minha emoção, apenas me abraçou carinhosamente e afagou meus cabelos. Eu só me lembro de, com a voz ainda chorosa e embargada, perguntar a ele:
– Pai, vamos vencer?
Ao que ele me respondeu:
– Claro que vamos!
– Como o senhor já sabe que vamos vencer o jogo, pai? – Questionei.
Ao que ele decretou:
– Ora, meu filho, vamos vencer porque o Vasco é o maior!

Pronto! Em meu coração infantil não havia mais dúvidas. O Vasco ia vencer porque meu pai dissera tudo: porque o Vasco é o maior!

Daquele momento em diante, a confiança total tomou conta de mim. Não deu outra. Garrincha jogou pelo Rubro-negro nesse dia (devo confessar que foi uma das razões que fez meu pai querer assistir a esse jogo, mesmo sendo num sábado, pois, amante do bom futebol, ele era um grande fã de Garrincha). Mas, com Garrincha e tudo, vencemos por dois a zero. Os gols foram de Nado e Valfrido, ambos no segundo tempo, e – imaginem minha alegria! – bem na minha frente. Quase morri de emoção no primeiro gol: um golaço do saudoso e querido Nado, um excepcional jogador, de seleção brasileira, ponta-direita pernambucano que virou eternamente meu ídolo, num lance em que ele foi driblando vários jogadores rubro-negros desde a lateral direita até a meia-lua da grande área, quando, de canhota, soltou um violentíssimo “pombo sem asas” no ângulo esquerdo do excelente goleiro rubro-negro Marco Aurélio, que deu um voo espetacular, sem, contudo, conseguir alcançar a bola, o que só serviu para aumentar ainda mais a beleza plástica e a emoção do gol. A torcida do Vasco explodiu, eu explodi, chorei à beça também no segundo gol, feito pelo “Espanador da Lua”, nosso não menos querido Valfrido. A torcida rubro-negra se calou, a do Vasco tomou conta da arquibancada, numa festa incrível. Voltei para casa com a alma lavada. O Rubro-negro, que era nosso freguês, perdeu mais uma!

É com esse sentimento que a torcida vascaína deve invadir o Maracanã nestes dois próximos domingos, empurrando seu time, com total confiança no coração, porque eles é que têm de nos temer, sabendo que somos o Vasco, que não há clube no mundo como este. Lembrem-se destas saudosas palavras de meu pai: “venceremos porque o Vasco é o maior!”. O Vasco é o bem. O Vasco é aquele que vence, contra tudo e contra todos.

Que Fred e outros tão pouco importantes quanto ele lavem suas bocas antes de falar do Vasco. Não têm moral nem estatura para isso. Calados! A mídia, como sempre fez e faz, tenta colocar a opinião pública e a arbitragem contra nós, e justamente na semana decisiva contra o seu queridinho. Fiquemos de olho no Rabelo (não no dos tricolores, mas no comandante dos árbitros, pois aí está o grande perigo; repetindo o que foi dito pelo grande Luiz Cosenza no programa da rádio: alguém aí viu o Flamengo ser prejudicado até aqui em alguma partida do campeonato? O contrário aconteceu por várias vezes, basta que se revejam vários lances. Não se enganem; eles estão com aquela postura tradicional deles: se o Vasco for campeão, só o foi porque os árbitros o ajudaram, e eles estão de mal com a federação. Agora, se a praga fosse campeã (o que não será), diriam: “vencemos contra tudo e contra todos!”. Ora, ora, ora, são uns malandrinhos, não são? Podem enganar a outros, especialmente seus torcedores, entretanto não enganam aos vascaínos). Venceremos facilmente as duas partidas contra a “praga”.

