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O Déjà Vu Eleitoral da República das Bananeiras

 

Nas eleições do Vasco em 2006, o então MUV conseguiu junto à Justiça a separação de um grupo específico de sócios, por eles escolhido, para votação em urna separada. Suscitaram “irregularidades” como uma letra de nome trocada ou um endereço sem CEP e convenceram o Juízo de que naquela urna, frente a estas pesadíssimas “irregularidades”, os votos em Eurico, que tentava a reeleição, seriam maciços. Ou seja: pinçaram nomes que sabiam de antemão que votariam na chapa da Situação e usaram tal artifício para depois argumentar que aquilo configurava fraude.

Eurico venceu considerando tais votos e o MUV recorreu ao tapetão. Naquele tribunal do Cabral, a eleição foi anulada e o golpe se confirmou em 2008. O que veio depois todos sabem: a República das Bananeiras promoveu supressões ao Almirante que transformaram uma dívida de 200 milhões proveniente de 110 anos de História em outra de 700 milhões num período de 6 anos. Belíssima administração moderna, arejada, baseada em imagem. Uma tragédia que rebaixou o Vasco duas vezes, preparou a terceira e o faliu moral e financeiramente.

Em 2017, a aposta foi a mesma. Em acerto com o grupo do galo corredor – o laranja dos amarelos, o MUV com roupa nova, barba aparada, sobrancelhas desenhadas, bronzeamento artificial, clareamento dentário, mas ainda sem voto para vencer no pau, foi à luta na Justiça, de novo. Mesma estratégia: diversas ações impetradas com o mesmo teor e atiradas ao vento, a maioria prontamente rebatida em primeiro grau.

Mas uma delas prosperou. Sendo assim, atendendo ao pedido da inicial sob a exclusiva alegação “atenção, meritíssima, vão votar nele”, o Juízo determinou a segregação dos sócios identificados por eles como prováveis eleitores de Eurico, tal qual em 2006. Novamente, a Situação vence no voto, mas a oposição recorre ao tapetão. Tenta fazer como o galo corredor – o laranja dos amarelos – fez em fevereiro de 2017 durante evento cultural carioca: virar a mesa. São as mesmas figuras daqueles dias: Osórios, Olavos, Mussas de maracujá, chocolate, morango, abobrinha e menos votadas. Filme repetido, pesadelos que querem se reinstalar, déjà vu do caos e da bandalheira.

Lógico, tudo isso com auxílio íntimo, quase sexual, da parcialidade característica daquela parcela da mídia, a mídia William Waack, a mídia que encomenda depoimentos com voz distorcida e imagens no escuro (como se isso não pudesse ser comprado na esquina), a mídia Kfouri, que prega o assassinato do presidente como solução para o Vasco, a mídia que não pode perceber que o clube põe a cabeça para fora do poço. Para eles, o Vasco é como aquele brinquedinho de parquinhos de shopping: umas cabecinhas que saem de uns buracos e um martelo. Pontua mais quem martelar mais, com maior agilidade e precisão as cabeças salientes.

Ocorre que há sintomas da existência de duas diferenças no enredo que se tenta repetir por incapacidade eleitoral. A primeira é que não está presente no jogo até aqui advogado disposto a esquecer de recolher custas de 25 mangos e fazer da chapa vencedora revel, se é que todos me entendem, ou pelo menos alguns. E a segunda é que o Cabral está em cana, o que parece dificultar que se dance macarena, guardanapos amarrados às cabeças, com a desenvoltura de outrora.

As alternativas estão postas, novamente, como naquele período. O vascaíno pode optar pela nítida reconstrução em curso ou fazer como fez no passado: apoiar o golpismo esboçado pelos mesmos personagens, reverberando as vigarices plantadas na mídia e compactuar com a “modernidade” expressa por 700 milhões em dívidas galopantes e a total inviabilidade do clube. Que depois não fuja, porém, das responsabilidades da escolha.

Boa sorte.

João Carlos Nóbrega