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Uma reportagem do UOL e um comentário apresentado pelo doutor Mauro Cesar, da ESPN Brasil, comprovam algo impossível de se negar: em se tratando de processo eleitoral do Vasco, ou a imprensa esportiva é muito mal informada, ou é muito mal intencionada. Não há terceira alternativa. O fenômeno salta aos olhos especialmente quando há alguma possibilidade de que Gru, o Malvado Favorito, participe do pleito.

Não há clube de futebol no mundo que tenha bastidores vigiados como o Vasco. Não há clube de futebol no mundo que tenha até seus títulos honoríficos contestados por esta mídia. Ocorre que na ânsia de apontar dedos para Gru e seus asseclas, os çábios cometem erros primários, toscos, estúpidos.

A quem interessar possa, segue um ligeiro manual.

Um: o título de emérito não confere ao agraciado o direito de participar do Conselho de Beneméritos. Logo, é falsa a informação de que estes nomeados teriam sido indicados com vistas ao segundo turno eleitoral do Vasco, aquele definido pelo Conselho Deliberativo, que é composto por 150 conselheiros eleitos e 150 conselheiros natos, oriundos justamente do Conselho de Beneméritos.

Dois: no segundo turno eleitoral do Vasco, votam como conselheiros natos os 150 Beneméritos mais antigos. Isso significa que, por exemplo, dos Beneméritos aprovados esta semana, apenas dois, repetindo, apenas dois, teriam assento no segundo turno da eleição, se este ocorresse hoje.

Terceiro: ao contrário do que reportagens, notas e informações prestadas por desinformantes afirmam, títulos honoríficos são concedidos a quem presta serviços ao clube. Não há qualquer irregularidade, distorção ou subterfúgio camuflado. Aliás, as recentes indicações, além de gratidão pelos mais variados auxílios relevantes, têm a função de renovar os quadros do clube, aproximando ainda mais colaboradores do dia-a-dia do Vasco. Renovação absolutamente salutar.

Quarto: Luso Soares da Costa foi Vice-Presidente geral de uma das administrações de Dinamite. Tornou-se Grande-Benemérito. João Manuel de Almeida foi um dos principais articuladores junto à Justiça do golpe de 2008, que colocou a República das Bananeiras no poder por 6 anos. Tornou-se Grande-Benemérito. Diego Carvalho trata-se do atual representante da minoria no Conselho Fiscal. Tornou-se Emérito. Há outros exemplos. Questão de prova: lista de indicações com intenções suspeitas contaria com tais nomes?

Assim, relegando ao quinto plano a hipocrisia e o recalque dos informantes da mídia, que prestam informações mentirosas propositalmente, recomendaria aos jornalistas a simples prática do jornalismo. Parece óbvio, mas isto deveria incluir apurar veracidade. Se não se deseja procurar os outros envolvidos, no caso quem indicou os nomes, que ao menos lessem o Estatuto do Vasco. Chutar reportagens a esmo, ainda que com nítida intenção partidária, pega muito mal, quando a desinformação é cretina e garimpada junto a desclassificados.

 

João Carlos Nóbrega