E, depois, tomara que peguemos o Tricolor na finalíssima. Sei que o mocinho estava tentando, além de desviar o foco, se esconder da responsabilidade, para dizer que a não classificação do seu time não fora culpa sua, já que estava fora, mas agora que a Deusa Fortuna os empurrou à frente, não vai dar para escapar desta vez: se passar pelo Botafogo, Cone Laranja, você vai ter de jogar contra nós, e vai perder novamente, como sempre. Vai ser uma delícia. Contra as moçoilas tricolores, até com o mirim o Vasco vence. E isso foi dito a mim por um inconformado tricolor amigo meu, após mais uma inevitável e insuportável derrota para nós. Eles se borram contra o Vasco.

O Vasco é e sempre foi o maior de todos. O Vasco é o mais lindo de todos, dono do único manto verdadeiramente sagrado que há. Ainda maior ele fica quando tem à sua frente pessoas que o amam de verdade. Com tais pessoas a comandá-lo, não tenho dúvidas em meu coração, seu gigantismo, recentemente submerso, vem à tona novamente com toda a sua força e pujança.

Que os rubro-negros coloquem desde já suas barbas de molho, pois o espírito sagrado contido nas palavras de meu pai está de volta. O Vasco vencerá porque é o maior! No fundo, eles sabem disso.

Bem, amigos, a emoção toma conta de mim neste exato momento. Não dá mais. A saudade invadiu meu coração sempre infantil. Afinal, sou Vasco.

Paro por aqui o texto. Um forte e fraterno abraço em todos os verdadeiros vascaínos.

Mas reitero, quantas vezes forem necessárias:
Com Eurico e Casaca! Sempre! Porque estes amam verdadeiramente o Vasco! Por um Vasco sempre vencedor e gigante!

Saudações Cruzmaltinas!!!
Dudi Carvalho

Por Paulo Cesar Guedes

AMIGOS,

DESCULPEM SE SEREI LONGO NO COMENTÁRIO, MAS NÃO PODE SER DIFERENTE.

Parabéns Presidente, essa é a postura que sempre desejamos de quem representa o Clube, ataques, manobras e manipulações, não podem ficar sem resposta.

Mas pelo visto, acredito que a Globo ainda quer mais.

Porém, dessa vez não somos nós que devemos nos manifestar.

Até para evitar desgastes na nossa exposição e em relação aos nossos patrocinadores, a FERJ TEM QUE SER ORIENTADA A SE COLOCAR E DAR UM PONTO FINAL NO ASSUNTO.

Ontem no programa BEM AMIGOS ou MAUS AMIGOS insistiram na questão convidando o Luxemburgo e associando a punição à LEI DA MORDAÇA, como fez questão dizer o defensor dos fracos e oprimidos, Galvão Bueno.

ELE DEVE RESPONDER DIRETAMENTE AOS PONTOS COLOCADOS NESTA DISCUSSÃO ABSURDA:

1- Luxemburgo: defensor da liberdade de expressão, mas tem no seu currículo, processos contra jornalistas que considerou o ter desonrado em suas criticas. Contraditório, né?

2- FLAMENGO: A FERJ colocou em votação as sugestões da própria Rede Globo, com relação a inscrição dos jogadores, motivo pelo qual ele se manifestou contrário, para valorização das escalações do campeonato e aprovado por unanimidade, INCLUSIVE PELO SEU PRESIDENTE.

3 – PUNIÇÃO: Puniu o Luxemburgo, não só por criticas as regras, mas por declarações de incitação contra a federação e que não são consideradas simplesmente criticas, OU DAR PORRADA em alguém parece uma atitude correta?

Já vimos diversas críticas do Eurico à Globo, porém, jamais o vimos mandar um vascaíno ir lá e dar porrada em alguém (apesar da vontade).

4 – LIBERDADE DE EXPRESSÃO: essa serve inclusive para a GLOBO. Em praticamente todos os campeonatos do mundo, existe uma determinação, para que não se desvalorize o produto, que envolve patrocinadores, investidores, resultados e valorização, regras que preveem punição para criticas infundadas, ofensas, incitação a discórdia, entre outras transgressões.

EXEMPLOS:

SHAQUILLE O’NEIL JÁ FOI PUNIDO PELA NBA POR ISSO, UM EX-TÉCNICO DO MANCHESTER CITY JÁ FOI PUNIDO PELA UEFA (O SUPRA SUMO DAS FEDERAÇÕES), só para citar alguns casos onde não houve tamanha indignação da mídia. Regras são regras, e devem ser cumpridas!

E O MAIOR EXEMPLO DESTAS REGRAS, ESTÁ NO CAMPEONATO DISPUTADO TODO ANO E ORGANIZADO PELA PRÓPRIA GLOBO, QUE SE CHAMA … BIG BROTHER BRASIL.

– NESTE CAMPEONATO (UM JOGO, COMO TODOS FAZEM QUESTÃO DE DIZER), É SABIDO POR TODOS E COMENTADO POR VÁRIOS EX-BBBs, QUE DENTRO DO PROGRAMA VOCÊ TEM QUE SEGUIR ALGUMAS REGRAS, SOB PUNIÇÃO E ATÉ ELIMINAÇÃO, COMO POR EXEMPLO:

NESTE ÚLTIMO BBB, A PARTICIPANTE TAMIRES, QUE PEDIU PARA SAIR, TOMOU UM SONORO ESPORRO, PRATICAMENTE ACABANDO COM UMA FUTURA CARREIRA DA MENINA, E PROIBIU-SE, AO VIVO, TODOS DENTRO DA CASA DE COMENTAR O ASSUNTO…. ISSO NÃO É CERCEAMENTO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO, DENTRO DO SEU CAMPEONATO, COM AMEAÇA DE PUNIÇÃO???

ISSO SÓ PRA CITAR UM, POIS SE PESQUISAR VEREMOS MUITO MAIS, ALIÁS VOCE VÊ ALGUM BBB FALANDO DE POLÍTICA NO PROGRAMA ???? ESTRANHO NÉ? MAS É O SEU CAMPEONATO E TODOS DEVE CUMPRIR AS REGRAS, CERTO?

PIOR? ASSINO MENSAGENS NOS COMENTÁRIOS EM SITES ESPORTIVOS, COMO PAULO VERDADE, E ESTOU BLOQUEADO NO GLOBO.COM E UOL (SÃO LIGADOS). ISSO NÃO É CENSURA???

SÓ MAIS UM DETALHE SOBRE A POLÊMICA DO RUBINHO ASSISTIR AO JOGO DO VASCO DENTRO DO GABINETE DO PRESIDENTE, PERGUNTO: O QUE FAZIA UM DIRETOR GERAL DA GLOBO DENTRO DO CAMAROTE DO SR. RICARDO TEIXEIRA NUM JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA, NO MEIO DE UMA NEGOCIAÇÃO DE DIREITOS DE TRANSMISSÃO? ISSO EU ACHO MUITO MAIS ESTRANHO.

ME ORGULHO MUITO DA POSTURA DO NOSSO PRESIDENTE, MAS REPITO, A MELHOR MANEIRA DE FICARMOS LIVRES DESSA CORJA, É SERMOS INDEPENDENTES DELA, COMO SEMPRE DIGO…. O VASCO SÓ DEPENDE DOS VASCAÍNOS. O DIA QUE TODOS ABRAÇAREM O CLUBE E TORNÁ-LO INDEPENDENTE FINANCEIRAMENTE, O CÉU É O LIMITE, POIS TAMANHO PODER DE CONSUMO NÃO SE MENOSPREZA.

ESSA É A NOSSA GUERRA, ELES QUEREM NOSSOS TORCEDORES E USAM SEUS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO MEIO DE MANOBRA PARA DIRECIONAR O CONSUMO DE SEUS PRODUTOS, ELIMINANDO AQUELES QUE POSSAM ATRAPALHAR SEUS OBJETIVOS. NÓS TEMOS A OBRIGAÇÃO DE REVERTER ISSO. O DIA EM QUE OS VASCAÍNOS, NA SUA GRANDE MAIORIA, ENTENDEREM QUE DEVEMOS CONSUMIR O QUE FOR MELHOR PARA O VASCO E NÃO PARA ELES, ESSA HISTÓRIA MUDA.

SAUDAÇÕES VASCAÍNAS!

PC GUEDES

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Já deixei dito em outras colunas que meu caminho nesta terra é agora relativamente longo. Já passei por muita coisa, por muitos apertos e dificuldades, já estive em muitos lugares, já vi muita coisa. Igualmente, também deixei aqui minha indignação com a realidade nacional. Tudo se repete, praticamente quase sem modificações, não em círculos, mas numa espiral, voltada para baixo, num declínio constante de tudo, especialmente no que se refere aos valores fundamentais, como família, respeito ao próximo, etc.

Aqui se fala em “cidadania” como se fosse algo simples e corriqueiro; como se fosse algo que se conquistasse apenas porque se quer (querer é indispensável, mas não basta). Uma coisa é a palavra “cidadania”, que todo mundo pode e abre a boca para falar toda hora, o dia todo; outra coisa é o seu significado, sua abrangência. A toada, meus amigos, não é bem assim. A cidadania é como uma peça sinfônica de Beethoven. Todos os participantes têm de entender a partitura, têm de ter conhecimento do riscado, ou vira um samba do crioulo doido (perdão, não posso mais falar assim: então direi que vira um “samba do afrodescendente doido” – lógico que isto é uma brincadeira; amo as pessoas negras; embora branco, fui criado com elas, no meio delas, e sempre fui tratado com muito amor e carinho, jamais me senti diferenciado. Eu as amo com todo o meu coração, por isso me sinto à vontade para brincar com elas). Aliás, será que ainda posso dizer Neguinho da Beija-Flor? Ou terei de dizer Afrodescendentezinho da Beija-Flor…? Porra, é tanta babaquice, deixa isso pra lá!

Cidadania é uma condição a ser conquistada e mantida constantemente, adaptando-se continuamente às mudanças. E as mudanças sempre vêm. Sempre se muda tudo para manter a choldra sob o controle da elite. Quando a choldra começa a entender a regra, é hora de mudá-la (a regra): essa é a verdadeira regra. Para se alcançar a cidadania é preciso exigir-se isso dos governantes e das elites; e, e isto é imprescindível, é preciso que se esteja preparado para tal. E este não é o caso por aqui, lamentavelmente. Não é mesmo. Estamos muito longe do que se possa chamar de “cidadania”. É como falar sobre Deus, superficial e levianamente, como se faz todo o tempo. Quando não se tem a menor noção do que significa algo, fica muito difícil – quase impossível – chegar até ou mesmo ansiar por tal coisa. Há ainda um longo caminho, neste “patropi”, até que se atinja aqui tal condição, de cidadania. Aqueles que não quiserem enxergar tal situação estarão apenas enganando a si próprios.

Para se avaliar o grau de cidadania de qualquer povo ou comunidade (falo no termo universal, não no eufemismo utilizado para se referir ao antigo termo “favela”, como se faz aqui atualmente) deste planeta, há um modo relativamente fácil: basta que se veja a forma de atuar e o modelo de suas polícias, e a forma como a população lida com ela, e vice-versa. É fácil ou não? Outra forma de avaliação é ver o modo como funcionam a imprensa e o sistema judiciário: se ambos existirem tão somente para corroborar o poder econômico, em suma, para corroborar os interesses dos poderosos, no primeiro caso, para mentir, para inventar a realidade que lhe convenha, defender os interesses de seus anunciantes (privados ou públicos; estes últimos, apenas quando abrem bem os cofres) e atacar quem lhes atrapalha os interesses, e no segundo caso (o judiciário), se for lento demais e atingir com suas sentenças apenas os pobres, então isso significa que o nível de cidadania de tal povo ou comunidade é baixo. Que acham? Alguma semelhança?

Não é porque se conquistou um celular, internet, televisão a cabo (e geralmente, estes dois últimos, na base do “gato”), e outras maquininhas tais, que se consegue o respeito que o termo “cidadão” carrega consigo. Tanto isso é verdade que qualquer sujeito que possua algum poder transitório neste país faz e diz o que bem quer e entende.
Aqui temos de ouvir e ver, por conta da chamada “delação premiada”, um diretor de uma grande empresa monopolista da área de petróleo dizer que vai “devolver” (pasmem!) 100 milhões de dólares (fora o que ninguém nunca vai encontrar: imagine se um cara que se “dispõe” a devolver – repatriar é mais bonito, concordo – 100 milhões de dólares é alguém burrinho que coloca tudo em seu imaculado nome… Ah, tolinhos!), conseguidos por meio de propinas recebidas de empreiteiras cartelizadas (observem isto: entre um valor de licitação 15% abaixo ou – observem agora isto com muito mais atenção – 20% acima de um chamado “preço técnico”, calculado pela citada empresa, a mesma do diretor ladrão, talvez calculado por alguém tão ladrão quanto ele, ou talvez ainda mais). E vejam que o termo licitação tem a ver com “tornar lícito”. (Bem, não vou dar nenhuma dica quanto ao nome dessa empresa, pois não quero polêmica desta vez; só vou dizer que tal empresa processou, em corte internacional, um famoso jornalista em – que coincidência! – 100 milhões de dólares porque ele disse, sem provas, que os diretores dessa citada empresa recebiam propinas, de dezenas de milhões de dólares, de empreiteiras e afins, e as mantinham em contas no exterior, melhor dizendo, em paraísos fiscais). Prometo que não vou dizer nada, mas, ah, se eu fosse a viúva de tal jornalista… Processava de volta, a tal empresa, na hora! E pediria umas dez vezes mais! Afinal, uma vida não tem preço… E o tal jornalista morreu em decorrência do processo. Ops! Deixe-me ficar calado, que em boca calada não entra mosca.

E pensar que os renomados “famosos quem” e doutores em mercado e assuntos econômicos da mídia passaram os últimos anos dizendo que os preços dos combustíveis no Brasil estavam mantidos fantasiosamente baixos por conta de interesses eleitoreiros da presidente da república. Bem, como vimos, sua vontade foi atendida: os preços dos combustíveis subiram, não tanto quanto desejavam os doutores da mídia e os acionistas da dita empresa (fica claro que os interesses dos citados não estão em comunhão com os nossos, não é verdade? Parece mesmo que a mídia e eles estão de um mesmo lado, e nós, do outro, não é?). E o que foi dito pelo tal diretor, durante audiência na comissão, foi feito na maior cara de pau possível. E ainda houve quem elogiasse sua “coragem”. Meu Deus, contando isso lá fora, ninguém acredita!

Agora, além de tudo isso, vem um aumento de algo próximo de 50% (aguardem e verão!) nos valores de energia elétrica – que, logicamente, junto com o aumento do preço dos combustíveis, irá impactar todos os preços industriais e os demais preços na cadeia de distribuição. E o governo, em vez de fazer um ajuste nas contas públicas (nos gastos), em vez de diminuir de tamanho, faz ajustes fiscais e aumenta os preços que tem sob seu controle (outro absurdo em qualquer chamado sistema de mercado). Aqui se paga multa caso se consuma energia elétrica monopolizada acima de um determinado patamar! Parece piada, mas não é. Imaginem o dono da única quitanda do bairro cobrando multa caso você comprasse acima de dez quilos de batatas por mês! “Gente, vocês estão comendo batatas demais! Vocês têm de aprender a comer menos batatas! Por isso, já que tenho tal poder e prerrogativa, vou multar (cobrar mais de) vocês!”. É dose pra leão. Normalmente, em qualquer dita “economia de mercado”, não se cobra mais, mas, ao contrário, se dá um desconto para qualquer coisa comprada em maior quantidade, ou no atacado, não é verdade? Logo, vivemos um paradoxo capitalista infernal neste país maluco. Os dirigentes, em vez de proverem condições e produzirem conforto para o povo, exploram-no. Mas o que é isso! Onde estamos! Que país é esse?! E ainda querem dizer que vivemos num país capitalista! Deus meu! Eu disse que estávamos em areia movediça, não disse? Assim como aconteceu na gestão do MUV, aí está o pico do monte Everest de merda surgindo na economia do Brasil. E vem mais por aí. Aguardem.

Sou do tempo em que o Maracanã era do povo; não este estádio bonitinho, elitizado, feito para uma minoria de torcedores burgueses, que procuram se comportar como se fossem europeus (não o são nem nunca o serão, até porque isso aqui não é a Europa) e estivessem assistindo a partidas da Champions League.

Aqui todas as tendências e ideias que vêm de fora são rápida e completamente absorvidas. Primeiramente a imprensa, representante dos interesses das elites, tanto a nossa quanto as dos países do chamado “primeiro mundo”, especialmente dos Estados Unidos e Europa, prepara o terreno para as “mudanças necessárias” (aquelas a que, quem se contrapõe, é um retrógrado). Depois vêm os governantes e os dirigentes e as implantam. É sempre a mesma cantiga. Vai ser duro de mudar.

E isso tudo ocorre por conta do velho e incorrigível complexo de vira-lata que o Brasil insiste em não perder. Não que eu ache que o torcedor comum não mereça respeito, até porque eu sou um torcedor comum. Não é isso. Banheiros bem aparelhados e limpos, em bom número e com boa distribuição ao longo do perímetro do estádio; lanchonetes bem distribuídas – e com preços honestos – já seria mais do que suficiente; e não esta veadagem e exploração que ora se vê. E eu lá faço questão de me sentar que nem um babaca em uma cadeira acolchoada e ser servido com bebidas e quitutes, pagando uma baba por isso, para permanecer no estádio por apenas duas horas!? Vamos parar com essa conversa pra otário, cacetada, porque vascaíno que é vascaíno não é otário! Porra, eu quero é gramado bom (chovendo ou não!), boa arbitragem e bom futebol! E quero que o meu time possa jogar bem e vencer! Qual o problema de sentar a bunda no cimento por duas horas se o time está jogando bem e deitando e rolando em cima da mulambada!? Já viu algum torcedor do Vasco reclamar da bunda achatada quando o seu time vencia os jogos contra nossos antigos fregueses rubro-negros? Eu nunca vi. A boa, inseparável e velha almofadinha resolvia tudo. Que saudades do também bom e velho Maracanã!

Alegria dos empreiteiros amigos de sempre – e daqueles “outros” que também se beneficiaram com o superfaturamento da tal “modernização” -, este Maracanã atual é mesmo coisa de tricolores! Bonitinho, mas ordinário e caro! No fundo, todo tricolor é um rubro-negro criado pela avó! Não passam de um bando de traíras ingratos, não passam de um bando de frescos! E todo rubro-negro é um soberbo mal-acostumado: no fundo, todo rubro-negro é um vascaíno que perdeu o rumo e a noção das coisas!

Falando da rivalidade com a praga. Eu sempre digo aos rubro-negros que, como tudo nesta vida, essa rivalidade entre Vasco e flamengo tem seu lado bom e seu lado ruim. O lado bom que é o Vasco, e o lado ruim que é o flamengo! Deus do céu, será que alguns nunca vão entender o que busca o Presidente Eurico quando trabalha a (boa e não violenta) rivalidade acirrada com a praga da Gávea? Será difícil entender que a mídia (vide consórcio e outros benefícios históricos) sempre quis e quer colocar o clássico das duas prostitutas coloridas como sendo “o grande clássico carioca”, independente da genética que une as duas moçoilas? Será que não vão entender a genial cabeça do grande vascaíno que luta por um Vasco verdadeiramente gigante, que não aceita ser colocado em segundo plano relativamente ao flamengo e ao Corinthians? Não entendem que é isso o que a Vênus Platinada mais anseia: um pé no Rio, outro em São Paulo? Moçada, acorda! Este é o ponto central: rivalidade entre nós e a praga! Isso é o que acende a nossa torcida, que a fez e continua fazendo gigante por todo o Brasil! Por isso, o Vasco é o clube que a mídia bandida tenta derrubar desde sempre, todo o tempo – exceto quando a mídia tinha ao seu lado o MUV e o Dinamite, pois eles mesmos se encarregavam de tal “serviço”.

O Vasco não tem motivo algum por que temer a praga rubro-negra. Não mesmo! O contrário é que deveria ocorrer! Nossos jogadores têm de ter tal consciência, têm de entrar em campo imbuídos de tal confiança, e tudo passará a ser diferente. Temos fatos e estatísticas que jamais serão alcançadas por eles. Houve um período em que éramos o próprio inferno na vida deles! Daí o ódio instilado no coração dos nossos fregueses de outrora (Roberto Marinho sofreu muito durante esse período, daí seu ódio ao Vasco). Temos a maior goleada (7×0); temos a maior série invicta (foram 23 partidas seguidas, de 13/05/1945 a 25/03/1951, em que os mulambos rubro-negros ficaram sem uma única vitoria sobre nós, e vejam que foram 17 vitórias e 06 empates); e nesse período tivemos – nada mais, nada menos! – 10 vitórias seguidas (isso mesmo, dez vitórias seguidas!). Isso, eles nunca vão conseguir devolver! Por isso, eu sempre digo a eles: “Calados! Conheçam a história antes de vir falar comigo, que isso aqui é o Vasco!”.
Tomamos um gol no domingo que nada tem a ver com a prática do futebol! PQP, isso é futebol, não water polo! Tudo bem, nosso goleiro não se ligou o quanto deveria, mas a filha da puta da bola para na grama encharcada e sobra justamente para um ex-jogador vascaíno meter uma pancada pra dentro do nosso gol! Com damos azar contra essa praga, meu Deus! Durma-se com um barulho desses! Bem, se “roubado é mais gostoso”, “cagado” deve ser ainda melhor. Mas a moleza está acabando. Agora precisam de uma ajuda de São Pedro (involuntária, pois São Pedro é do lado do bem) e, principalmente, da ineficiência da drenagem para nos vencer! Queria ver se tivesse ocorrido o contrário, se o gol fosse contra o queridinho! Todos da imprensa iriam dizer que era uma vergonha jogar num campo naquelas condições! Que o queridinho tinha sido prejudicado pelos administradores do estádio e pela federação! Que tinha dedo do Eurico naquilo ali! Que ele e a federação se mancomunaram com São Pedro! Que a partida deveria ser interrompida e anulada! Que o torcedor merecia respeito e não poderia ficar à disposição pelo tempo que dirigentes, árbitros e cartolas da federação bem entendessem! Que isso jamais aconteceria numa país sério! Que o consórcio era o responsável por aquela vergonha que se via no campo!

Mas o prejudicado foi o Vasco. Aí, ninguém disse nada. (Repararam como os “imparciais” da imprensa foram buscar com as câmeras, no meio daquela multidão, uma pequena confusão nas cadeiras? Será que era porque o Eurico estava ali próximo, mesmo que apenas de braços cruzados, assistindo passivamente a tudo? Será que esperavam que ele se manifestasse ou se envolvesse de alguma forma? Ainda bem que o Eurico não se envolveu de forma alguma, nem se manifestou, ou teriam dito que era algo deliberadamente provocado por ele para tumultuar a partida e tentar interrompê-la ou até mesmo anulá-la). Parece piada, mas não é.

Porra, agora falando sério, como bem disse o Cosenza, cadê a drenagem de primeiro mundo? E se tivesse chovido assim na final da Copa? Numa final de Copa, a imprensa diria que o campo de domingo estava perfeito para a prática de futebol? Não? Ah, tá!

Por isso eu digo e repito:
Com Eurico Miranda e Casaca! Sempre! Por um Vasco novamente gigante!

Saudações Cruzmaltinas!!!
Dudi Carvalho

CASACA! NO RÁDIO

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Ouça a íntegra do programa CASACA! no Rádio de 26/06/2017 com participação de Sérgio Frias, Rodrigo Alonso, Iury Gaspar e Luiz Cosenza.